a coluna da jeane

Use a máscara!

“AM vai transferir pacientes a outros estados e decretar toque de recolher.”

“Com baixa oferta de oxigênio, médicos dizem ter que escolher quem terá assistência em Manaus”

“Oxigênio acaba em hospitais de Manaus; pesquisador diz que leitos viraram câmara de asfixia

“Consumo de oxigênio em Manaus está seis vezes maior por conta de surto da Covid, diz empresa fornecedora”

Todas essas manchetes são de quarta-feira. É um cenário assustador.

O pais já registra mais de 200.000 mortos, sendo 1.151 óbitos nas 24 horas que antecedem o dia em que escrevi essa coluna.

Gravataí tem 279.398 habitantes. Ou seja, o número de mortos no Brasil está perto da população total da nossa cidade (e no ritmo em que vem crescendo, vai passar).

E muita gente ainda não acredita que a situação é grave. Parece que junto à pandemia de Covid-19, nosso país vive uma epidemia de alienação e insensibilidade. Não pode ser normal acreditar que toda essa tragédia é “invenção da mídia”.

Não consigo entender quem acha natural tomar sorvete na rua em plena pandemia. Ou quem anda com a máscara na mão e só coloca quando entra num estabelecimento porque é obrigado.

“Ain, mas é ruim de respirar…”. Mas é melhor do que um respirador enfiado na garganta, né? E se usar máscara fosse tão horrível, como sobreviveria o pessoal que trabalha em cirurgias, laboratórios e outras atividades onde a proteção é necessária?

Essa gente tinha que experimentar uma máscara daquelas pesadas, para gases tóxicos… Sou do tempo do curso de Análises Químicas no Dom Feliciano (pois é, sou formada como Auxiliar de Laboratório), e usei essa máscara numa aula. Não lembro qual foi o produto que exigiu que eu usasse essa proteção, porque faz mais de 20 anos!

Mas ainda recordo do quanto me senti sufocada e do alívio quando saí do laboratório e pude tirar aquele negócio da cara. Uma máscara de pano não é nada perto daquela coisa.

Tá, andar com um pano na cara é um pouco incômodo, ainda mais nesses dias de calor infernal que andamos enfrentando. Mas é um “mal” necessário, para proteção de si e dos outros. Claro que respirar sem máscara é melhor. Assim como transar sem camisinha é melhor. Mas em ambos os casos, não usar é burrice.

Realmente estou sem paciência com quem ainda minimiza o coronavírus. Já perdi amigos, meus sobrinhos perderam a avó materna, uma grande amiga da minha mãe viu os netos perderem o pai… Se você não conhece nenhuma vítima da Covid-19, não significa que a doença não exista. Achar que é exagero é no mínimo falta de respeito com o sofrimento alheio.

Faz quase um ano que voltei para Gravataí e ainda não pude encontrar direito com muita gente. Não pude visitar minhas amigas e conversar direito. Não pude ver minha madrinha. A saudade que sinto de abraçar as pessoas é muita!

O peito aperta quando penso na minha vó. Desde 14 de março só a vemos por fotos e vídeos. Ela é acamada e se alimenta por sonda há alguns anos, precisa de cuidados especiais, por isso mora numa clínica. A gente não sabe se ela ainda nos reconhece, porque não fala mais. Mas naqueles olhos lindos a gente via que ela ficava feliz com os carinhos e beijinhos.

Às vezes a vó está com uma cara mais desanimada na foto, e eu penso que ela está com saudade de nós, embora não dê para saber se ela tem consciência de alguma coisa. Minha mãe também está com o coração apertado com essa distância. Como a gente quer poder fazer um carinho na vó!

E tem o Gael, quem nem completou dois meses de vida ainda. Só segurei ele no colo uma vez até agora, porque saio mais para a rua e fico com medo de passar alguma coisa para o pequeno, que ainda tem um sistema imunológico muito frágil.

Não consigo entender queM vive como se a ameaça não existisse. Inclusive acho que falhamos como sociedade, porque tem muita gente que não se importa com o bem coletivo. O egoísmo cresce igual mato… como aquele inço que cresce entre as plantas e você passa trabalho para dar conta de arrancar, antes que as ervas daninhas sufoquem a plantação.

Talvez por essa percepção é que está difícil comemorar a chegada da vacina em breve. Vacina é um pacto coletivo, só dá certo se a maioria fizer sua parte. Ver tanta gente duvidando da eficácia e se orgulhando de dizer que não vai tomar… é desanimador.

Dados mais recentes já somam 8.326.115 casos de Covid-19 no país. Se isso não é suficiente para sensibilizar sobre a importância da vacina, não sei o que mais pode conseguir despertar um resquício de consciência nos negacionistas.

Pessoas estão morrendo porque falta oxigênio para a demanda de pacientes. Em Manaus, segundo a empresa fornecedora, a demanda de oxigênio aumentou em cinco vezes nos últimos 15 dias. Hoje, a necessidade tem sido de 70 mil m³ por dia. É quase o triplo da capacidade de produção da unidade da White Martins em Manaus, que é de 25 mil metros cúbicos por dia.

É uma situação apavorante.

Em Gravataí, a situação é menos grave, mas o hospital está lotado.

Devemos torcer para que a vacina evite um cenário ainda pior.

E usar máscara. Sair só quando necessário.

Use máscara!

(E use direito, o nariz tem que ficar dentro dela)

Use máscara!

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