coluna da sônia

Diário de Bordo – Estados Unidos, últimos dias

É bem mais barato ver parte de Chicago do 98º andar de um dos edifícios mais altos da cidade, pagando o preço de uma sobremesa, que do mirante que há dois andares abaixo. Mesmo que seja da janela do banheiro feminino.

Depois da despedida do meu filho Bruno, em San Francisco, minha amiga Tuca e eu chegamos, afinal, a Chicago, onde nos esperavam seu filho Paulinho e sua nora Emily, que, como ela, vivem no Equador.

Por lá, ficamos todos hospedados em um lugar super acolhedor, o Quilombo Cultural Center, a casa-academia do contramestre de capoeira Angola Beto de Freitas e de sua esposa Huu Nguyen, que, além de ser instrutora de capoeira, é uma ativista social incansável.

No dia seguinte, ciceroneados pelo Beto, fomos conhecer o Centro de Chicago, dominado por arranha-céus descomunais, onde funcionam as sedes de vários fundos financeiros multinacionais.

Por lá, visitamos o impressionante Millennium Park, com suas esculturas interativas e o Jay Pritzker Pavillion, concha acústica construída com os mais modernos critérios da engenharia acústica, para ser a sede da Orquestra Sinfônica do Grande Park, que estava ensaiando no momento em que chegamos. 

Também fomos ao John Hancock Center, um dos edifícios mais altos da cidade, em cujo 96º andar há um observatório. Mas, seguindo a dica do Beto, optamos por comer uma sobremesa no bar do 98º andar, com o que gastamos muito menos e pudemos, ainda, apreciar a cidade do ponto em que, de acordo com ele, havia a melhor vista da cidade: a janela do banheiro feminino. 

Um turista que for apenas ao Centro de Chigago ficará com a impressão de que se trata de uma cidade riquíssima, mas tivemos a oportunidade de circular por outros bairros em que os problemas são visíveis, e Beto nos contou que o estado de Illinois está afundado em uma crise financeira sem precedentes, sobretudo em função do déficit previdenciário.  

Apesar de que fizemos parte do percurso de carro e outra, de metrô, caminhamos 10 km durante esse passeio, mas valeu a pena. 

Chicago é a terceira mais populosa cidade dos Estados Unidos. De acordo com o censo de 2010, 32,9% de seus habitantes são negros e 28,9%, hispânicos, sem contar a forte presença de imigrantes asiáticos e de outras origens. A criminalidade, a pobreza, a discriminação racial e a desigualdade socioeconômica, além do fato de a cidade ser considerada a mais corrupta do País, levaram à eleição da prefeita Lori Lightfoot, uma promotora federal negra e gay que nunca havia se envolvido com política.

Entre seus desafios está o de promover a qualificação das escolas públicas, sobretudo as que funcionam nos bairros populares, pois, em 2018, quase a metade delas obteve resultados abaixo do esperado, de acordo com avaliações realizadas pelo governo.

Ontem, saímos de casa caminhando por uma ciclovia elevada que liga vários bairros ao centro de Chicago e fomos até Logan Square, onde nos encantamos com as ruas arborizadas e a variada arquitetura das casas rodeadas de jardins, muitas delas com cercas e grades, ao contrário do que vimos em San Francisco, onde a falta de segurança não é um problema grave.

Também percorremos a North Milwaukee Avenue, a principal via comercial do bairro, que tem lojas de todos os tipos, além de restaurantes, cafés e muitos ateliês de arte. E terminamos, com fizemos muitas vezes nesta viagem, em um restaurante mexicano.

De noite, Beto preparou uma deliciosa moqueca de peixe para todos nós e, hoje, como eu tinha de estar às 12h, no Aeroporto, para voltar ao Brasil, a Huu nos levou para comprar uns presentinhos e nos convidou para tomar chá do Nepal em uma casa especializada.

Espero poder receber essa família, algum dia, aqui em casa. 

Que gente mais querida!

E assim foi minha primeira viagem aos Estados Unidos.

Voltarei lá? Quem sabe?

 

Um pouco do passeio, em imagens!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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