política

Sem vereadores negros, Câmara de Gravataí esqueceu Dia da Consciência Negra; A carne mais barata do mercado

Plenário da Câmara de Vereadores de Gravataí

Sem vereadores negros, a Câmara de Gravataí deixou – expressão perfeita – passar em branco a morte de Zumbi dos Palmares, o Dia da Consciência Negra.

Não localizei nenhum discurso nas sessões da semana passada e nem aquelas moções para saudar datas e pautas importantes e desimportantes, além de títulos de cidadão para políticos como tratei nos artigos Câmara de Gravataí não é palanque: vereador retira título de cidadão para candidato de estimação; Dois ainda avaliam e A Câmara de Gravataí não é palanque: vereador, retire título de cidadão para seu candidato de estimação!.

O troféu Sônia Paim seguiu cancelado como no 2020 da pandemia, mesmo que o legislativo já receba público nas sessões e, para registro de moções de parabenização, dezenas de pessoas posem para foto ao lado de vereadores em plenário.

A honraria – que leva o nome da professora de longa história em questões sociais e políticas e que foi a primeira negra a ocupar o cargo de secretária municipal em Gravataí – é entregue há mais de uma década para homenagear personagens negras.

– Na terça vamos fazer uma menção e reflexão na sessão plenária – disse o presidente Alan Vieira (MDB), ao ser questionado pelo Seguinte: se haveria alguma programação, como a organizada pela Prefeitura.

A atual legislatura não tem nenhum negro. Nos últimos 20 anos tivemos apenas Jairo Santerra, Jarbas Tavares da Silva, Róbinson Luiz e Airton Leal, que, secretário de Governança e Comunicação, é hoje o único negro no primeiro escalão do governo Luiz Zaffalon (MDB).

Ao fim, não escrevo por lacração e, como parte dos socialmente privilegiados, nem possuo direito e conhecimento para ‘ocupar lugar de fala’.

Reputo o esquecimento dos políticos um exemplo do racismo estrutural, no qual me incluo.

Como didaticamente descreve o Politize!, é o racismo que não diz respeito ao ato discriminatório isolado por conta da cor da pele, mas sim ao processo histórico em que condições de desvantagens e privilégios a determinados grupos étnico-raciais são reproduzidos nos âmbitos políticos, econômicos, culturais e até mesmo nas relações cotidianas.

A ‘ideologia dos números’ não mente sobre essa herança da escravatura.

O site exemplifica com pesquisas. Em 2020 a Ethos mostrou que apenas 10% dos cargos de chefia nas 500 maiores empresas do país eram ocupados por negros, mesmo a raça sendo maioria da população nacional.

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número de homicídios de pessoas negras aumentou 11,5% entre 2008 e 2018, enquanto que o de pessoas não negras diminuiu 12%. Além disso, das 4.519 mulheres assassinadas no país em 2018, 68% delas eram negras.

De acordo com o Mapa da Violência morrem cerca de 30 mil jovens entre 15 e 29 anos por ano, sendo que 77% deles são negros, resultando na morte de um jovem negro a cada 23 minutos no país.

Rasga a voz de Elza Soares impondo a realidade “a carne mais barata do mercado é a carne negra”.

Aos desumanos que cometem a idiotia de falar em “dia da consciência humana”, recomendo a aula da reportagem em texto e vídeo Dia da Consciência Negra, 50 anos: liberdade conquistada, não concedida.

O 20 de Novembro merece feriado nacional.

 

Assista A Carne, com Elza Sores

 

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