opinião

Zaffalon não sabe mentir; os gestores de 1,99

O repórter me perguntou e fui respondendo. Não sei mentir…

Assim Luiz Zaffalon (MDB) compartilhou em seu perfil no Facebook a entrevista que deu a L. Pimentel, publicada pelo Jornal de Gravataí e que você lê clicando aqui.

É, até o momento, na minha avaliação, a melhor entrevista de um prefeiturável, na série produzida pelo diário. Não enrolou e, como é de sua característica, não mandou recados. Também não se escondeu atrás do muro em platitudes que evitariam se tornar alvo – de fogo inimigo, mas também amigo.

Como no artigo Zaffalon volta ao governo de Gravataí; é nome para prefeito em 2020, publicado pelo Seguinte: em janeiro, quando teve o nome projetado pela primeira vez ao retornar ao governo após um ano cuidando de seus negócios e viajando de moto pelo mundo, Zaffa não mentiu: ele quer ser candidato a prefeito.

E, pelo tamanho que tem e a parceria histórica com Marco Alba, na Corsan, no governo Yeda Crusius, na Assembleia Legislativa, e nos nove anos de governos do MDB em Gravataí, foi além de elogios à gestão do prefeito ou críticas à oposição, e falou também sobre o que faria diferente.

Ao responder se está preparado para governar Gravataí, Zaffalon diz que foi “o primeiro a chegar e tomar conta da situação horrível que o município estava” e “sob o comando de Acimar e Marco participei ou comandei cada mudança que implantamos”.

– Ou seja, em matéria de gerir o município sou casca grossa. Não tem área em que não gerenciei um, dois, vários projetos – concluiu.

Zaffalon realmente foi um dos primeiros a subir até o segundo andar do palacinho ocre da José Loureiro após a cassação da prefeita Rita Sanco no golpeachment de outubro de 2011, ao lado do interino Nadir Rocha (MDB).

Entre o mandato tampão de Acimar da Silva, em 2012, e o primeiro governo Marco Alba (2013-2016), cunhei a expressão ‘gerentão do governo’.

Durante a eleição suplementar de 2017, quando Nadir foi novamente o ‘camerlengo da sé vacante’, assumindo a prefeitura entre janeiro e a posse de Marco reeleito em abril, Zaffa, como revelei à época no artigo Zaffa com tinta de prefeito na caneta, respondia, pelo menos administrativamente, como prefeito.

Na entrevista ao JG, Zaffalon se apresenta como “um dos poucos com bagagem” para “saber e dar continuidade a obra do Marco”.

– Junto dele fiz uma administração como nunca tinha sido feita nesta cidade. Nenhum governo recente do Rio Grande do Sul entregou tanto a sua população – diz, elogiando os “vários e bons” outros candidatos do MDB, mas acrescentando “como nenhum outro” saber “todos os caminhos e fórmulas para continuar e melhorar essa obra magnífica do Marco”.

Se for o escolhido, Zaffa diz que pesará seu currículo, não a amizade:

– Felizmente para Gravataí o Marco é pragmático nestas questões. O interesse da cidade vem antes da amizade.

Mas faz um adendo:

– Agora, o conhecimento profundo da administração, estar sempre ao lado do Marco e a seriedade e dedicação à causa Gravataí deverá somar pontos.

Respondendo sobre o que diria para o eleitor ao pedir o voto, Zaffalon apelou para a comparação de currículos:

– Olhem e leiam meu currículo. E vejam que sempre fui realizador e de pouca conversa. Olhem a cidade e vejam o que aconteceu com uma gestão séria. Grandes empreendimentos e realizações nos últimos nove anos em Gravataí, e muitos tem minhas digitais.

E segue:

– Vejam o que o Marco fez e verão que eu estava lá com ele sempre, sem nenhuma mácula ou escândalo. Procurem uma notícia de jornal sobre uma falcatrua em nosso governo e não irão encontrar. São nove anos limpos. Essa obra vai continuar.

Para ilustrar o que gostaria de fazer diferente, Zaffa lançou a expressão “prefeiturar”, que para ele significa aproximar a população das decisões. Por meios digitais, principalmente. Nada a ver com o Orçamento Participativo, alvo de críticas suas pelo “assembleísmo barato e enganador”, onde “apenas o discurso ficava e de prático nada”.

– O OP deixou um legado de 660 obras de papel. É um estelionato clássico do assembleísmo – diz.

Inegável que Zaffalon aposta numa boa avaliação do governo e procura se apresentar como gestor experiente:

– Tenho nome limpo, nenhuma mácula em 47 anos de vida profissional e experiência em comandar times, com pés no chão, responsabilidade fiscal e nenhum rompante, nenhum desvio daquilo que somos e fomos pelos últimos nove anos.

Como exemplo, Zaffa diz na entrevista que “não pode ser prefeito quem nunca geriu uma loja de 1,99”.

Ao fiz, Luiz Zaffalon está na briga. Não vai ser abatido como um transeunte inadvertido. Bom gestor ele é. Bom vendedor de seu currículo, também comprova na entrevista. Para ser o candidato, é com Marco Alba, o partido e outros políticos envolvidos. E, para ser prefeito, é o voto do eleitor que decide. Uma experiência que Zaffa ainda não tem. Arrisco que a avaliação de se é bom ou ruim já ter experimentado as urnas parece decisiva na escolha de Marco.

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