opinião

Santa Casa de Gravataí na mira de CPI, convocação de diretor e audiência pública; dor de mãe é mais que voto

Vereador Bombeiro postou em seu Facebook foto na qual acompanha até o Ministério Público os pais de Theo, bebê que morreu por complicações no parto

A Santa Casa de Misericória de Gravataí está na mira de duas CPIs, uma audiência pública e o diretor técnico Marcelo Bastiani Pasa foi convocado para prestar depoimento na Câmara.

São as ações dos vereadores após uma tragédia e uma potencial tragédia, com a morte de um bebê e um parto no saguão do hospital Dom João Becker, que tratei em Mãe que perde bebê em hospital sempre tem razão; é preciso respostas e Alô, Dr. Pasa: bebê morto e parto no saguão? Câmara tem que convocar diretor da Santa Casa de Gravataí.

O diretor do hospital ainda não confirmou a data do depoimento, como tratei em Câmara convoca diretor do hospital de Gravataí após tragédia do bebê.

A audiência pública, aprovada por unanimidade pelos 21 vereadores, está marcada para dia 18.

As CPIs antecipam polêmicas.

Uma delas foi proposta ainda no ano passado por Dilamar Soares para investigar suspeitas de que médicos tem um esquema para, sob o oferecimento de agilidade em cirurgias urgentes, encaminhar pacientes do SUS para atendimento particular.

A outra foi protocolada por Bombeiro Batista para investigar os dois episódios recentes envolvendo grávidas no HDJB.

A comoção causada nas redes sociais torna praticamente impossível políticos de governo e oposição negarem apoio às CPIs. Os proponentes não devem ter dificuldade para reunir as sete assinaturas necessárias para abertura de cada uma das investigações.

Tenho uma posição sobre CPIs, principalmente às vésperas de eleição. É preciso vigilância para que interesses políticos, ou mesmo corporativos, não se sobreponham ao interesse público.

Em Cachoeirinha, a 'CPI da SKM' e a 'CPI dos Pardais' apelidei de amalucadas pela condução 'napoleão de hospício', onde potenciais investigados atuavam como investigadores e, nos relatórios finais, nada foi provado e o alvo único foi o prefeito.

Entendo que a Polícia Civil, que já abriu inquérito, e o Ministério Público, que já recebeu as denúncias sobre os partos, têm mais condições técnicas e isenção para investigar os casos.

Sobre a suposta corrupção envolvendo médicos, também. Até por todo sigilo necessário na exposição da relação médico-paciente, que Dilamar, nos 138 dias em que espera pelas assinaturas, tem respeitado, ao não expor publicamente prints de mensagens que chegaram até ele e evidenciariam a fraude. Cheguei a chamar de 'CPI do bem', no artigo Vereador quer CPI para denúncias de fraude no SUS em Gravataí, publicado pelo Seguinte: em outubro do ano passado.

Inegável é que os vereadores estão no direito legal de usar o instrumento da CPI para apurar os casos e fiscalizar onde vão R$ 40 milhões por ano que a Prefeitura repassa àquele que é o único hospital que atende pelo SUS em Gravataí.

E, o que às vezes mais importa aos políticos, estão pressionados a dar uma resposta à população, mesmo que o ‘Grande Tribunal das Redes Sociais’ não permita nada menos do que a escolha de um vilão – e, nesta semana, a revolta nas postagens inspire um perigoso ‘médico bom é médico morto’.

Reputo que estaria de bom termo ouvir o depoimento do diretor da Santa Casa e, só depois, decidir pela instalação das CPI. Sobre a audiência pública, é óbvio que não levará a nada além de críticas, revolta e lágrimas.

Lamentável é que esteja certo o diagnóstico do leitor Vinicius Evaldt, em comentário feito em postagem do Seguinte: sobre a tragédia, e a potencial tragédia da semana:

– Podem colocar o Albert Einstein pra administrar que não vai ter jeito. Hospital de pequeno/médio porte pra uma cidade de 250 mil habitantes não tem condições…

O índice preconizado pela Organização Mundial da Saúde é de 3 a 5 leitos para cada mil habitantes. Japão e Alemanha, por exemplo, tem média de 13,7 e 8,2. Os Estados Unidos, 2. A média brasileira é 2,4.

Gravataí não chega a um.

Ao fim, resta o apelo aos políticos e aspirantes para que não sejam oportunistas ou incendiários da revolta; e busquem mais respostas do que caça-cliques nas redes sociais.

O tamanho da dor de uma mãe é incomparável a votos.

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