veraneio das urnas

Marco Alba e as obras que não podem parar

Patrícia, Marco, Nadir, Áureo e Cristine ao fim da convenção

Catorze partidos confirmaram em convenção a chapa Marco Alba (PMDB) e Áureo Tedesco (PSDB) para disputar a eleição suplementar de 12 de março. Estávamos lá

 

As obras estão acontecendo. O povo está percebendo. Mas, se oposição ganhar, tudo para. Criarão dificuldades para depois vender facilidades.

 

Se fossemos resumir em uma tuitada a convenção onde o PMDB e outros 14 partidos confirmaram a chapa Marco Alba (PMDB) e Áureo Tedesco (PSDB) para o ‘veraneio das urnas’, os 140 caracteres seriam esses.

O Seguinte: acompanhou, na noite desta quarta-feira, as quatro horas e meia de burocracia e festa e lista as 10 +, conforme foram acontecendo.

 

1.

Distribuídos em mesinhas instaladas ao entardecer de clima ameno no local onde será mais uma vez, como em 2012 e 2016, o comitê central da campanha, na parada 75, PMDB, PSDB, DEM, PTB, PV, PP, PRB, REDE, PROS, PR, PTC, PMN, PEN e PTN fizeram ali suas chamadas de filiados, ou trouxeram prontas atas de suas convenções, sempre sob a supervisão de uma das pessoas de mais confiança de Marco, Sônia Oliveira, presidente peemedebista e, filha do lendário ex-prefeito Dorival de Oliveira, com mais de três décadas de experiência na papelada política desde antes da internet.

 

2.

Antes do início do ato político, às 21h, o DJ de músicas basicamente internacionais, aparentemente fã de Cindy Lauper, só baixou o volume para falas rápidas do deputado estadual Ibsen Pinheiro e do ex-vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, que passaram mais cedo por ali e foram apresentados por um ex-prefeito Edir Oliveira que lembrava os tempos de radialista na aldeia, e na chegada do vice Áureo, abraçado à esposa Cristine e ao ex-vice-prefeito Francisco Pinho, que seguidos por uma coluna de tucanos e suas bandeiras, que caminharam da sede do partido, a menos de 50 metros dali.

 

3.

De Brasília, onde participava da votação pela escolha do novo presidente da Câmara, Jones Martins (PMDB), o deputado federal de Gravataí, mandou uma mensagem para Marco.

 

4.

Juvir Costela (PMDB), deputado estadual que foi chefe de gabinete de Marco na Assembleia, e o chama de ‘padrinho’, foi um dos primeiros a chegar.

 

5.

Até acenderem as luzes do palco, a reportagem conversou com quase uma centena de pessoas, entre atuais e ex-vereadores, assessores, secretários, CCs de diferentes escalões, familiares e simpatizantes. À simples pergunta, “e aí?”, a reação era praticamente unânime, e a sorridente resposta retratava o novo momento dos Marco Alba´s no ‘segundo turno’:

– O clima mudou. Agora vai.

Energizados, os apoiadores da reeleição não escondem o entusiasmo com a cidade em obras e, nas conversas mais reservadas, com a inelegibilidade de Daniel Bordignon (PDT).

Apesar do respeito pelo grande adversário de sempre de Marco no tradicional GreNal da aldeia, poucos acreditam que o ‘Grande Eleitor’ tenha força suficiente para levar a esposa Rosane à Prefeitura.

O nome de Anabel Lorenzi (PSB) raramente foi citado.

 

6.

Os discursos abriram com Pinho escalado para falar em nome dos presidentes dos 14 partidos da coligação A Mudança Já Começou, Gravataí não Pode Parar.

Vinte anos em mandatos como vereador, cinco como vice-prefeito e mais um como deputado estadual, o veterano político deu uma aula de como fazer campanha, alertando que o único clique que resolve eleição é o de ‘confirma’ na urna eletrônica, e não os metralhados em teclados de computador ou celular, postando ou compartilhando por perfis de facebook.

– É preciso visitar os parentes, bater na porta dos vizinhos – resumiu a regra da política que não precisa ser grego ou romano, basta já ter participado de uma, para saber que é pétrea em campanha.

Com simplicidade, apelou para que todos colassem nos carros o número 15, do PMDB de Marco.

– No meu carro só terá o 15. É preciso informar bem as pessoas – detalhou o político que conduziu os tucanos de volta para a campanha da reeleição, após apoiar Anabel no ‘primeiro turno’, alertando também que em eleições “não há jogo jogado”.

 

7.

Contando que visita uma obra por dia, e ainda não foi a todas concluídas ou em andamento, o prefeito interino Nadir Rocha (PMDB) foi o responsável pela mais apaixonada defesa do governo Marco Alba:

– Se tudo isso está sendo feito agora, é porque a casa foi colocada em ordem desde o governo do falecido Acimar da Silva. São todas obras planejadas. Estou em meu quinto mandato como vereador, presidente da Câmara pela terceira vez e, pela segunda oportunidade, prefeito interino. Posso testemunhar que Gravataí é uma antes, outra depois do Marco Alba – disse, lançando uma série de perguntas envolvendo temas que aparecem como principais preocupações das pessoas do Oiapoque ao Chuí, e que ele mesmo respondia listando ações do governo:

– Já tinham ouvido falar em UPA? Entregaremos a primeira de Gravataí nesta sexta, na parada 74, outra está 50% concluída na Morada do Vale e em nosso planejamento prevemos uma terceira na Caveira. Construímos unidades de saúde modelo e reformamos outras que funcionavam em prédios sem nenhuma condição de receber os serviços. E o novo Centro de Obstetrícia no hospital, conhecem?

– Já tinham ouvido falar em todos os alunos com uniforme, material escolar, com plano pedagógico e aprendendo a usar a internet? Proporcionamos isso, além de novas quadras esportivas e estamos entregando uma praça por semana para as crianças brincarem.

– Sabiam que teremos nos próximos dias mais 24 guardas municipais armados, que criamos a patrulha escolar e todas as escolas tem gradis de segurança?

– Sabiam que paramos de ser o lixão da Região Metropolitana? Que o Marco fechou ao Aterro Sanitário e, em vez de receber toneladas de Porto Alegre e outras cidades manda os resíduos para Minas do Leão? E que quase toda a cidade agora terá coleta seletiva?

– Sabiam que o Canil Municipal é uma referência no Rio Grande do Sul?

– Sabiam que estamos entregando 2 mil casas populares na parada 103, e não aqueles arremedos do PAC e do loteamento Princesas, hoje em ruínas?

– E os tão falados buracos? Foram necessários três anos para recuperar a Usina de Asfalto que estava penhorada e no tempo daqueles outros tinha 400 funcionários e reclamatórias trabalhistas. Hoje funciona com apenas 14 servidores e já asfaltamos quase 50 ruas em pouco mais de um mês.

Mais de quatro décadas de política sindical e partidária nos 57 anos de vida, Nadir deixou para o gran finale a responsabilização dos ‘fantasmas do passado’. Sem citar nomes, mas se referindo aos governos do PT, de Daniel Bordignon, passando por Sérgio Stasinski (que, como presidente do PV, apenas ouvia ao fundo do palco) até Rita Sanco, “que tiramos do governo por má gestão”:

– Somos a terceira economia gaúcha, atrás apenas da Capital e de Caxias, no tempo deles o orçamento cresceu de R$ 30 milhões para R$ 300 milhões com a vinda da GM, mas desafio alguém a apontar uma obra duradoura que tenham feito. Souberam foi deixar uma herança maldita de meio bilhão para o Marco pagar. E, mesmo com a maior crise que esse país já viveu, e comeu mais R$ 300 milhões, é só olhar como uma boa gestão pode mudar a vida das pessoas – empolgou-se, informando ainda que, “fora do SPC das prefeituras”, Marco habilitou Gravataí a receber financiamento de R$ 100 milhões para infraestrutura nos próximos quatro anos.

– A justiça será feita e o Marco será reeleito. Não será gente nas redes sociais, que nunca fez nada pela cidade ou falou com ele, e passa o dia chamando todo mundo disso ou daquilo, que vai conseguir apagar a marca da competência do Marco e do nosso governo. Nós não vamos deixar! – convocou, tendo em seguida os braços levantados, entre Marco e Áureo.

 

8.

Se alguém nunca tinha visto Áureo Martins, um dos motivos por ter sido escolhido como vice, com a bênção de Marco, poderia ser traduzido nas poucas palavras que conseguiu dizer em seu discurso de não mais de três minutos.

O dono da agropecuária da Morada do Vale é vereador eleito para o primeiro mandato, o único do bairro, mas não parece um político. Não tem entonação, movimento ou conversa de candidato. Mas, tímido, humilde e agradecendo mais de uma vez ter sido lembrado para ser candidato, foi um dos mais aplaudidos da noite ao fazer uma menção genial, em se tratando de estratégia política:

– Quero chamar aqui ao meu lado o Tanrac, que teve a grandeza de ceder a mim seu lugar como vice – saudou, abraçando o ex-vereador Tanrac Saldanha (PRB), vice de Marco na ‘eleição que não terminou’, e que aceitou a troca para que o PSDB voltasse à coligação e garantisse, com 14 votos, a Presidência da Câmara para Nadir Rocha e a conseqüente manutenção da Prefeitura com o grupo político de Marco até a eleição do dia 12 de março.

 

9.

De camisa azul clara, calça jeans e sapatos sem meias, Marco Alba foi anunciado sob aplausos e, na frente do palco, fez uma flexão e um agradecimento com a cabeça, como um artista no abrir das cortinas.

E começou o discurso confirmando a observação da reportagem do Seguinte:, de que o clima é outro na campanha neste ‘segundo turno’.

– Mudaram as energias. Vejo isso no rosto de vocês. E da população, que está enxergando os resultados do que começamos lá em 2011, quando o Nadir assumiu como prefeito, depois com o Acimar, e nos meus quatro anos que o Nadir agora dá sequência. As pessoas estão reconhecendo nosso bom trabalho.

– Se a oposição estivesse na Prefeitura faria agora o que certamente fará depois, se não vencermos as eleições. Vão parar com tudo, para não reconhecer nossas realizações – alertou, ao reforçar a importância da unidade dos 14 partidos para manter o grupo na Prefeitura.

Falando em “grande família”, e tendo ao lado a esposa Patrícia, Marco também fez deferências especiais.

– Tanrac, fostes incrível ao renunciar, pensando no coletivo, um espaço que era teu. És responsável por tudo isso que está acontecendo de bom para a população, por podermos ter o Nadir na Prefeitura – disse, olho no olho com o, nesta quinta, empossado secretário da Família e Assistência Social.

– E agradeço também a ti, Beto Pereira, que com o Pinho veio nos tornar mais fortes – disse, ao ex-vereador tucano que foi vice de Anabel no ‘primeiro turno’.

 

10.

Dando uma virada no discurso, Marco começou a apontar diferenças em relação aos adversários.

– Essa grande união mostra que ninguém aqui busca o poder a qualquer preço, que não nos movemos por interesses pessoais. Nos unimos pelo bem das pessoas, da cidade, não somos da turma da divisão, do ódio e da crítica pela crítica – disse, agradecendo nominalmente aos vereadores “que seguraram as pontas na Câmara abaixo da raiva dos que destruíram a cidade”.

– Somos os que fazem as coisas acontecerem, não aqueles do assembleísmo e do blá, blá, blá, que dão tapinhas no ombro, sorriso fácil e adoram filosofar e falar mal dos outros – disse, logo abaixando o tom de voz:

– A partir de terça, com a campanha na rua, não caiam em ciladas. Eles virão com tudo para cima de nós, porque já entenderam que as pessoas perceberam as transformações e não vão querer retroceder. Sigamos tratando a todos como seres humanos, porque eles só enxergam nas pessoas votos – alertou, subindo novamente o tom para concluir:

– Vamos seguir falando a verdade. E o fato é que esses, dessa mesma corrente ideológica, e que querem voltar, são como gafanhotos, que por onde passam destroem tudo e deixam a conta para o povo pagar.

Agitado como sempre, Marco saiu do palco e, entre fotos e cumprimentos, já caminhou para a sala de reuniões do comitê, buscando detalhes e chamando um e outro, noite adentro.

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