cultura

Do Zé Louco à Sônia Zanchetta: Museu de Rua da Cultura espalha arte pela cidade

O “Zé Louco”, o Calçadão, a SEC, o Carnaval, a Sônia Zanchetta. Estes são alguns dos ícones retratados pelos artistas selecionados para o projeto Museu de Rua da Cultural, que contou com apoio do FUCCA 2021. Através de cartazes do tipo “lambe-lambe”, diferentes recortes da história são mostrados em dez pontos do município. Cada uma das obras traz uma representação diferente, a partir do olhar de um artista.

Segundo o proponente, Luiz Felipe Schulte Quevedo, a ideia é privilegiar as Artes Visuais, já que são pouco exploradas e incentivadas na cidade.

– Não há galerias ou museus, nem existe um público formado. Por isso, contemplamos esta categoria e procuramos incentivar artistas iniciantes. Também pensamos na sacada dos lambe-lambes, devido ao custo ser mais baixo – explicou.

O lambe-lambe é um pôster artístico de tamanho variado que é colado em espaços públicos, podendo ser pintado individualmente com tinta látex, spray ou guache. 

As artes podem ser conferidas no Facebook (https://www.facebook.com/MuseuRua) e no Instagram (https://www.instagram.com/museu.de.rua/).

Conheça um pouco de cada um dos murais

Mural 1 – “Cachaça Não!” Zé Louco, do artista Cris Castro:  José Antônio Dias da Costa, conhecido popularmente como Zé Louco, faz parte da história das ruas deste município. Viveu em situação de rua e era conhecido pelo seu bom humor e o cuidado com seus cães. Natural de Santo Antônio da Patrulha, teve meningite durante os oito meses de vida e viveu com algumas sequelas da doença. No dia 03 de maio de 2018 faleceu e o município decretou 3 dias de luto oficial. As trajetórias individuais das pessoas fazem parte da história dos territórios, sendo assim, são muitas as pessoas que fazem parte da história do município de Cachoeirinha. No entanto, escolhemos a figura do Zé Louco, buscando além de valorizar sua trajetória individual, reconhecer as trajetórias de todos aqueles e aquelas que hoje vivem em situação de rua aqui em Cachoeirinha e que diariamente sofrem um processo de invisibilização. Assim, buscamos fomentar a reflexão acerca do cuidado coletivo, da luta antimanicomial e das diversas realidades sociais.
 

Mural 2 – Pulguinha, da artista Dandara Cruz: Cachoeirinhenses que viveram suas juventudes nas décadas de 50, 60 e 70, principalmente, tinham poucas atrações culturais na cidade. Alguns clubes já existiam, é verdade, mas o primeiro cinema da cidade foi um marco para essa geração – que, em boa parte, nem televisão tinham em suas casas. Neste contexto, o Cine Danúbio Azul, também chamado de Pulguinha, ganha relevância histórica para a cultura do município. Foi um espaço central de consumo de cultura nacional e internacional, além de ter sido um ponto de encontro para conversas, relacionamentos, amizades e até troca de gibis. Anualmente, o Pulguinha registrava cerca de sete mil espectadores e realizava cerca de 80 sessões. O cinema se consolidou por décadas como referência em encontros e entretenimento na cidade.

Mural 3 – Rock, da artista Faby Dornelles: Foi na cidade de Cachoeirinha que grandes nomes do rock gaúcho saíram. E o rock sempre foi não só um estilo musical, mas foi também um estilo de vida para muitos Cachoeirenses. Foi cultura no passado,e ainda é. E é por isso que o rock é monumento histórico do Museu de Rua da cultura de Cachoeirinha. 

Mural 4 – Calçadão, do artista Gerpes Jeison: O calçadão, localizado na rua ao lado da galeria mais importante do município, também faz parte da história da nossa Cachoeirinha, e principalmente das nossas vidas, memórias e histórias. Ocupar espaços públicos da cidade com cultura é simbólico e democrático, pois permite o amplo acesso de todas as pessoas. Assim era o Calçadão, que durante muitos anos foi um dos pontos de encontro mais vibrantes da cidade: eventos oficiais, junções ocasionais, jogos da dupla grenal, são muitas e diversas as atividades que aconteciam por lá. Escolhemos dar visibilidade ao já inexistente Calçadão como forma de gerar a reflexão e o incentivo para que novos espaços públicos sejam ocupados na cidade para atividades culturais e de entretenimento. 

Mural 5 – Carnaval, da artista Lais R.C.: O carnaval possui uma inestimável importância cultural, em Cachoeirinha também tivemos épocas em que a festa era celebrada com muitos moradores da cidade. Assim como no resto do mundo, o Carnaval tem uma importância enorme, cultural e social, tanto pelo aspecto artístico das pessoas que usufruem das festividades, quanto para comunidade que, em torno do projeto, tem um espaço de coletividade, troca e geração de renda. Foram diferentes formatos ao longo do tempo, sendo eles: carros alegóricos, desfiles, blocos e festas na SEC e no Veranópolis. 

Mural 6 – A SEC, da artista Luiza Zmuda: A Sociedade Esportiva Cachoeirinha (SEC) é um dos espaços mais emblemáticos e importantes da história de Cachoeirinha. Fundada em 1952, marcou época e a vida de milhares de pessoas: dos seus associados à população de Cachoeirinha em geral. A SEC era palco de festas e competições tradicionais, espaço de lazer e natação, grupos de teatro e esportivos dos mais variados tipos: bocha, bolão, patinação, ping pong, kung fu, judô, voleibol, futebol, entre outros. Mais de 5 mil pessoas chegaram a ser associadas, tendo acesso a espaços como piscina, quadras, áreas abertas e churrasqueiras. Artistas como Renato Russo, Gretchen, TNT, Replicantes e Engenheiros do Hawaii se apresentaram lá. Espaço de eventos sociais e culturais que marcaram época, foi palco do tradicional Baile do Chopp e outras importantes festividades como concursos de beleza, rainha da piscina, carnaval, Baile do Branco, Na ponta da Antena e o Bloco Eles e Elas. 

Mural 7 – ‘’Os livros têm de circular’’ Sônia Zanchetta, do artista Márcio Rampi: A Sônia é produtora cultural, jornalista, integrou a comissão executiva da feira do livro de Porto Alegre desde 1997 e atualmente é presidenta do Instituto Cultura e Social Ágora, entidade sem fins econômicos fundada em 13 de junho de 2020, no município de Cachoeirinha, no qual realiza diversos atividades sociais e culturais. Escolhemos a figura da Sônia Zanchetta buscando representar as moradoras e moradores deste município que organizam e fomentam espaços de cultura, acolhimento, reflexões e solidariedade. 

Mural 8 – "Salve o Mato", do artista Rafael Coelho: a obra  apresenta e homenageia o Mato do Júlio, mas principalmente alerta para a necessidade de sua preservação. O espaço conta com quase 300 hectares de mata atlântica, nascentes, arroio, açude e animais das mais diferentes espécies, algumas inclusive ameaçadas de extinção. Também se destaca pelo seu potencial arqueológico, com a Casa dos Baptistas, construída há dois séculos. 

Mural 9 – Dique e Rio Gravataí, do artista Róbson Machado: A bacia hidrográfica do rio Gravataí, localizada na Região Hidrográfica da bacia do Guaíba, possui área de 2.015 km² e boa parte dela está localizada aqui na nossa cidade. O objetivo dessa temática é buscar valorizar este espaço, reconhecendo sua importância histórica, cultural e ambiental. Há muita vida ali, não há só um legado ambiental e cultural, há também sonhos, memórias e diversas possibilidades. Na memória daqueles/as que vivenciaram o rio há anos atrás encontramos a alegria e a tristeza nos relatos. A alegria foi relatada na lembrança de um rio não poluído, onde as pessoas inclusive nadavam e tomavam banho na ‘’prainha’’. Na tristeza, percebemos o olhar triste de quem volta no tempo ao se recordar em como eram profundas aquelas águas e o quanto as enchentes traziam o caos. O nível da água do Rio Gravataí avançava até as casas, pois subia muito em épocas de enchente, o que causava muitos alagamentos para quem morava por perto. Diante desse contexto, o dique foi construído com o intuito de evitar que as grandes enchentes tomassem os lares ao redor do rio Gravataí. 

Mural 10 – Juventude, da artista Venise Borges: A juventude é símbolo e protagonista das iniciativas de intervenções urbanas, ocupações de espaços públicos e promoção da arte, cultura, lazer e esporte. Uma cidade viva e pujante se faz respeitando e dando condições às suas juventudes de se apropriarem da cidade. Na última década (2010-2020), Cachoeirinha viu nascer diversos movimentos culturais e sociais promovidos e idealizados por seus jovens: União dos Skatistas de Cachoeirinha (USC), as Ocupações Secundaristas de 2016 e o Coletivo Conexões são apenas alguns desses exemplos. Todos com impacto significativo na cidade e representativos a seus públicos. Esta obra é uma homenagem a todas e todos jovens da cidade, e também uma forma de mostrar que a juventude é sim agente de transformação social e criadora de cultura.

FUCCA

: O Fundo da Cultura de Cachoeirinha (FUCCA) é uma iniciativa do município de Cachoeirinha, através da Secretaria de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo, de fomentar setores da cultura da cidade por meio do financiamento de projetos selecionados via edital.

Este ano, foram dez projetos, que receberam o valor de R$ 10 mil cada um, para executar sua ação cultural no município até o prazo de 31 de dezembro.

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