opinião

Sobre comemorar morte e decapitação; sogra boa é sogra morta?

Sequestro do ônibus da linha 174 ocorreu em 12 de junho de 2000

Não consigo aceitar a comemoração de uma morte, seja de quem for. E, lamentavelmente, a timeline de meu perfil profissional no Facebook, com milhares de moradores de Gravataí e Cachoeirinha, goza em aplausos à morte de Willian Augusto da Silva, atingido por um sniper da Polícia Militar ao sequestrar um ônibus e manter 37 reféns na manhã desta terça na ponte Rio-Niterói!

Não tenho informações suficientes para avaliar a ação policial, mas sim para alertar para o alto risco de danos colaterais. Pelo que, até agora, li, ouvi, vi e revi em vídeo, o jovem de 20 anos não tinha antecedentes criminais, estaria em surto psicótico e foi baleado quando parecia se render, ao jogar uma bolsa com líquidos inflamáveis, porém, com a mão por cima, portando na cintura uma pistola – que depois se verificou ser de brinquedo.

Impossível não lembrar o sequestro do ônibus da linha 174, em 2000, também no Rio, e que virou até filme. Naquele episódio, o sniper falhou. A refém foi atingida no queixo pelo policial e Sandro Barbosa Nascimento, o sequestrador que tinha como histórico ter sobrevivido à chacina da Candelária e, aos 8 anos, testemunhado o assassinato da mãe, instantaneamente disparou três tiros pelas costas que levaram Geisa Firmo Gonçalves à morte.

Nem peço o esforço cristão, hoje em moda só no discurso e em posts fake, não na prática, de se colocar no lugar da família de quem morre, ou de estudar as circunstâncias que levam alguém ao crime, a esmagadora maioria daquela carne preta que Elza Soares cantava ser “a mais barata do mercado”. Já serve o exercício de se imaginar, ou imaginar a mãe, o pai, o amor ou filhos dentro do ônibus, potenciais alvos de balas perdidas.

Melhor seria não saudar vidas perdidas.

Pessoas públicas postando considero ainda pior, porque incita em mim a suspeita de que usam o medo e a raiva das pessoas, em meio a todo esse obscurantismo, para atrair simpatias – e votos.

Simbolizo meu lamento no post do vereador Paulinho da Farmácia, o genérico, de Cachoeirinha, que digitou palminhas e uma saudação à “baita ação” do Bope por ter “finalizado” o “bandido”.

Segunda já tinha lido comentário de assessor do vereador de Gravataí Alex Peixe em post que noticiava o encontro de homem degolado no Distrito Industrial: “foi tarde!!!!! Demorou!!!! CANCELADO MAIS UM CPF”. Pensei: justamente Peixe que já sofreu ataques quando, conforme metralhas disparadas em teclados no Grande Tribunal das Redes Sociais, advogado ligado a ele “defendeu bandido”!

Os dois vereadores são do PDT, mas estão negociando com o PSD. Vão apoiar Dimas Costa à Prefeitura de Gravataí. Já brinquei com o candidato que, pelo perfil de alguns filiados, e outros que querem se filiar, o partido pode virar ‘A Fazenda’, ou um ‘Big Brother’. Só que, com mais exemplos odientos como esses, não há como brincar: arrisca virar é uma live de Bolsonaro.

Que, parêntesis, já deve estar arrependido de alimentar o ‘bandido bom é bandido morto’, depois que a Veja noticiou, e ele confirmou a veracidade, do passado de envolvimento com tráfico, crimes e contravenções de sua sogra, a mãe dela e cunhados.

A não ser que bandido morto só seja bom na família dos outros.

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