saúde

Os cigarros eletrônicos são tão nocivos quanto os convencionais?

No mercado, existem diversos produtos derivados de tabaco. Como por exemplo: cigarro, charuto, cachimbo, cigarro de palha, cigarrilha, tabaco para narguilé, fumo-de-rolo e outros. Um produto dessa família está fazendo sucesso entre os jovens: os cigarros eletrônicos. Apesar de não parecer, ele também é um derivado do tabaco. Portanto, também está ligado ao tabagismo.

O tabagismo é definido como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina presente nos produtos à base de tabaco. Além disso, é considerado a maior causa evitável isolada de mortes precoces em todo o mundo e está associado como fator de risco para o desenvolvimento de diversas outras doenças, como Diabetes Mellitus (DM), Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), doenças respiratórias e vários tipos de câncer. 

Os cigarros eletrônicos são considerados Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEF), que funcionam à base de uma bateria que aquece uma solução líquida, produzindo um aerossol que é inalado pelo usuário. Essa solução é composta principalmente por nicotina, propilinoglicol ou glicerol e aditivos de sabor. A depender da solução líquida, essas substâncias podem variar. Estes produtos possuem também substâncias cancerígenas e com potencial explosivo, metais pesados, além de produtos utilizados na indústria alimentícia.

Por outro lado, o cigarro tradicional possui um mecanismo diferente de funcionamento. Ele é um dos produtos que gera fumaça a partir da queima do tabaco. O uso do tabaco queimado é extremamente perigoso para a saúde humana, uma vez que essa fumaça gerada tem propriedades cancerígenas e capazes de causar danos aos tecidos dos órgãos do corpo humano, além de possuir elementos inflamatórios. Nos dispositivos eletrônicos, não acontece a queima do tabaco e, portanto, não é produzida uma fumaça, mas sim um vapor ou aerossol, que veremos que também é danoso à saúde

E já que os cigarros eletrônicos são derivados do tabaco, podemos sim dizer que eles são nocivos à saúde, diferentemente do que é pensado por grande parte dos usuários desses produtos. A grande diferença está na apresentação, já que os dispositivos eletrônicos para fumar apresentam sabores e aromas agradáveis, entrando aqui a diferença entre a fumaça e o vapor. Ambas as características acabam passando a ideia de que o produto é inofensivo, mas a realidade esconde diversos riscos para a saúde. 

A nicotina, princípio ativo do tabaco e que está presente em grande parte das soluções utilizadas nos DEFs, é caracterizada como uma droga psicoativa que pode causar dependência e apresentar danos pulmonares. A Organização Mundial de Saúde (OMS) salienta que todas as formas de tabaco são prejudiciais e não existe um nível seguro de exposição.

Cabe ressaltar que, mais recentemente, começou-se a descrever na literatura médica uma doença respiratória aguda caracterizada por uma série de sinais e sintomas relacionados ao uso de cigarros eletrônicos, denominada EVALI (do inglês E-cigarette or Vaping use-Associated Lung Injury). Ainda não se tem muitas informações claramente definidas sobre a doença, mas já foram publicados diversos relatos de casos com diferentes características, desde sintomas respiratórios leves até pneumotórax espontâneo, que seria uma presença de ar na membrana interna do tórax. 

Quando isso acontece, o ar que deveria estar dentro do pulmão “escapa”. O pneumotórax espontâneo significa dizer que a condição não tem causa aparente, ou seja,  acontece em pessoas sem doença pulmonar conhecida. Além disso, foram notificadas pneumonias, complicações inflamatórias graves com necessidade até mesmo de transplante e pneumonite hipersensível, uma síndrome que inclui tosse, falta de ar e fadiga (cansaço). 

Além disso, estudos vêm demonstrando que o uso do cigarro eletrônico aumenta em três vezes o risco de experimentação do cigarro convencional, além do aumento de quatro vezes para o risco de iniciação do comportamento de fumar, especialmente entre a população jovem. Isso sem falar que a comercialização, importação e propaganda de todos os tipos de dispositivos eletrônicos para fumar, incluindo cigarros eletrônicos, são proibidas no Brasil de acordo com a Resolução Colegiada da Anvisa (RDC) nº 46, de 28 de agosto de 2009.

O Ministério da Saúde disponibiliza ações de promoção à saúde com o intuito de reduzir a prevalência de fumantes e o consumo de tabaco. Uma das estratégias mais importantes é o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT). Por meio do PNCT, o SUS oferece tratamento integral a quem deseja parar de fumar.

Saiba onde é oferecido tratamento no seu município. Para informações mais detalhadas, consulte a coordenação de controle do tabagismo da sua secretaria estadual e/ou municipal de saúde.

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