política

Vereador de Gravataí doar salário é bom para escolas e ruim para política

Na foto, esquerda para direita: Thiago De Leon, diretora do Polivalente Andrea Reus e presidente do Conselho de Pais e Mestres Antônio Marcos

O vereador Thiago De Leon (PDT) doar parte do salário é bom para as escolas públicas de Gravataí, não para a política. Não é crítica pela crítica. É fato. Ou nunca passou pela sua timeline, no Grande Tribunal das Redes Sociais, uma petição para políticos receberem salário mínimo ou nada?

No fim de agosto o parlamentar, cumprindo promessa de campanha, doou metade do líquido de seu salário bruto de R$ 10 mil para a Adelaide Pinto De Lima Linck, o Polivalente, sétima escola pública a receber dinheiro do jovem professor, que também visita pelo menos um colégio por semana para verificar como tem sido a volta às aulas presenciais.

Por meio de um formulário, consultando a comunidade escolar, a direção escolheu usar o dinheiro para reformar o banheiro masculino.

Nos 8 meses de seu primeiro mandato Thiago já doou R$ 25.246,55 às escolas da cidade.

Reputo não ser papel de vereador fazer doações, mesmo que para instituições públicas (o que desconfigura compra de votos). Fiscalizar e legislar é a obrigação, o que, registre-se, Thiago também faz – e bem para um estreante de 26 anos.

Mas eliminar a remuneração dos políticos, ou exigir pela pressão na campanha que doem parte dos vencimentos, afasta da política quem não tem condições financeiras de se manter sem o salário.

Uma política só das elites não faz bem à democracia.

Pior: pode fazer com que o político pague de bonzinho doando de um lado e, de outro, morda os assessores na rachadinha de salário que, conforme o ministro do STF Alexandre de Moraes, é crime com enriquecimento ilícito e danos ao erário – o que configura ‘ficha suja’ e, em caso de condenação, inelegibilidade por 5 anos.

Parênteses: não há nenhum relato ou indício de que Thiago esteja envolvido nisso; e nem é seu perfil, arrisco ser fiador. Investigados até hoje foram outros. Nenhum processado ou condenado.

Ao fim, se aplaudo Thiago por doar parte do salário para escolas públicas, em vez de comprar uniformes para clubes de futebol ou distribuir dinheiro para eleitores, também critico por, no que considero o mundo ideal, colaborar com o Zeitgeist, o espírito do nosso tempo, que não permite aos políticos nada além da presunção de culpa.

Thiago pode doar e sobreviver bem. Assim como o vice-prefeito e médico Dr. Levi (Republicanos), que repassa todo seu salário para o Banco de Alimentos. Os dois moram na Paragem Verdes Campos, um dos condomínios nobres de Gravataí.

Não é justo exigir o mesmo de um político da periferia.

É um erro que boas ações como a de Thiago e Levi induzem o eleitor.

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