a coluna do silvio

E se a pandemia não for mais embora?

No início dessa pandemia houve uma grande desinformação e até mesmo desinteresse pela epidemia, que tomava proporções pandêmicas, sem que o Brasil tomasse providências mais sérias. 

Enquanto professor lembro de reuniões onde se questionava se ficaríamos mais de um mês no sistema online, e eu já comentava que deveríamos nos preparar para que isto se seguisse assim no ano todo. Não que realmente eu acreditasse que chegaríamos ao fim do ano ainda convivendo com ela, mas muito mais por entender que melhor estar preparado para o pior cenário e não ter de utilizá-lo do que chegar ao pior cenário sem ter pensado no que fazer. Algumas pessoas contiveram o riso e acharam que eu estava brincando. Próximo ao final deste ano letivo, dei minha opinião de que possivelmente não iniciaremos o ano letivo de 2021 no modo presencial, e apesar de agora não acharem mais graça destas minhas palavras, recebi muitas contestações de que a vacina já está aí, que uma vez vacinado não tem porque "não retornar". Alguns costumam me confundir com um pessimista, no entanto o otimismo inveterado não permite que as pessoas vejam com clareza o cenário como um todo. Primeiro que o vírus não respeita data de calendário, então não é porque virou 2021 que tudo terá chegado ao fim, depois que nenhuma vacina foi testada em todas as suas possibilidades, já que existe uma urgência mundial que está fazendo com que se pule certos processos que deveriam passar. E finalmente, nada nos diz que o vírus não sofrerá uma mutação, deixando a vacina desenvolvida inócua para esta nova situação. Esperamos que não, claro, e que no ano que vem tudo seja resolvido o mais breve possível. No entanto, gosto de fazer alguns exercícios mentais, acerca de situações potenciais, para saber como eu poderei reagir e estar preparado muito antes de quem fica apenas "mergulhado na positividade", mas sem tomar ações efetivas. E se essa situação se postergar por "alguns" anos? Você já pensou nisso? 

O livro "Inferno" de Dan Brown, que li há cerca de seis anos, me impressionou muito com a riqueza de dados e fatos que abordavam as razões do personagem Bertrand Zobrist para querer eliminar boa parte da população a fim de que o resto do planeta pudesse continuar a viver. E dentro deste universo ficcional ele coloca informações reais acerca do crescimento populacional versus a capacidade de produção de alimentos, mostrando que de tempos em tempos o planeta passa por um momento de redução natural ou produzida (guerras/peste negra…) e o antagonista do livro está prestes a disseminar um poderoso patógeno que fará esta ação de eliminar um grande número de pessoas. Não há como evitar traçar um comparativo com a situação que estamos vivendo atualmente pois apesar da constante minimização dos efeitos e uso de eufemismos para tratar da continuidade desta pandemia, mais de um milhão e meio de pessoas já morreram vítimas do COVID-19. Recentemente a Europa vem aventando a possibilidade de uma mutação, de uma segunda onda e situações que recolocam a pandemia novamente em curva crescente. Não seria nenhuma loucura imaginar que por conta de uma possível alteração novos estudos tenham de ser realizados, o isolamento deve ser mantido, e os cuidados precisam seguir. E se esta for a situação para os próximos 5 ou 10 anos? Qual seria seu plano B ou C. O que você faria? 

Como professor eu estaria fadado a seguir as cansativas aulas online, e só quem é professor que está seguindo os mesmos horários e disciplinas do presencial para saber o que estou dizendo, temos trabalhado facilmente o dobro, se não mais, para dar conta de tudo isto. Ergonomicamente estou em frangalhos devido a tanto tempo sentado na frente do computador, acabei com uma cadeira (literalmente), acabei com um celular (bateria viciou de tanto ficar ligado para servir como câmera), acabei com um computador, e são desgastes que eu não deveria ter se estivesse trabalhando no presencial, mas ainda assim sou um privilegiado, pois o trabalho segue. 

Como pai vi minha filha passar com notas altíssimas, que só não foram maiores do que a honestidade dela em me dizer que nem fazia ideia como ganhou notas tão altas em algumas disciplinas, que alguns professores davam nota como se distribui água na plantação. O ano é perdido para muitos alunos que não buscaram conhecimento, e os que buscaram não tiveram a mesma qualidade do presencial. E os próximos? Perder um ano é trágico, mas perder 2… 5??? O ensino precisa mudar mais ainda, mas mais que isso os pais precisam entender que os filhos não tem maturidade para uma disciplina de estudos, e não estão fisicamente na escola para que os professores possam ajudar nessa parte, que eles precisam ser atuantes quanto a isto em casa. No entanto o que vimos este ano foi algo diametralmente oposto, com muitos pais preocupados com que o filho passe, e não que aprenda, acham que se passar a borracha na nota baixa e mudar para alta, automaticamente significa dizer que o conhecimento está dentro da cabeça dos filhos, mas isto não é verdade.

Se esta pandemia realmente prosseguir, você está preparado para encontrar sua forma de trabalho? Muitas empresas estão apenas queimando gorduras acumuladas, vendendo equipamentos, tudo para sobreviver o suficiente até passar este momento, mas e se o momento não passar? E se esta é a situação daqui para frente. Eu sei, não precisa dizer, isto não é o mais provável, mas as pessoas preferem apostar no otimismo do que se preparar para uma realidade que possibilidades de acontecer. Não estou dizendo para colocar em prática ações visando uma situação de pandemia contínua, mas de pensar, de planejar, de encontrar alternativas, para não talvez nem usar, mas se precisar, você já vai ter pensado nisso. Avalie seus gastos, reveja seus planos, verifique seus aprendizados e cogite essa situação perdurar mais 5 anos, você sobreviverá financeiramente? 

E então, você vai ser o que vai rir deste texto hoje, ou o que vai estar preparado para o futuro seja ele o que vier?

Pense nisso…

 

 

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