política

’Espero alternativa para não dar subsídio’ para Sogil, diz Zaffa; Davi, Herodes Antipas e o cheque em branco

O prefeito Luiz Zaffalon me enviou mensagem após ler o artigo Governo Zaffa vai apresentar novo subsídio ao transporte coletivo em Gravataí; A Bombonera e a ’pauta-bomba da Sogil’ 2.2., que publiquei ontem no Seguinte:.

– Estudando e esperando alguém que nos traga uma solução que possa absorver o déficit, baixar a passagem, melhorar o sistema todo e sem nenhum centavo de dinheiro público.

É isso.

O óbvio.

O melhor dos mundos que, infelizmente, não existe.

Conclui o artigo de ontem assim: “Ao fim, logo estaciona no legislativo a ‘pauta-bomba’ do subsídio. É ‘3,2,1…’ para oposição criticar Zaffa por “dar mais dinheiro para a Sogil”. Com certeza, sem as restrições da pandemia e com alentaço no Grande Tribunal das Redes Sociais, a Câmara vai virar uma Bombonera na votação. Reputo é um debate inevitável. É muito pedir responsabilidade e alternativas de favoráveis ou contrários, tirando os mágicos e demagogos da sala?”.

Zaffa se associa ao desafio.

Como manter funcionando um sistema em colapso – o aumento nos combustíveis já chega a 73% em 2021 – sem explodir o preço das passagens, hoje congeladas em R$ 4,80, e que, sem o subsídio de R$ 5 milhões liberado neste ano, chegaria a R$ 7,20?

É confortável criticar sem apresentar alternativas. É do jogo político, seja o lado que for da ferradura ideológica sentado na cadeira principal do segundo andar do palacinho ocre da Av. José Loureiro da Silva, ou sentando o dedo no teclado no Grande Tribunal das Redes Sociais.

É o que chamo de ‘doce sabor de ser oposição’.

Já vi – e reportei inúmeras vezes – muitos que hoje estão no governo ou na oposição experimentarem o sabor.

Só que, sem subsídio, o empregado e o empregador terão que pagar mais pela tarifa. É a ‘ideologia dos números’. Não há como quebrar o contrato com a Sogil sem a Prefeitura pagar uma indenização que multiplica o dinheiro liberado para equilíbrio financeiro.

Impopular, não caça-cliques apenas ódio, mas é a realidade que se impõe.

A ‘pauta-bomba’ já provoca uma crise no governo.

Apurei que pegou mal o secretário da Fazenda Davi Severgnini ter cometido o mesmo sincericídio característico ao seu chefe Zaffa ao confirmar, em pergunta do vereador da base de governo Paulo Silveira (PSB), a inevitabilidade de recursos para um novo subsídio constar no Orçamento de 2022 que vai para Câmara em 15 de novembro.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que o secretário foi detalhar ontem no legislativo no Fórum do Orçamento, prevê R$ 8 milhões como orçamento total para os transportes e mobilidade no ano que vem. O valor de um novo aporte ainda segue em estudo, como o próprio prefeito confirmou.

Com a possibilidade de ser ‘subsídio zero’, se alguém bancar o desafio feito pelo prefeito na abertura deste artigo e apresentar alguma alternativa que não penalize o pobre – que é quem usa ônibus diariamente para trabalhar.

– Querem a cabeça do Davi – conta um político, mantendo suspense sobre quem são os Herodes Antipas.

Um absurdo, porque a decapitação política aconteceria por Davi ter usado da transparência – ou, expressão que criei para este governo, sincericídio – ao confirmar um debate que, reforço, é inevitável.

Ou seria melhor aparecer um novo aporte no apagar das luzes da Câmara, para a oposição postar um meme de Zaffa com um gorro de Papai Noel da Sogil?

Discordo ideologicamente de muito do que pensa Davi; e principalmente de sua avaliação positiva do anacrônico ministro da Economia Paulo ‘liberalismo anos 70’ Guedes. Mas o secretário sempre fez sua parte, respeitando ‘checks and balances’, como fala André ‘dono do Brasil’ Esteves, do banco Pactual, o ‘Sistema de Freios e Contrapesos’, lá de Montesquieu.

Seu pragmatismo implacável de responsável por cuidar das colunas de despesa e receita nunca se insubordinou à alma necessária para fazer política.

Dou um exemplo.

Para Davi, o Ipag Saúde, ‘plano de saúde’ dos servidores, teria sido extinto. O então prefeito Marco Alba (MDB) disse não. E achou uma saída alternativa, habilmente negociada com os servidores pagando mais, mas mantendo a assistência que em uma série de atendimentos não perde para uma Unimed.

Davi aceitou.

Assim como a progressão de níveis para os professores, e o piso do magistério, que fará com que o reajuste de 10% em janeiro passe dos 30% para muitos educadores; e, na segunda maior rede de ensino do RS depois da capital Porto Alegre, a folha já consuma, a partir de 22, mais da metade da receita.

Ao fim, não é fofoca, é informação: há críticas internas ao ‘poder’ de Davi. Mas, fato é que, além de seus resultados, um defensor de qualidade – e temido por seu preparo e coragem – o secretário tem na Câmara: na sessão do Fórum do Orçamento o vereador Dilamar Soares (PDT), independente, mas que já tuitei ser “não o líder do governo, mas o líder do prefeito Zaffa na Câmara”, saudou-o assim:

– Confio tanto que assino um cheque em branco e entrego na mão do Davi.

 

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