moisés mendes

O nosso mundinho continuará bipolar

Com o coquetel molotov de Mamãe Falei completando a implosão de Sergio Moro, e com Ciro Gomes achando que o Brasil pode ser uma Ucrânia e eleger um humorista, não resta quase mais nada a esperar até a eleição.

Até a Otan sabe que é Lula contra Bolsonaro. O resto fica por conta do imponderável, que no Brasil tem outro sentido. Há três personagens na fila com chances de cumprir a tarefa de oferecer algumas surpresas.

Dois são candidatos a candidato a vice e o outro é candidato a salvar a terceira via. Se Braga Netto entrar na chapa de Bolsonaro, como Putin deve ter recomendado, teremos muito mais do que um substituto de Hamilton Mourão.

Mourão nunca foi da turma de Bolsonaro, tanto que o sujeito nem sabia seu nome. Na campanha, chamava o vice de Augusto Mourão, como se passasse displicência e sugerisse que nem conhecia o parceiro.

O general tentou, por obediência devida, ser o capataz da Amazônia, foi vencido pelos grileiros e ladrões de madeira e há muito tempo está fora da cozinha do Planalto, onde entrou poucas vezes para pegar água quente para o chimarrão.

Com Braga Netto é diferente. Bolsonaro puxa os militares para o protagonismo eleitoral de um jeito que não tem volta. 

Braga Netto vai levar junto para o que der e vier as estruturas de poder que ajuda a controlar, com 7 mil fardados dentro do governo. O vice será, como Mourão não chegou a ser, a presença afirmativa das Forças Armadas. 

Se a opção de Bolsonaro for pela avacalhação das eleições ou pela simulação de um golpe, já com Lula eleito, Braga Netto terá como ficar de fora?

Se Bolsonaro decidir fazer o que Putin disse que faça (duvidam que tenha dito?), para que vá até o fim, porque o mundo será dos déspotas liderados por Moscou, Braga Netto não será um apêndice militar do tenente, será parte do imbróglio criado, com desfecho imprevisível.

O outro personagem que pode trazer surpresa para o cenário que estaria hoje como imutável é Eduardo Leite. Mas é confusa a situação do quase ex-tucano.

Leite foi bolsonarista em 2018, depois deixou de ser e hoje não sabe direito o que é, até porque nunca se arrependeu. É um belo exemplar neoliberal, mas isso não significa nada.

Quando Bolsonaro começou a sabotar o isolamento e as vacinas, o governador gaúcho adotou atitudes elogiáveis pró-contenção da pandemia, mas ao mesmo tempo permitiu que as unidades de saúde do Estado distribuíssem cloroquina à vontade. Por medo de Bolsonaro.

Agora, se submeteu às pressões da extrema direita e decretou que o uso de máscaras nas escolas do Rio Grande do Sul seria facultativo. Uma ordem da Justiça o derrotou e determinou que máscara é proteção obrigatória.

Leite vacila em todas as áreas, uma hora com máscara, outra hora desmascarado. Sua mais recente indecisão é se sai ou não sai do PSDB para ser candidato do PSD a presidente para salvar a terceira via.

Mais um vacilo é se, não indo para o PSD e ficando no próprio ninho, deve ou não concorrer à reeleição, apesar de já ter anunciado várias vezes que nunca disputaria de novo o governo do Estado.

A notícia do início da semana é esta. Leite, o indeciso, deve anunciar sua decisão, se vai para os braços de Kassab, daqui a uma semana.

E, por fim, o movimento mais importante, nesse ambiente interno embaçado pela guerra de Putin, é o que deve confirmar Geraldo Alckmin, dentro do PSB, como candidato a vice de Lula.

A partir da confirmação de Alckmin, teremos os efeitos esperados no espírito do eleitor de esquerda e nas pesquisas e  também na artilharia da extrema direita.  

A base mais contestadora e purista do lulismo deve se recolher, e o contingente à espera de Alckmin será naturalmente mobilizado. 

Com Moro destroçado, com Ciro Gomes trepado naquele morro na propaganda da TV e com Doria sem chance de ressurreição, mesmo que com uma quinta dose, vamos para o que interessa. 

A guerra aqui é Lula x Bolsonaro. O nosso mundinho continuará bipolar.

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