Doses de esperança

CANOAS | Se vacinas compradas pelo município forem da Pfeizer, ’superfreezer’ está garantido

Prefeito tenta a compra de imunizantes com recursos próprios para acelerar ritmo da vacinação em Canoas. Foto: Guilherme Klamt

Jairo Jorge já conversou com reitor da UFRGS que disse ao prefeito ter condições de armazenar 4,5 milhões de doses no campus

Enquanto busca condições de manter o atendimento hospitalar apesar da ocupação no limite, a Prefeitura de Canoas investe em outra frente para enfrentar a pandemia do novo coronavírus: a compra da vacinas com recursos próprios. Na sexta-feira, 26, o prefeito Jairo Jorge (PSD) confirmou ao blog que o governo trabalha com duas hipóteses para aquisição: o consórcio metropolitano, através da Granpal, e outro, relativamente mais fácil, com a Frente Nacional dos Prefeitos.

Explico.

A Granpal havia negociado em dezembro e janeiro com o Instituto Butantã, ainda antes da aprovação de uso emergencial da CoronaVac, a vacina produzida em São Paulo com insumos vindos da China. O Butantã, no entanto, tem um contrato de fornecimento com o Ministério da Saúde que permite ao órgão federal a requisão total da produção para distribuição atráves do Plano Nacional de Imunizações, o PNI. É o PNI que tem garantido as primeiras remessas de vacinas para os Estados e municípios – mas a velocidade das entregas não garante um ritmo de avanço significativo à vacinação.

 

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Com a formação de maioria do Supremo Tribunal Federal há uma semana em torno da tese de que os demais entes federados podem abrir seus próprios programas de aquisão de imizantes se o Ministério da Saúde não estiver dando conta da tarefa, o Governo do Estado – e a Frente Nacional dos Prefeitos – foram às compras. Ambos abriram negociação com o laboratório americano Pfeizer, que ofereceu em janeiro pelo menos 100 milhões doses ao governo federal.

Brasília, no entanto recusou.

Não foi só o negacionismo latente no centro do governo federal, no entanto, que atrapalhou a compra. A vacina da Pfeizer requer a guarda em temperaturas extremamente baixas – entre -80 e -60 graus. Isso dificultaria o transporte e o armazenamento do imunizante em um país tropical, como o Brasil.

O problema, no entanto, está resolvido – caso Canoas opte pela aquisição junto à Pfeizer. "Conversei com o reitor na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Carlos Bulhões, e eles tem condições de armazenar as doses da vacina por lá", conta Jairo. "O superfreezer da UFRGS pode guardar até 4,5 milhões de doses da vacina na temperatura adequada".

Essa alternativa amplia a possibilidade de compra do imunizante americano, produzido no Brasil em parceria com o laboratório Biontech. A vacina da Pfeizer é administrada da mesma forma do que a Coronavac, em duas doses de 0,3 ml em intervalo não superior a 21 dias. A Pfeizer garante produzir pelo menos 2 bilhões de doses de sua vacina em 2021 ao redor do mundo.

Recentemente, o FDA – a Anvisa norte-americana – autorizou o laboratórios a transportar e armazenar sua vacina em temperaturas convencionais por um período de tempo não superior a duas semanas – o que ameniza a necessidade de superfreezeres para guarda da vacina.

Segundo o prefeito, as negociações tanto com a Frente dos Prefeitos quanto com a Granpal devem seguir no mês de março para um acerto em abril e as primeiras entregas em maio ou junho. "Precisamos ver os movimentos da União também, avançar com segurança", avalia. Para Jairo, o importante é que o passo seja dado. "Para vacinarmos toda a população de Canoas, acredito que fosse gasto uns R$ 40 milhões. Não é um absurdo diante da possibilidade de retomada mais rápida da economia e da vida das pessoas".

Embora não descarte novas compras, nesse primeiro momento Canoas deve adquirir 200 mil doses de vacinas, suficientes para aplicação de duas doses em 100 mil canoenses. 

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