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Confirmado: GM vai parar em Gravataí; Custa 5 reais por minuto

A General Motors de Gravataí anunciou ‘férias coletivas’ entre 21 de fevereiro e 20 de março. No Grande Tribunal das Redes Sociais alguns julgaram fake news meu artigo Por que a GM de Gravataí pode parar em 2022; Perdas na pandemia somaram 50 milhões, publicado pelo Seguinte: dia 16 de janeiro. Reputo acertei, apesar da montadora não detalhar os motivos.

O comunicado aos funcionários foi confirmado ontem pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí, Valcir Ascari, e em nota onde a empresa informa uma “parada técnica para atualizações na linha de produção”.

Na nota, assim como na paralisação por 10 dias em dezembro, a empresa não fala sobre a falta de peças. Fato é que, em 2021, a fábrica gravataiense restou parada por cinco meses por falta de insumos. Um problema mundial, consequência da pandemia. A produção retornou em agosto, mas ainda sem um dos turnos.

Sigo no mesmo alerta.

Não é terrorismo midiático.

Explico mais uma vez.

Se em 2020 as paradas aconteceram devido às restrições sanitárias da pandemia, o motivo pela montadora ter produzido menos em 2021 foi a falta de peças. Em especial, semicondutores, cuja escassez também já paralisou indústrias de veículos da Chevrolet em outros países. São os mesmos usados em chips para aparelhos de celular, por exemplo.

No artigo que referi, adverti: “… A política de ‘covid zero’ da China pode forçar a General Motors a fechar em Gravataí, e no Brasil…”.

Marta Sfredo, principal colunista de economia de GZH, também postou: “… o que estava desenhado como o principal risco para 2022 do Eurasia Group começa a se materializar: com a disseminação da variante ômicron pela China, o governo do país insiste na política ‘covid zero’ e volta a impor lockdows em cidades afetadas…”.

A jornalista citava relatório do Banco Original que informou que empresas como Samsung, Volkswagen e fornecedoras de marcas como Nike e Adidas já enfrentavam impactos na cadeia.

Também de acordo com a instituição financeira, a Toyota já tinha paralisado operações fabris em Tianjin, cidade que é um centro industrial responsável por 1,7% das exportações chinesas.

Ainda segundo cálculos do Original, o atraso de uma semana no comércio essencial no porto de Ningbo, a cerca de 1,1 mil quilômetros ao sul de Tianjin, já afetava operações estimadas em US$ 4 bilhões, incluindo a exportação de US$ 236 milhões em placas de circuitos integrados.

– A escassez desses semicondutores travou a produção de vários segmentos ao redor do mundo, especialmente da indústria automobilística – concluiu ela, sem citar a General Motors, o que fiz no artigo anterior, e faço novamente.

A conta da tragédia, como reportei no ano passado em Os milhões que Gravataí já perdeu com a GM parada; Aguente firme, Dominic!, é de que a pandemia tenha provocado perdas de pelo menos R$ 50 milhões em impostos que retornariam em 2022 aos cofres da Prefeitura.

Em uma média, o complexo automotivo que tem 5 mil funcionários, incluindo as 18 empresas sistemistas, ficou completamente parado por 10 meses entre 2020 e 2022. São cinco reais perdidos por minuto; R$ 5 milhões a cada mês.

Essa redução na produção corresponde a 40% dos R$ 200 milhões recebidos de todos os impostos recolhidos pelo município.

A parada de 2021 também fez com que o Onix, produzido em Gravataí, perdesse para o Fiat Strada a liderança de vendas que comemorava desde 2015. O Onix também perdeu a liderança no ranking sem veículos maiores, como picapes, para o HB20, da Hyundai.

São perdas que se somam aos impactos do dinheiro a menor circulando na economia local.

Ao fim, como tudo é gigante quando se trata, para o bem ou para o mal, dos impactos da relação GM-Gravataí, o momento é de apreensão.

A volta do segundo turno da GM no segundo semestre de 2021, com produção recorde, indicava a salvação das perdas. Uma nova parada em 2022 liga o pisca-alerta, mesmo para a Gravataí que “tem dinheiro”, como o prefeito Luiz Zaffalon (MDB) disse em janeiro na entrevista Um ano de governo, 1h com Zaffa: balanço e perspectivas; Covid, Rio, investimentos, Zaffari, pauta-bomba da Sogil e outras polêmicas.

Não vou neste artigo analisar o alerta do pinote da Ford, que anunciou em janeiro deste ano que vai encerrar a produção de veículos no país; e nem evocar uma antiga polêmica gaúcha entre os diferentes lados da ferradura ideológica.

A General Motors é uma bênção para Gravataí e, com a 'GMdependência', seria uma catástrofe desistir do Brasil, como já tratei em artigos como A GM vai embora de Gravataí; O ’Tchau, Ford!’ e nós e Se ou quando a GM for embora de Gravataí; o cavalo e o burro em 2024.

No artigo Por que a GM de Gravataí pode parar em 2022; Perdas na pandemia somaram 50 milhões, na primeira quinzena de janeiro, conclui: “… São os fatos, aqueles chatos que atrapalham argumentos: ainda devido à pandemia, a GM corre sim risco de parar novamente em 2022, mesmo que até puteiro reste aberto…”.

Agora, neste fevereiro, a própria empresa confirma.

Com a – mais ou menos – imprevisibilidade da pandemia, seguimos como aquela personagem do Millôr que se jogou do décimo andar e, ao passar pelo oitavo, constatou: “até aqui tudo bem”; e, ao chegar ao segundo andar, refletiu: “bem, se eu não me machuquei até aqui não é neste pedacinho à toa que vou me arrebentar”.

 

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