opinião

Se recolher morador de rua morto, como a um cão atropelado, ninguém nota

Arte sobre obra do genial Pawel Kuczynski

Só assimilando o culto à burrice para compreender aqueles que postam no Grande Tribunal das Redes Sociais, convenhamos, sítio de pobres, que “todos nascem iguais”: tanto o filho do Seu Sogil e da Dona Transcal, quanto da Dona Gerdau ou do Seu Itaú, e – meus sentimentos – o morador de rua que ficou quase um dia inteiro atirado morto, aparentemente por causas naturais, em uma praça da Vila Imbuí, em Cachoeirinha.

A Prefeitura divulgou nota:

– ESCLARECIMENTO: Diante da negativa do Instituto Geral de Perícias (IGP) em recolher o corpo de um homem, sem documentos de identificação, encontrado morto em nossa cidade, a Prefeitura acionou a Funerária Rainha da Paz para a remoção e onde ficará até a chegada de seus parentes para a liberação.

Fica pior.

A conclusão da nota, publicada no Facebook oficial, é nauseante:

– Ao contatar o IGP, a Assistência Social foi informada de uma mudança pelo Estado no procedimento para o recolhimento, que passa a ser realizado apenas nos casos em que é constatada pela Brigada Militar a causa da morte como sendo violenta.

Quer dizer que, se um andarilho, como parece era o caso, tombar falecido na rua, se não for visivelmente a tiros, facada ou morte matada, ao que depender do Departamento Médico Legal (DML) fica ali, principalmente se a Brigada Militar não aparecer?

Que burrocracia, que economia desumana do Estado. Seja coisa nova ou velha, não importa, pelo zero após a vírgula que representa no Orçamento.

A contagem de corpos não paga um ano de almoços das viagens que tanto fazem governadores para 'vender' o Rio Grande do Sul.

Liguemos para a Prefeitura, que é o que recomenda, conforme a nota do governo municipal, o governo Eduardo Leite.

Que bom que o prefeito Miki Breier mandou acionar uma funerária.

Se mandasse um caminhão do Serviços Urbanos para recolher o corpo e jogar em um lixão, como a um cão morto atropelado na faixa, ninguém notaria.

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