política

Vereador ainda vai propor salgar o Rio Gravataí para dar praia; As meias verdades e a metade próxima da mentira

A Câmara de Gravataí retorna nesta terça-feira do recesso parlamentar, as ‘férias dos vereadores’, com uma ‘pauta-bomba’ de bastidores que pode estourar em plenário durante a sessão que começa às 17h. São os ‘projetos indicativos’, que permitem demagogias desde construir um hospital municipal até propor salgar o Rio Gravataí para dar praia.

O Seguinte: teve acesso a prints de trocas de mensagem em grupo de WhatsApp dos vereadores criticando projeto apresentado por Fernando Deadpool (DEM) para construção de uma UPA 24H no Parque dos Anjos pelo governo Luiz Zaffalon (MDB).

Além de alertas sobre o programa federal de construção das UPAs não existir mais, parlamentares ironizam a demagogia do projeto indicativo:

– Como ninguém pensou nisso?

– Vou propor um aeroporto.

– Um Moinhos de Vento SUS.

– Base da Nasa.

– Trem bala.

– O aeromóvel do Pandolo.

Ex-vice-prefeito, o vereador Áureo Tedesco (MDB) deu a morta:

– Tem gente querendo ser prefeito sem concorrer.

É isso.

Não é função de vereador propor construção de UPA. É inconstitucional apresentar propostas que criem gastos para o Poder Executivo. Mas segue lá, no Regimento Interno da Câmara, a figura do ‘projeto indicativo’, onde o político sugere o que quiser para caçar votos e cliques.

– Bem vindos a 2020 – escreveu o ex-presidente Alan Vieira (MDB), que já testemunhou propostas assim no passado.

Também alerto para isso a cada legislatura, para que o eleitor não seja enganado pela meia verdade – e meias verdades sempre tem uma metade próxima da mentira – sobre a legalidade infactível dos ‘projetos indicativos’.

Na legislatura anterior tratei de diferentes formas de demagogia em uma série de artigos, como Já há lei do piso do magistério em Gravataí; Câmara faz demagogiaEmenda pede reposição a funcionalismo de Gravataí; riscos da demagogiaVereadores de Gravataí são responsáveis por enganar usuários da Área AzulA oposição em Gravataí mexe na bosta seca e tantos outros.

Em janeiro do ano passado, no primeiro mês da atual legislatura, em Vereador erra ao pedir asfalto em acesso a bairro nobre; O seu, critiquei o vereador Thiago De Leon (PDT) por apresentar requerimento pedindo à Prefeitura o recapeamento asfáltico da Estrada Lomba Vadeco, acesso à Paragem Verdes Campos, bairro nobre de Gravataí e onde mora o parlamentar.

O que escrevi segue valendo: “…Além de pegar mal a escolha da ‘rua para os ricos’, enquanto centenas de vias que servem à comunidade pobre seguem sujando de poeira as roupas no varal ou embarrando sapatos, é uma proposta demagógica. Não é função do Legislativo e sim do Executivo definir o asfaltamento de ruas. Vereadores não podem aprovar projetos que criam despesas para Prefeitura…”.

Acrescentei: “…É aquela velha história: se algum vereador apresentar um projeto indicando a criação de 1000 leitos em Gravataí, arrisca ser aprovado, porque políticos tem medo de dar a real ao eleitor, principalmente frente ao Grande Tribunal das Redes Sociais. Requerimentos assim só servem para enganar as pessoas que, desinformadas, alimentam a esperança de que terão o problema resolvido por seu vereador…”

Na conclusão, apelei: “… outros vereadores já fizeram e fazem o mesmo, mas o sociólogo De Leon é um jovem estreante e, pelas boas ideias, promissor na política. Tomara não absorva comportamentos ordinários na Câmara, que são tão provocadores quanto uma sinaleira no amarelo…”.

Reputo também dos Grandes Lances dos Piores Momentos duas ações de vereadores que, na Gravataí 40 graus de janeiro de 2022, antecederam a demagogia do projeto da nova UPA.

O próprio Fernando Deadpool, ao apresentar proposta para que caminhões da limpeza urbana tenham lugar interno refrigerado para armazenamento de água para os profissionais, levou garrafinhas de refri e sanduiches para garis nas ruas.

Já o vereador Bombeiro Batista (PSD) apareceu na UPA da 74 com um isopor nas costas distribuindo água gelada aos pacientes que lotavam a unidade nesta época de explosão da covid-19.

Bonito, mas, além de não resolver nada, não é função de vereador.

É o estilo ‘Colatina’, pouco para a quarta economia gaúcha, como já tratei em Não basta um ’prefeito de Colatina’ para Gravataí e Cachoeirinha, e que ajuda a incitar no Grande Tribunal das Redes Sociais que aos políticos não se permita nada além da presunção de culpa; afinal, são os vilões.

Também acho ruim para a política que, assim como o já citado De Leon, o vice-prefeito Dr. Levi Melo (Republicanos), dois políticos bem de vida, doem seus salários em parte e inteiro, respectivamente, o que já analisei em Vereador de Gravataí doar salário é bom para escolas e ruim para política.

Ao fim, se por inexperiência, ou malandragem política, vereadores começarem a disputar demagogias, restarão eleitores enganados; e basta ver os comentários em postagens caça-clique para lamentar o quanto as pessoas acreditam, ou querem acreditar ser possíveis coisas como “cortar o salário de 21 vereadores” e construir e manter um hospital que precisa de intermináveis zeros após a vírgula a mais em investimentos.

Lembra-me aquele vídeo em que veranista, na beira da praia, diz:

– Está tudo muito bom, só peço aos governantes para tirar o sal do mar. Esse é o Brasil que eu quero.

Naturalizando o meme, arrisca alguém propor salgar o Rio Gravataí para dar praia.

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