opinião

PDT de Anabel e ’Bordignons’ perderá 2 vereadores; o espelho de Dallagnol

Peixe e Demétrio na campanha por Rosane Bordignon à Prefeitura, na eleição suplementar de 2017

Nesta semana, o PDT de Gravataí deu uma de Deltan Dallagnol, na inimaginável nova revelação do The Intercept onde o Robin da Lava Jato faz um ‘espelho-espelho-meu’, em um chat consigo mesmo, no qual pergunta, responde, dá conselhos e se convence de que está certo – e não é fake news!: leia a reportagem da ‘Vaza Jato’, e ria baixinho, porque parece tratar-se de caso de interdição, clicando aqui.

Voltando à aldeia, acontece que, após reunião do diretório, o partido divulgou a ‘Resolução 01/2019’, que confirma Anabel Lorenzi como pré-candidata a prefeita e Rosane Bordignon a vice. Siga a ‘autoapresentação’ e, ao fim dos 9 itens, explico o ‘espelho-espelho-meu’ do PDT.

 

“(…)

RESOLUÇÃO 01/2019

1. Considerando que o PDT é o maior partido de Gravataí;

2. Considerando que o PDT foi o Partido mais votado nas últimas eleições municipais com 44 mil votos, enquanto a coligação vencedora do pleito composta por 18 partidos fez apenas 3 mil votos a mais;

3. Considerando que o PDT está ainda mais fortalecido com o ingresso no Partido de grande parcela do PSB e de sua principal liderança, a professora Anabel Lorenzi, hoje Presidente do Partido, que nas três últimas eleições, sempre fazendo expressivas votações para prefeita, somou mais de 90 mil votos;

4. Considerando que o PDT ampliou sua influência na nossa cidade com a filiação ao Partido da educadora Lisiani Maria dos Santos, filha e representante do legado político do ex-prefeito e ex-deputado Abílio Alves dos Santos;

5. Considerando que o PDT representa a continuidade do legado dos ex-prefeitos José Mota, Abílio Alves dos Santos e Daniel Bordignon, três dos mais expressivos prefeitos da história de Gravataí pelas realizações e popularidade de seus governos;

6. Considerando que o PDT, herdeiro das conquistas de seus grandes líderes como o ex-governador Leonel Brizola e os ex-presidentes Getúlio Vargas e João Goulart, tem uma história de compromisso com as grandes causas nacionais e de realizações sem paralelo em prol dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, bem como na defesa da educação como prioridade nacional;

7. Considerando que urge garantir às mulheres igualdade nos espaços de poder por representarem a maioria do eleitorado e da população;

8. Considerando que a soma dos votos de Anabel Lorenzi e de Daniel Bordignon foi de 71 mil votos contra 33 mil do atual prefeito na eleição de 2016;

9. E considerando que na eleição de 2017 a soma dos votos de Anabel Lorenzi e Rosane Bordignon superou em mais de 20 mil votos a soma dos votos de Marco Alba(PMDB), Levi Melo(PSD) e Francisco Pinho(PSDB)

O Diretório Muncipal do PDT de Gravataí, em consonância com sua história e programa partidário, apresenta ao povo de Gravataí e homologa, por unanimidade, a chapa com as professoras Anabel Lorenzi, para Prefeita, e Rosane Bordignon, para Vice-Prefeita, como pré-candidatas às eleições municipais de 04 de outubro de 2020.

Gravataí, 28 de agosto de 2019.

(…)”

 

Analiso.

O PDT precisa rever o ‘espelho-espelho-meu, há alguém mais bonito do que eu?’. Printe & Guarde na Nuvem: o partido será o maior golpeado na janela de março, que permite a troca de sigla sem perda de mandato. Dos três vereadores, sobrará Rosane. O acréscimo será Dilamar Soares (PSD). Mas Alex Peixe e Demétrio Tafras estão fora.

Peixe hoje está ligadíssimo ao advogado Cláudio Ávila, um Sérgio Moro de Lula – pós Vaza Jato, entendam – na relação com Anabel e os Bordignons.

Vai para o PSD, do vereador e candidato a prefeito Dimas Costa, de quem o autor do golpeachment que cassou 15 anos de governos do PT é um dos principais articuladores da candidatura a Prefeitura, como já contei em ’A Fazenda’ ou ’Centrão’, alguém fica de fora na aliança de Dimas e nos links relacionados no curso do artigo.

Já Demétrio recebeu de Paulo Silveira o convite para concorrer pelo PSB, conforme informa o jornalista Luis Felipe Teixeira, no Giro da Notícia.

Certeza é que o ex-atleta não fica no PDT. Todos os assessores do vereador entregaram a desfiliação nesta terça, logo após a sessão da Câmara.

Antecipei o desgaste no artigo Anabel tenta manter Demétrio ’de vermelho, só o Inter’ Tafras, o qual conclui assim:

 

“(…)

De família bolsonarista e nunca muito feliz principalmente com Daniel Bordignon, é difícil imaginar Demétrio até o fim do mandato no partido daquela que brinco ser ‘A Esquerdista do Ano’.

De vermelho, só o Inter para o ex-jogador.

Seus algozes só esperam por aquela máxima do Millôr: “mais cedo ou mais tarde todo político corresponde aos que não confiam nele”.

(…)”

 

Pressionado pelo partido, Demétrio pediu direito de resposta, que reproduzi na íntegra em Demétrio está bem no PDT; a nota entre o azul e o vermelho.

E conclui assim à pós-verdade apresentada na nota:

 

“(…)

Com a nota, escrita, o que para alguns tem mais força do que áudios de WhatsApp, Demétrio restaura a sua verdade, acalma o partido e evita incomodações, como um processo de expulsão por infidelidade partidária.

E eu achando que Demétrio iria corrigir tê-lo apresentado como torcedor do Inter!

Nos dias quotidianos / É que se passam / Os anos (Millôr)

(…)”

 

Sem torcida ou secação, são os fatos, aqueles chatos que atrapalham argumentos. A assessoria pediu desfiliação e Demétrio só não saiu ainda do PDT porque teme perder o mandato.

Não é fácil para os políticos assimilar a mão de ferro de Daniel Bordignon, suas liturgias, firmeza ideológica e ‘ame ou odeie’ na condução metafísica do partido. No PT foi assim, quando de quatro vereadores apenas um, Dimas Costa, restou no apoio à campanha frustrada do ex-prefeito pela reeleição à Assembleia Legislativa, em 2014.

Nas perdas e ganhos, mais uma vez a realidade supera a ficção na política da aldeia e, em 2019, é Dilamar aquele que ocupa o lugar do antagônico irmão.

Ao fim, o que os dias cotidianos mostram é que o PDT aposta, e depende, cada vez mais de seu ‘Grande Eleitor’, Daniel Luiz Bordignon.

 

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