jeane bordignon

Que ano!

A exclamação poderia ter um viés negativo, porque 2021 começou como uma extensão de 2020 e trazendo números mais assustadores. Os primeiros meses foram marcados pela alta dos casos de coronavírus e das mortes. Que agonia! Ao mesmo tempo, que privilégio tive de poder ficar em casa nesse tempo, cuidando de mim e dos meus. Saídas, só para médicos e alguma compra de mercado ou farmácia que não dava mesmo para pedir entrega.

Mas agora, que passou a fase mais tensa, consigo ver que esse ano, pelo menos para mim, foi grandioso. Comecei 2021 literalmente colando os cacos de 2020, ainda me recuperando da fratura que rendeu uma placa no braço e uma cicatriz que não vejo a hora de cobrir com um belo girassol. Em janeiro, meu dedão começava a dar sinal de vida. Mas foi só em abril que eu consegui novamente fazer um joinha. Meio torto, mas o joinha mais feliz da minha vida.

Felicidade maior foi conseguir pegar o Gael no colo normalmente. Meu sobrinho caçula nasceu em dezembro passado, e nos primeiros meses era um malabarismo para conseguir segurá-lo um pouquinho. Precisava que alguém colocasse no meu colo. Essa fase passou, meu braço está forte novamente, e Gael ganha muito colinho da tia.

Com certeza uma das maiores bençãos desse ano foi ver esse gurizinho crescer cada dia mais lindo e esperto. Não tem tristeza que resista àquele rostinho. E cada dia é uma novidade, uma sapequice diferente. Gael é um presente nas nossas vidas. E tem um grude com essa tia… já estou até decorando as músicas do Cocomelon e Mundo Bita, de tanto que me faz ver. Mas amo esses momentos, que passam tão rápido!

Parece que nem faz tanto tempo que eu assistia desenho com o Pedro, meu sobrinho mais velho… e agora o guri já tem bigodes! Confesso que ainda não me acostumei…

Outra conquista no processo de recuperação foi retomar os trabalhos em feltro. Aos pouquinhos fui reconquistando o ritmo, que nunca foi rápido mesmo. E quando já estava pronta, recebi missões muito especiais. A Frida e o Lanceirinho Negro! Depois veio o desafio de recriar em feltro minha querida Medonha. Nesse processo todo, passei a me reconhecer artesã de verdade, não apenas uma “arteira” como sempre me nomeei. Sim, sou uma artesã, uma artista também com feltros e linhas!

Em julho tomei a tão esperada tão esperada vacina! As atividades presenciais estavam retornando aos poucos, então surgiu uma oportunidade interessante: um edital para apresentações no Quiosque da Cultura, dentro da programação de aniversário do Quiosque e da Prefeitura. Queria muito me inscrever, mas não me via com pernas para fazer um projeto sozinha.

Aí começou uma parceria que eu espero que seja longa e próspera! Comecei a trocar umas ideias com o Waldemar Max e encontramos vários pontos em comum entre as artes visuais dele e minhas poesias, ajustamos daqui e dali, inventamos mais um pouco, e criamos a performance Contatos Imediatos. Que pode não ter saído exatamente como planejamos, mas foi uma emoção tão grande conseguirmos realizar esse projeto! Tanto o Max quanto eu tivemos vários baques nos últimos anos que nos deixaram distantes dos palcos, e depois veio a pandemia para atrasar mais um pouco o retorno. Estar naquela noite apresentando Contatos Imediatos foi realmente um renascimento!

E eu tinha esquecido, ou talvez nunca tinha percebido com tanta força, o quanto eu gosto desse lugar. Agora estou com sede de palco, sabe? Essa programação do Quiosque também serviu para conhecer melhor a Ângela Xavier, nova presidente do Clube Literário de Gravataí, para o qual estou de volta. E foi mais um encontro com muita vontade de fazer as coisas acontecerem. 2022 que aguarde por nós duas!

Durante todo esse período pandêmico, participei de muitos saraus online, como Sarau das Minas, Gente de Palavra, Ameopoema, Entreverbo. Mas a saudade de um sarau presencial estava bem grande! E finalmente, no finalzinho de novembro, tivemos a retomada dos saraus do Clube Literário, na linda livraria Amo Livros. Frio na barriga, uma ansiedade por estar num encontro social depois de tanto tempo… mas uma felicidade indescritível por estar por estar partilhando poesia e encontrando os parceiros de arte outra vez.

E agora, 10 e 11 de dezembro, tivemos mais uma dose dessa alegria, na Caravana Cultural Quero Quero, que ocupou o Parcão por dois dias. Na sexta, fiquei no palco com os parceiros do Clube Literário e falei poemas do zine Poeterapia, além do Fagia, meu xodó do livro Brado Carmesim. No sábado, Max e eu vestimos novamente os figurinos do Contatos Imediatos para dar uma provinha da nossa performance.

E que coisa boa essa expectativa de se preparar e ficar aguardando o momento de entrar no palco! E como é bom apresentar um projeto em que a gente acredita e põe o coração! Que maravilha jogar junto com alguém que se pode confiar! Que lindeza é a arte feita com verdade!

Realmente estou empolgada e cheia de motivação para o novo ano que vem por aí. Querendo descobrir cada vez mais essa artista que por tantos anos teve medo de se mostrar pro mundo, mas agora encontrou prazer em doar a voz e o corpo para a arte. Porque entendeu que quando sobe num palco ou se põe diante de um microfone, está sendo um instrumento da arte… que a fez uma pessoa sensível, mas não vulnerável. São coisas bem diferentes!

Comecei 2021 recuperando um braço quebrado. Termino o ano mais forte do que nunca! E pra fechar melhor ainda, consegui no último domingo visitar minha amada Casa de Cultura Mario Quintana, que não tinha podido ir desde que voltei do Rio. Aproveitei para passar também no Margs. Eu respiro arte! Que os ventos de 2022 venham muito coloridos e poéticos!

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