política

O calote da CAB em Gravataí: o que Zaffa e a oposição fazem, e como pode acabar bem ou mal para os funcionários assalariados; A malandragem das empresas nas licitações

A CAB, que com cerca de 500 funcionários presta serviços desde a limpeza das UPAs até o cafezinho em Gravataí, está dando calote nos funcionários.

A polêmica que ganhou o Grande Tribunal das Redes Sociais na última semana revela muito sobre os contratos firmados por empresas com prefeituras.

Explico essa relação chata ao fim do artigo, porque priorizo, nas próximas linhas, o problema das pessoas sem salário. Considero, porém, injusto é fazer do prefeito Luiz Zaffalon (MDB) o vilão.

Não se trata de isentar Zaffa por dívidas de terceirizadas com salários, 13º, férias e FGTS.

Reputo transformá-lo no bandido do dia significa culpar a todos nós, porque foi eleito o ‘gerente’ da Prefeitura em 2020; e faz o certo, ao menos em relação à CAB!

Explico, clamando os fatos, aqueles chatos que atrapalham argumentos.

O contrato sempre foi pago em dia.

Apurei com o próprio Zaffa: tem sido pago adiantado.

– A nota do dia 31 de dezembro de 2021 já está paga, para dar um fôlego para uma empresa que trabalha com Gravataí, desde 2013, sem nenhum problema. Matar o patrão e rescindir o contrato é o pior dos mundos, porque mata o empregado. As pessoas assalariadas poderiam ficar sem emprego e, talvez, sem receber – explicou ao Seguinte:, ao meio dia desta sexta-feira, Zaffa, um ‘sincericída’, como sempre.

Na quarta-feira, testemunhei o prefeito, constrangido, explicar a mesma coisa quando funcionários protestavam em frente à Prefeitura e, em seu gabinete, assinava ao lado de diretores da Caixa Federal financiamento de R$ 50 milhões, o que o Seguintereportou em Gravataí terá 4 postos de saúde modelo e mais asfalto em 2022; Plano de Zaffa até 2024 vale mais de 100 prêmios do BBB em investimentos.

 

Assista à fala de Zaffa e, abaixo, sigo o texto

 

Logo depois, desceu do gabinete e foi conversar com as funcionárias que protestavam na praça. Explicou que a Prefeitura notificou a empresa por três vezes. E a promessa da CAB é sempre de pagar ‘amanhã’. Até agora há dívidas em salários de dezembro, 13º e falta de recolhimento de FGTS.

O representante da CAB, Vilmar Chagas, não atendeu ao Seguinte: até o fechamento deste artigo.

Os vereadores de oposição Anna Beatriz, Bombeiro Batista e Cláudio Ávila, todos do PSD, tem se dedicado a cobrar uma solução para os funcionários. Ávila, advogado, já acionou o Ministério Público do Trabalho.

Nenhum, ao menos até o momento, e nem Zaffa, tem como ‘plano A’ a rescisão com a CAB.

Poderia a Prefeitura denunciar o contrato agora e fazer uma concorrência emergencial.

Acontece que funcionários não teriam nenhuma garantia de recontratação pela empresa que assumisse os serviços.

Poderiam, inclusive, ter que acionar a Justiça do Trabalho e esperar por anos o recebimento do que deve a CAB. O ‘seguro’ que tem a Prefeitura sobre o contrato não é suficiente para pagar tantos funcionários.

Ao fim, chego à conclusão que prometi no início do artigo.

Nas licitações com prefeituras as empresas oferecem serviços abaixo até mesmo do custo que terão para a operação dos serviços. Apostam em escala, buscando equilibrar as contas ao ganhar concorrências em outros municípios.

Pelo que apurei, perder o contrato em Viamão criou um problema de caixa para a CAB. Que, em Gravataí, disputou o contrato preço a preço com uma empresa de Campo Bom.

Qual a culpa da Prefeitura de Gravataí? Nenhuma.

Se a empresa falir, sofrem, como sempre, os pequerruchos, os funcionários, sejam eles contratados por currículo ou QI, o ‘quem indica’, coisa natural em empresas que prestam serviços aos municípios e recebem indicações de políticos.

Poderia Zaffa fazer um aditivo no contrato, aumentando o repasse; que é o que apostam 11 a cada 10 empresas que prestam serviço aos governos.

Posso estar errado, mas entendo que Gravataí, que paga em dia, não precisa se submeter a isso. Não é daquelas prefeituras que dão calote e aumentam os valores dos repasses para que, ao menos, as empresas façam uma ‘poupança’ em precatórios para os netos dos donos receberem.

Talvez Zaffa até se convença a fazer um aditivo, se esquecer o poker face do empresário e não quiser ver demitidas mulheres que ganham salário mínimo e sustentam filhos e famílias.

Essa é a vida real.

Vilão não é.

Mas se não socorre a empresa, pode ser culpado pelos empregos perdidos. Se ajuda, pode ser o vilão que se associou a sacanagem das empresas que ganham licitações sem ter como prestar o serviço e esperam o ‘aditivo amigo’.

O ‘dono’ da CAB, mesmo que contem uma história triste, foi, se não irresponsável, incompetente.

Pagar os funcionários é sagrado, ensinou-me sempre o Roberto Gomes de Gomes, fundador do Correio de Gravataí e do Seguinte:, que nunca atrasou salários e já vendeu até carro para pagar o mês.

Fato é que Zaffa, o contratante, com 57.659 votos, tem uma CAB para resolver, tenha culpa ou não.

 

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