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Aluno de Gravataí com síndrome de Asperg vai cursar faculdade na Ufrgs

Eduardo (de branco, ao centro) com a mãe, padrasto e irmãos: família feliz com a vaga obtida para o curso de Administração na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. FOTO | PMG

O último ano do Ensino Médio é de expectativa para muitos estudantes. Uma época de Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), vestibulares e muitas horas debruçado sobre os livros. Foi o caso de Eduardo Lampert, 18 anos, de Gravataí.

O aluno – que tem Síndrome de Asperger – concluiu o Ensino Médio na Escola Municipal de Ensino Médio Santa Rita de Cássia, mantida pela Prefeitura de Gravataí, e vai cursar Administração na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).

Ele foi aprovado na terceira colocação e ingressará na federal por meio das cotas para candidatos com deficiência. Sobre a Santa Rita de Cássia, a escola mantém atendimento especializado às crianças e adolescentes que têm necessidade específica, como Eduardo.

Desde a terça-feira da semana passada (28/1), quando foram liberados os resultados do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a família de Eduardo é só alegria. A mãe, Tatiana Lampert, contou que esperou chegar em casa para avisar que eles já podiam conferir as notas.

— Eu estava no serviço quando fiquei sabendo que a gente já podia saber do resultado. Cheguei em casa e perguntei se o Dudu (apelido do filho) tinha verificado. Ele disse que não e eu pedi para ele ligar o computador e entrar no site. Quando olhei para tela só consegui ler o “Parabéns” e “selecionado”, depois foi só festa” — conta Tatiana.

Rindo, ela lembrou que o filho foi carregado pelo padrasto, Marcelo, e os três irmãos, Henrique, Renato e Marcelo, para dentro da piscina em comemoração à vaga na universidade.

 

Esportes eletrônicos

 

Eduardo, que foi efetivado como funcionário de uma empresa em dezembro, ainda está se acostumando com a nova realidade. Agora que sabe do resultado, faz planos para o futuro, como cursar uma especialização em esportes eletrônicos.

— Foi uma surpresa ter passado na Ufrgs. O primeiro dia do Enem foi tranquilo. O segundo foi complicado, achei que tinha ido mal, que tinha tirado zero — diz ele.

 

Papel da escola

 

A conquista da vaga na universidade é uma soma de diversos esforços. A dedicação do aluno, o apoio da família e o ensino da escola. Estudante da Santa Rita de Cássia, Eduardo recebeu o suporte necessário enquanto estava no Ensino Médio.

A instituição, referência no ensino de pessoas com necessidades específicas, foi uma peça importante na caminhada de Eduardo. O padrasto, Marcelo, elogiou a equipe que trabalha na escola.

— Todos no Santa Rita foram muito receptivos e atenciosos. A integração que os professores promovem é excelente. Eles são muito atenciosos — elogia.

Renato, um dos irmãos de Eduardo, ressaltou que a instituição é referência no atendimento aos alunos com necessidades específicas. Ele lembra que o educandário dispõe de tutores de Libras, auxiliares e psicopedagogos, sendo uma escola “realmente inclusiva”.

A mãe confirmou o bom trabalho e contou que essa atenção rendeu bons frutos. Ela diz que a escola é “boa e eficiente”

— O Eduardo cursou os segundo e terceiro anos do Ensino Médio ali. No terceiro, ganhou uma bolsa pré-Enem e pré-Ufrgs por estar entre os quatro melhores da escola.

A diretora Kátia de Bem, da Escola Santa Rita, ressaltou a importância da equipe que trabalha no educandário e como esse investimento na educação dá bons resultados.

— Nós ficamos muito felizes com essa notícia. Os professores e toda a equipe fazem parte desta conquista. Estamos sempre buscando fazer o melhor.

 

A FRASE

 

— O Eduardo sempre foi bastante comprometido, estudioso e responsável. Em nenhum momento suas necessidades afetaram o seu desempenho, ele só tinha notão. Ele é um aluno que gostaríamos que os outros fossem igual.

Kátia de Bem
Diretora da Escola Municipal Santa Rita

Para Saber

 

1

A Escola Municipal de Ensino Médio Santa Rita de Cássia conta com 12 profissionais direcionados à Educação Especial.

 

2

São monitores, agentes de apoio, mais três intérpretes de Libras, um professor responsável pelo atendimento individualizado, transporte especial e formações dedicadas a esses alunos.

 

— Essa vitória na vida do Eduardo é um reflexo do investimento que o município faz na educação. O Santa Rita de Cássia é uma escola que tem história e o Eduardo é mais um capítulo dessa linda trajetória. Ficamos muito felizes com essa conquista e desejamos a ele todo o sucesso nesta nova etapa da vida.

Sônia Oliveira
Secretária Municipal de Educação

 

Fim do Ensino Médio

 

1

Votado em 2015, o Plano Municipal de Educação (PME) prevê o fechamento da oferta do Ensino Médio pelo município até o ano de 2024.

 

2

A diretriz foi construída e elaborada por todos os segmentos da comunidade escolar, como Conselho Municipal de Educação, Sindicato dos Professores e Secretaria Municipal de Educação (Smed).

 

3

A Prefeitura está trabalhando para que a mudança ocorra de forma gradual, para não prejudicar os alunos que já estão matriculados no ensino médio.

 

4

Apesar de ser responsabilidade do Estado, a Prefeitura segue investindo no Ensino Médio da Escola Santa Rita de Cássia até a data prevista no PME, 2024.

 

5

De acordo com a diretora da escola, em 2020 foram matriculadas apenas duas turmas no primeiro ano do Ensino Médio. A escola é referência em educação inclusiva, oportunidade que o Estado não oferece.

 

6

Para não prejudicar os alunos da região, a Escola Estadual Frantz Machado Charão, que fica ao lado da Santa Rita, desde 2019 passou a ofertar o Ensino Médio.

 

7

A secretária Sônia Oliveira reforçou que a decisão não foi tomada sem um planejamento. O município ampliou as vagas de Ensino Fundamental para receber os alunos da Frantz Charão.

 

8

Ela garante que os alunos não precisarão ir para outras comunidades. A medida também atende à demanda reprimida da Educação Infantil. De 2013 até o ano passado o município dobrou o número de vagas, de 3.266 para 6.862.

 

Síndrome de Asperger

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a síndrome faz parte do Transtorno de Espectro Autista (TEA).

Algumas das características de quem vive com a síndrome é a dificuldade no convívio social e na comunicação, além de interesses restritos e comportamentos repetitivos.

Ela não afeta o aprendizado e nem a prática de outras atividades, mas pode causar isolamento e situações de comportamentos agressivos em determinadas fases da vida.

 

 

 

 

 

 

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