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Zaffa: ’Gravataí pode pagar piso do magistério se houver segurança jurídica’; Professores, Bolsonaro e o soldado comunista

O prefeito Luiz Zaffalon informou há pouco que ainda não tem “segurança jurídica” para pagar o reajuste do piso do magistério. É de mais de R$ 20 milhões o impacto para a Prefeitura de Gravataí dos 33,24% de aumento no piso nacional, anunciado em janeiro por Jair Bolsonaro.

– O Ministério da Educação emitiu apenas uma portaria definindo o piso – disse Zaffa, em vídeo postado em seu perfil no Facebook, que você assiste clicando aqui.

O prefeito divulgou trecho do parecer da Ayres Britto, consultoria do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Augusto Ayres de Freitas Britto, contratada pela Frente Nacional dos Prefeitos para analisar a constitucionalidade do piso: “… tratar do reajuste do piso do magistério por uma portaria, é inconstitucional, porque o ato administrativo federal não tem amparo em lei…”

A recomendação da FNP é dar a reposição inflacionária de 10,96%, do INPC.

– Isso já fizemos em Gravataí –disse Zaffa.

– Porém, sendo fixado o piso do magistério, evidentemente Gravataí tem condições de fazê-lo e vai fazer. Nós daremos o piso do magistério –garantiu o prefeito, dizendo que ainda vai aguardar “mais alguns dias” por documento do governo federal garantindo segurança jurídica para o pagamento.

– Quero tranquilizar os professores: Gravataí está preparada para cumprir a lei. Se o piso tiver o reajuste de 33%, complementaremos os 22%.

Ao fim, como detalhei em 20 milhões custa para Gravataí aumento para professores anunciado por Bolsonaro; É ’costelão na UPA’, com o reajuste o salário mínimo para os professores da Educação Básica passará de R$ 2.886 para R$ 3.845.

Analisando os dados do Portal Transparência chega-se a, pelo menos, R$ 23 milhões a mais em salários em 2022. Isso calculando sobre nove meses, já que o reajuste começaria a valer a partir de maio.

Corresponderia a 6% sobre a folha anual de R$ 370 milhões.

Tomei o cuidado de fazer o cálculo dos 33,24% já descontando os 10,96% de reposição da inflação pagos pelo governo Luiz Zaffalon (MDB) a partir de janeiro, como reportei em artigos como Madrugadão da Câmara: aprovado reajuste para funcionalismo e políticos de Gravataí; Acertos e erros da ’pauta boa, pauta bomba’.

Assim, a Prefeitura precisa complementar cerca de 22%. E não apenas para os professores em início de carreira. Lei aprovada pelo ex-prefeito Marco Alba obriga a Prefeitura a observar uma distância de 10% entre as faixas salariais.

Significa que, ao aumentar o piso para professores em início de carreira, é preciso reajustar também aqueles com salários maiores, para que não se chegue a um momento em que todos recebem o piso.

O piso estava congelado desde 2020.

– Eu vou seguir a lei. Os governadores não querem os 33%. Eu vou dar o máximo que a lei permite, que é próximo disso – disse, à época do anuncio, Jair Bolsonaro.

Uma semana depois, na assinatura da portaria, instigou:

— Havia pedidos de muitos gestores, prefeitos e governadores, querendo 7% (de reajuste). O dinheiro de quem é? Quem é que repassa esse dinheiro? Somos nós, o governo federal. A quem pertence a caneta BIC? Quem vai usar sou eu, em portaria.

Segundo a Secretária de Educação Básica (SEB), vinculada ao Ministério da Educação, mais de 1,7 milhão de docentes serão beneficiados pelo reajuste em todo o país. Em Gravataí, mais de 2 mil.

Inegável a importância dos professores e a necessidade de ganharem melhor. Mas incontestável é o caráter eleitoreiro da medida de Bolsonaro e o efeito no caixa de municípios e estados em crise.

– Ouviremos, na ‘ilha de investimentos’, um alerta de tsunami? – questionei em 27 de janeiro, no artigo sobre o piso.

A resposta Zaffa deu hoje.

Gravataí, diferentemente de outros municípios brasileiros, tem como pagar sem extrapolar o limite de gasto com pessoal previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Mas isso vai obrigar o prefeito a refazer as contas; e obras.

O investimento necessário para o reajuste anunciado pelo presidente da República consome metade da economia feita com a reforma da previdência em Gravataí.

Reputo os efeitos políticos são dos Grandes Lances dos Piores Momentos.

De um lado, sindicatos dos professores, quase sempre identificados com a esquerda, constrangidos a se aliar a Bolsonaro para pressionar prefeitos e governadores pelo reajuste no piso; de outro, muitos prefeitos, como Zaffa, que votou em Bolsonaro no segundo turno de 2018, testemunhando em seu presidente o ‘populismo’ que critica na esquerda.

Lembrou-me tuíte que li após a visita do ‘mito’ ao ‘soldado comunista’ em Moscou: “Esperem: na eleição de 2030, a extrema direita da vez vai usar essa foto para denunciar: Bolsonaro é comunista!”

 

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