coluna da sônia

Diário de bordo – Estados Unidos – 6º dia

Nas feiras conhecidas como mercado de pulgas fica muito claro o quanto os Estados Unidos ainda tem a caminhar na área da inclusão social.    

Em toda parte, aqui em São Francisco, há ativistas sociais tratando de conscientizar a cidadania a respeito dos direitos civis. E não poderia ser diferente no Red Market, uma feira indígena que visitamos hoje de manhã.

Na Califórnia, o governo americano e os colonos brancos cometeram um verdadeiro genocídio, no século XIX, contra a população indígena. Em 1846, antes de começar a Corrida do Ouro, 150.000 indígenas habitavam a região; em 1873, 30.000 e, em 1880, apena 16.277. 

Aldeias inteiras foram massacradas, várias culturas desapareceram, e as reservas indígenas foram significativamente reduzidas, além de empurradas para áreas mais áridas.

Em 1924, o Congresso concedeu aos indígenas a cidadania norte-americana, mas grande parte deles vivem marginalizados e 25% em situação de extrema pobreza. Não é o caso das tribos que obtiveram autorização para explorar cassinos em suas terras.

Em 1988, foi promulgada, no Brasil, a Constituição Cidadã, que reconheceu os direitos dos povos indígenas e deu origem à política de demarcação de terras. Enquanto isso, o Congresso Americano, em vez de lhes ceder terras, aprovou o Indian Gaming Regulatory Act e, atualmente, já existem 294 cassinos operando em reservas de 28 estados americanos.

No Red Market, um ativista nos contou que a organização a que pertence luta, sobretudo, para que os indígenas tenham um tratamento igualitário por parte da Justiça e do Sistema Prisional.

Pela tarde, fomos a um mercado de pulgas imenso, frequentado basicamente por migrantes. Por lá, havia, além de ferramentas, roupas, móveis e outros produtos novos e usados, muitos postos de comidas típicas, e aproveitamos para provar as pupusas, tortilhas típicas de El Salvador. Nessas feiras, fica muito claro o quanto este país ainda tem a caminhar na área da inclusão social.    

Os ideais de igualdade declarados pela Constituição dos Estados Unidos estão muito longe de ser uma realidade mesmo depois de décadas de ativismo pelos direitos civis. É difícil aceitar que, em um dos países mais ricos do mundo, 43% dos habitantes são pobres ou vivem com renda insuficiente para pagar suas contas básicas. 

Hoje cedo, na fila do banheiro de uma filial do Café Starbucks, assistimos a uma cena triste. Havia alguém, lá dentro, que estava demorando a sair, e um homem que estava por ali deduziu: “Só pode ser um sem-teto!”, e se pôs a bater na porta. Em seguida, saiu um afro-americano com um monte de sacolas e, visivelmente constrangido, pediu desculpas a todos. Pela demora e porque deixou o piso do banheiro molhado, imagino que estava se asseando.

Para finalizar o dia, tentamos, pela segunda vez, fotografar a Golden Gate, mas, de novo, estava totalmente encoberta pela cerração. Amanhã, vamos voltar lá, pois meu filho Bruno não se conforma de que partamos de San Francisco sem apreciar devidamente seu principal cartão-postal.

 

Mercado de pulgas tem de tudo: ferramentas, roupas, móveis, produtos novos e usados, além de comidas típicas

 

 

Home less, ou os sem-teto, vivem como podem. Em treilers que estacionam onde podem ou em barracas 

 

 

 

 

 

 

 

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