política

Demissão de secretário faz vereador entregar cargos no governo Zaffa

A exoneração de Paulo Moreira da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Bem Estar Animal (SEMA) está fazendo com que o governo Luiz Zaffalon (MDB) perca um vereador em sua base na Câmara de Gravataí.

A demissão de Paulinho ainda não foi publicada no Diário Oficial, mas o Seguinte: teve acesso a uma mensagem de despedida do secretário.

O pedido para sua substituição foi feito pelo presidente municipal Luis Stumpf, que também é secretário da Família, Cidadania e Assistência Social, após decisão da direção municipal, que tem maioria ligada ao também vereador Paulo Silveira.

Descontente, o vereador Carlos Fonseca, que indicou Paulinho, entregou seus CCs.

– Ainda não saiu a exoneração, mas fizemos o pedido ao prefeito. É uma decisão de partido – confirma Luisão, que despista sobre a possível dissidência de Fonseca.

– Participamos da coligação que elegeu o governo e se o vereador tentar um caminho diferente, como todo filiado, estará submetido ao estatuto partidário – alerta.

Fonseca não retornou o contato do Seguinte:.

– Estás bem informado – confirmou, porém, fonte próxima a ele.

A crise envolvendo a SEMA tem outro capítulo. Ex-vice-prefeito cassado ao lado da prefeita Rita Sanco (PT) no golpeachment de 2011, Cristiano Kingeski teria sido indicado para assumir como secretário, mas teve o nome vetado, supostamente por integrantes da base do governo.

O veto tem tamanho de crise porque Kingeski é hoje vice-presidente municipal do PSB.

A perda de Fonseca, e como Zaffa vai administrar a crise, acende um alerta no governo. Com sete assinaturas é possível abrir CPIs. A oposição tem hoje Anna Beatriz da Silva, Bombeiro Batista e Cláudio Ávila, do PSD, Thiago De Leon (PDT), Fernando Deadpool (União Brasil) e Clebes Mendes (MDB). Se Fonseca aderir aos oposicionistas, já seriam 7 votos.

Uma ruptura com o PSB como partido também faria Paulo Silveira ser uma potencial assinatura.

Ao fim, são coisas da política. Mesmo com contas em dia, R$ 50 milhões de financiamento, capacidade de contrair pelo menos 10 vezes mais, e fazendo obras, Zaffa precisa ser hábil para lidar com a política.

Assim como nosso presidencialismo, nosso ‘prefeitismo’ depende de maiorias nos parlamentos.

Fato é que, mesmo que com a saída de Carlos Fonseca ainda mantenha uma confortável maioria de 14 em 21 vereadores, o que garante inclusive aprovação de contas, o prefeito experimenta sua primeira crise política.

Em maio de 2020, quando Zaffa ainda não tinha sido confirmado oficialmente como candidato à sucessão de Marco Alba, citei texto de Millôr ao escrever sobre a necessidade de Zaffa adaptar-se ao ‘ser político’, em Zaffa saiu da Havan como candidato a prefeito de Gravataí.

Ser político é engolir sapo e não ter indigestão, respirar o ar do executivo e não sentir a execução, é acreditar no diálogo em que o poder fala e ele escuta, é ser ao mesmo tempo um ímã e um calidoscópio de boatos, é aprender a sofrer humilhações todos os dias, em pequenas doses, até ficar completamente imune à ofensa global, é esvaziar a tragédia atual com uma demagogia repetida de tragédia antiga, é ver o que não existe e olhar, sem ver, a miséria existente, é não ter religião e por isso mesmo cortejar a todas, é, no meio da mais degradante desonra, encontrar sempre uma saída honrosa, é nunca pisar nos amigos sem pedir desculpas, é correr logo pra bilheteria quando alguém grita que o circo pega fogo, é rir do sem-graça encontrando no antiespírito o supremo deleite desde que seu portador seja bem alto, é flexionar a espinha, a vocação e a alma em longas prostrações ante o poder como preparação do dia de exercê-lo, é recompor com estoicismo indignidades passadas projetando pra história uma biografia no mínimo improvável, é almoçar quatro vezes e jantar umas seis pra resolver definitivamente o problema da nossa subnutrição endêmica, é tentar nobremente a redistribuição dos bens sociais, começando, é natural, por acumulá-los, pois não se pode distribuir o pão disperso, e é ser probo seguindo autocritério. E assim, por conhecer profundamente a causa pública e a natureza humana, estar sempre pronto a usufruir diariamente do gozo de pequenas provações e a sofrer na própria pele insuportáveis vantagens.

 

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