política

No B.O. médica diz que vereador de Gravataí ’projetou-se em sua frente, esbarrando em seus seios’; Fernando Deadpool se defende em vídeo

Vereador Fernando Deadpool na frente da Delegacia de Pronto Atendimento, após registro da ocorrência na noite de sexta

O Seguinte: teve acesso ao boletim de ocorrência do incidente da última sexta-feira envolvendo o vereador Fernando Pacheco (DEM), alcunha Deadpool, e médica da Prefeitura.

O caso reportei e analisei sexta e sábado nos artigos Vereador Deadpool é levado em viatura para registrar B.O. em Delegacia após incidente com médica em posto de saúde de Gravataí; O futuro ’Boca Aberta’? e Nota de repúdio a Deadpool: Prefeitura de Gravataí anuncia que buscará responsabilização criminal e judicial em incidente envolvendo vereador e médica; ’Conduta aviltante’, diz Dr. Levi.

Sigo o artigo abaixo da reprodução na íntegra do B.O. 1110/2022/100404, registrado como “Vias de Fato” na Delegacia de Polícia Civil de Pronto Atendimento, às 19h53, sobre o incidente ocorrido às 16h30.

 

“…

Comunica que a guarnição foi acionada via sala de operações paa atender possível ocorrência de desentendimento na USF Barro Vermelho, solicitada pela recepcionista da unidade, a pedido da média Andrea.

Chegando no local, o condutor foi informado pelo vereador, Fernando, que, em cumprimento ao seu dever de fiscalizar o Poder Executivo, foi ironizado por Andrea, quem esbarrou em Fernando e colocou o dedo em seu ombro, e expressou o desejo de representar.

Andrea, por sua vez, disse que estava em sua sala, redigindo documentos, quando o vereador, Fernando, entrou e passou a questioná-la sobre horários, momento em que ela pediu para que ele saísse, o que não foi atendido; ao tentar sair da sala, Fernando projetou-se em sua frente, esbarrando em seus seios; disse que sentiu-se constrangida e agredida, e disse que gostaria de representar. Nada mais.

…”

 

Sigo eu.

Após o registro da ocorrência e a nota de repúdio, o vereador foi para a guerra: postou vídeo em seu perfil no Facebook anunciando que vai processar a médica e a Prefeitura.

– Fui atender chamada de mãe que esperava pediatra para criança, a médica me agrediu e a Prefeitura divulgou nota de repúdio sem provas – diz Fernando ‘Deadpool’.

– Não invadi consultório, pedi licença para entrar em uma sala onde agiam como num happy hour. A médica me peitou, me cutucou no peito e chamei a Guarda Municipal e a Brigada Militar para me proteger – afirma, no post que você lê e assiste ao vídeo na íntegra clicando aqui.

Conclui assim os últimos dois artigos: “A atuação do parlamentar virou caso de polícia. Se Deadpool tem ou não razão, será ou não enquadrado como vilão ou vítima, o inquérito policial dirá. Mas prevê o artigo 331 do Código Penal que é crime desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela. A pena é de detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. Por isso, politicamente, o vereador também precisa se preocupar: 14 votos entre 21 vereadores podem cassá-lo, caso considerado culpado por uma comissão de ética. Se ligar para colegas, Deadpool não vai sextar tranquilo”.

Já tinha alertado em outubro do ano passado, em Fernando Deadpool age como um Boca Aberta de Gravataí; Um vereador a cliques da perda do mandato, que arriscava o gravataiense, “como o deputado federal Boca Aberta, ganhar cliques, mas ser cassado”.

Boca Aberta perdeu o mandato em agosto do ano passado após transitar em julgado processo que lhe suspendeu os direitos políticos por 8 anos por condenação na Câmara Municipal de Londrina (PR) por quebra de decoro parlamentar. Os colegas entenderam que ele disseminou fake news em ataques contra colegas, além de ter invadido uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA).

Reputo só piora a situação do vereador.

Na nota de repúdio, o prefeito em exercício anuncia que “… a Prefeitura de Gravataí buscará, judicial e criminalmente, repor a verdade e imputar a responsabilidade pelas agressões sofridas pela servidora pública em seu local de trabalho…”.

E, para completar, no B.O. obtido pelo Seguinte: é registrado que a médica relata que, grifo meu, “…ao tentar sair da sala, Fernando projetou-se em sua frente, esbarrando em seus seios; disse que sentiu-se constrangida e agredida…”.

Ao fim, era polêmica anunciada; que, conforme anunciam os próprios envolvidos, vai testar humores políticos e a loteria de toga.

A forma de fiscalização – e divulgação no Grande Tribunal das Redes Sociais – feita pelo vereador já vinha preocupando servidores e o governo Luiz Zaffalon, por potencialmente incitar pacientes contra os profissionais da saúde, em um momento de filas e sobrecarga de procura com a pandemia.

Fato é que o resultado – político e jurídico – do incidente será um balizador dos ‘poderes’ dos vereadores.

Se a Justiça tem seu próprio tempo, é só do caso que se fala na Câmara.

Nesta terça-feira, 17h, tem sessão.

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