Novo governo

CANOAS | Três desafios e uma dúvida para o novo governo Jairo Jorge

Prefeito eleito não terá só missões fáceis na agenda a partir de 1º de janeiro. Foto: Divulgação

Pandemia com menos grana em caixa, transporte público e reforma previdenciária desafiam a próxima gestão em Canoas

O governo só inicia de fato em 1º de janeiro, mas Jairo Jorge (PSD) e seu recém-anunciado secretariado já puseram na agenda uma série de ações para cumprir nos primeiros 100 dias de governo. Três deles, no entanto, vão exigir mais do que metas, esforço e compromisso da nova gestão.

 

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1.
Enfrentar a pandemia com grana curta

Em pouco mais de nove meses desde a confirmação da primeira morte por Covid-19 em Canoas, com distanciamento controlado e uso de máscara todos os dias, o povo cansou. O vírus, porém, não. A tendência de que os casos de infecção pelo novo coronavírus cresçam nas primeiras semanas após as festas de Natal e Ano Novo se confirma nos números de hoje: 100% das UTIs dedicadas aos pacientes com Covid-19 estão ocupadas; 84% das demais UTIs também. Se há leitos, eventualmente faltam profissionais da saúde – eles cansados também e mais sujeitos ao vírus do que nós, cuja obrigação de usar a máscara e manter-se à distância, para alguns, parece impossível.

A economia da cidade também sofre. Pequenos e médios lojistas, donos de espaços de lazer, todos aqueles que dependiam da circulação irrestrita das pessoas, agora vivem a duras penas.

E os cofres públicos? Estimativa otimista prevê queda de 20% na arrecadação de 2020 para 2021. Este ano, já entraram menos R$ 150 milhões nos cofres da Prefeitura de Canoas e repare que tivemos aporte de recursos federais, especialmente os destinados à Saúde. Ano que vem, tudo isso é incerto.

Este cenário, realista e nada inventado, é o que o novo secretário da Saúde, Maicon Barros Lemos, vai encarar a partir de 1º de janeiro. Ele e toda a equipe de governo, claro, porque ninguém vai superar a pandemia sozinho, como se herói fosse. Os desafios, na Saúde, serão o de manter a capacidade hospitalar em pé caso a demanda cresça – e tende a crescer -, ampliar a testagem e preparar a cidade para a vacinação.

Não tenho mais dúvida, a vacina virá – não só porque o prefeito eleito prometeu, mas porque é exigência dos nossos tempos. Só não será tão rápida nem tão simples como todos gostaríamos que fosse. Não há dinheiro para todas as demandas e, portanto, haverá a escolha de prioridades.

 

2.
Transporte público

O segundo desafio urgente que repousará sobre a mesa do prefeito eleito Jairo Jorge é o transporte público da cidade. Não há como adiar uma solução. Ele e o novo secretário de Transporte, José Francisco Nunes, terão de enfrentar uma concessão com modelo típico dos anos 70, uma tarifa alta e um serviço de baixa eficiência, que sofre com a concorrência de aplicativos simplesmente porque os aplicativos fazem melhor o serviço do que a empresa de transporte coletivo. Se num passe de mágica resolvêssemos a pandemia hoje, não teríamos retomada porque a cidade estaria sem ônibus para levar todos ao seu destino.

Jairo sabe e deveríamos saber também que a Sogal não tem culpa de tudo nesse processo. O modelo de concessão não é adequado aos nossos dias e necessidades. A gestão da empresa tem todo o jeito de um negócio familiar e não do profissionalismo que se exige em um cidade como Canoas. Além disso, a Sogal nem sempre é transparente: como concessionária pública, era dever da empresa prestar contas de ações e decisões tomadas, mas na hora da crise, poucos ou nenhum rosto aparece.

O desafio, aqui, será manter as condições de circulação das pessoas – especialmente em um quadro de retomada da economia, volta do emprego e das aulas.

 

3.
Reforma da Previdência

Pouco se falou ao longo de toda a campanha na necessária reforma do sistema de previdência municipal. Segundo o atual secretário da Fazenda, João Portella, o déficit previdenciário para 2021 bate na casa dos R$ 250 milhões – grana que, se nada for feito, sairá dos cofres do município para o cobrir o passivo do CanoasPrev – a partir de janeiro, sob o comando de Valter Nagelstein.

Servidores públicos, hoje, por força de lei, pagam 14% de contribuição para a aposentadoria. A Prefefeitura complementa a alíquota. Como o salário e as vantagens crescem ao longo dos anos e a expectativa de vida também, o fundo necessário para arcar com as despesas do pagamento dos aposentados, no futuro, não caberá na arrecadação do instituto.

Qualquer solução necessariamente vai impactar no bolso ou na aposentadoria do funcionalismo. O desafio do governo, aqui, será o de negociar. Jairo ainda não abriu os planos para a reforma da previdência, mas deu uma dica em recente conversa com o blog: será uma 'reforma possível', sem castigo e, portanto, suportável a todos.

A dúvida

Finalizando esta longa análise, a dúvida que resta é onde o novo governo acredita que seja possível cortar gastos e custos para fazer frente às exigências de um ano novo que herda problemas do velho. Jairo terá pela frente um 2021 com um orçamento de 2014. Os efeitos positivos da retomada, se ela vier, sabemos, são lentos. 

Tudo isso deixa a cidade bastante curiosa sobre a capacidade dos novos gestores municipais em trazer soluções criativas, inovadoras e eficientes para a cidade. Com orçamento curto, a margem de erro é curta também. Jairo tem crédito político com a cidade, mas sabe que a boa vontade do povo e a compreensão da comunidade precisa ser alimentada com o empenho de cada secretário, cada assessor e cada servidor envolvido nas necessárias soluções. 

2021 não será um ano para amadores.

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