moisés mendes

Os criminosos estão bem vivos, General Mourão

O jornalismo foi provocado e deve uma resposta à afirmação do general Hamilton Mourão sobre os acusados de crimes na ditadura.

Mourão deu sua opinião, ao ser questionado sobre a recente divulgação de gravações com conversas de juízes do Tribunal Superior Militar, quando do julgamento de casos de tortura. O general afirmou, em tom de deboche:

– Apurar o quê? Os caras já morreram tudo, pô. Vai trazer os caras do túmulo?

Não morreram, não, general. Um dos que estão bem vivos é o então capitão, depois promovido até a coronel, que sobreviveu ao atentado que ele mesmo iria realizar no Rio Centro em 1981.

Esse oficial, que carregava a bomba com um sargento (que acabou morrendo no Puma), está muito vivo. O capitão era o motorista.

A imprensa terá de mostrar a Mourão que muitos dos acusados formalmente por mortes e crueldades na ditadura, principalmente torturadores, estão vivos e impunes.

Os chefes deles já morreram, porque escaparam sob a proteção da anistia ampla e irrestrita, mas os mandaletes, que eram mais jovens, estão vivos. O general Newton Cruz estava vivo até a semana passada.

O atentado do Rio Centro aconteceu dois anos depois da promulgação da anistia, porque muitos não concordavam com o perdão mútuo, e os que poderiam ter reagido camuflaram o ato terrorista.

O general Hamilton Mourão sabe que o capitão do Rio Centro, que foi promovido, ao invés de ser condenado, chama-se Wilson Dias Machado. Está vivíssimo e tem hoje 74 anos.

O general pode dizer, como todos os militares dizem, que as altas cortes brasileiras se negam a admitir que as atrocidades cometidas na ditadura são crimes puníveis contra a humanidade.

Pode dizer. Mas não significa que os crimes devam ser considerados prescritos na memória da sociedade e que não é possível continuar exigindo punição.

Todos os torturadores impunes serão lembrados como torturadores, vivos ou mortos.

Argentina e Uruguai há muito tempo revisaram esse entendimento de que criminosos das ditaduras podem ser perdoados e ficar impunes para sempre.

Na Argentina, há condenados do tempo da ditadura em prisão domiciliar com 98 anos, como é o caso do general Santiago Omar Riveros.

Na Argentina e no Uruguai, criminosos com mais de 80 anos continuam sendo procurados e encaminhados a julgamento.

Há muitos criminosos vivos, lá e cá. Mas na Argentina e no Uruguai eles não dormem em paz.

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