opinião

Precisamos falar sobre o ’pedágio’ de Marchezan; vereadores, parem de caçar cliques!

Polêmica envolve transporte coletivo de Porto Alegre

Talvez para vilanizar a ideia, a colunista de GaúchaZH Rosane Oliveira chamou de ‘socialista’ – palavrão para tantos – o conjunto de medidas apresentado pelo prefeito de Porto Alegre Nelson Marchezan para “tentar dividir o custo da tarifa de ônibus com quem não usa o sistema de transporte coletivo” e “que passam pela cobrança de um adicional nas viagens em carros de aplicativos e de pedágio dos veículos emplacados em outras cidades”.

Vamos a trechos do que escreve a jornalista, a repercussão regional e, ao fim, comento.

 

“(…)

A novidade é o tamanho da pancada: R$ 0,28 por quilômetro rodado, no caso dos aplicativos, e R$ 4,70 para entrar em Porto Alegre, a título de tarifa de congestionamento. Essas são apenas duas das medidas anunciadas para reduzir o preço da passagem de R$ 4,70 para menos de R$ 4 em 2020 e para cerca de R$ 2 em 2021 (R$ 1 para estudante).

A cobrança de uma taxa das empresas privadas, de R$ 70 a R$ 120 por empregado, em substituição ao vale-transporte, beneficia o trabalhador de baixa renda, que hoje paga até 6% do salário. Pela proposta, qualquer pessoa com carteira assinada poderá circular livremente nos ônibus da Capital, sete dias por semana, sem pagar passagem.

Quando Marchezan disse que não aceitava a mediocridade e que apresentaria propostas “inovadoras e estruturantes”, deu o sinal de que estava gestando uma revolução. No caso, uma revolução socialista. Porque está propondo a socialização do custo do transporte, para que quem não precisa andar de ônibus financie o transporte de quem não tem outra opção.

 (…)”

 

Analiso.

Difícil, pelo que tenho lido, mas achei pelo menos mais um louco, o diretor do Seguinte: Roberto Gomes de Gomes, que concorda comigo que as propostas de Marchezan merecem crédito, não deboche ou oposição intransigente.

E o prefeito está apanhando do Novo ao PSol, passando pelo seu PSDB. Mais dos políticos, registre-se.

Um erro é analisar os projetos em convocação extraordinária. Como presidente da Granpal, a associação dos municípios da Grande Porto Alegre, Miki Breier assinou nota neste sentido, que você lê clicando aqui.

– Não foram medidos os possíveis impactos desta cobrança, é necessária a retirada de urgência do projeto que cria pedágio na Capital para veículos emplacados em outras cidades – resume o prefeito de Cachoeirinha.

Mas algo precisa ser feito.

E logo. Ou quem vai pagar a conta são os mesmos de sempre: os usuários do transporte coletivo.

As empresas apresentam cálculos que apontam a necessidade de um reajuste de 11% para sustentar o sistema. A passagem pode ir a R$ 5,20.

Fato é que não há como manter o transporte público sem subsídio. É assim no mundo. Ainda mais em tempos de aplicativos como Uber, Pop e Cabify. Como o cofre público não suporta, 'socialize-se' com os usuários das vias cada vez mais entupidas por carros.

É a primeira grande polêmica do ano, e que o debate raso pode tornar um dos Grandes Lances dos Piores Momentos.

Nas câmaras da região metropolitana, vereadores já se alvoroçam para apresentar projetos, de olho em caçar cliques e votos, ameaçando criar ‘pedágios’ também nas cidades, mesmo que seja demagogia, já que não podem legislar sobre o tema.

Espero que o debate aconteça, que não tenha sido um anúncio matreiro de Marchezan apenas para desviar o foco da votação do pacote de projetos em que o colega tucano Eduardo Leite retira vantagens do funcionalismo; e que também não seja só um ‘bode na sala’ para dar o reajuste que pedem as empresas e naturalizar a aceitação dos ônibus sem cobradores. 

Quem mais se beneficia com passagem de graça ou mais barata é o trabalhador mais pobre e que, invariavelmente, mora longe do serviço e não usa Apps.

Mas, para ganhar a galera, que tal o prefeito também ‘socializar’ um pouco desses 11% propostos pelas empresas de ônibus?

Ao fim, precisamos falar sobre o projeto e seus impactos, não apenas ser contra pelo contra, sem apresentar alguma alternativa.

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