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Linguagem neutra polemiza na Câmara de Gravataí: ficou parecendo que é dos professores a culpa da má educação; É dos Grandes Lances dos Piores Momentos

Vereador Policial Federal Evandro Coruja deflagrou polêmica ao critica uso de linguagem neutra em peça teatral

Polemizaram na Câmara as críticas do vereador Policial Federal Evandro Coruja (PP) ao uso de linguagem neutra na peça financiada pela Prefeitura “Paulo Freire para crianças”, o que tratei segunda-feira em A preocupação do vereador de Gravataí é com o ’todes’.

 

Assista ao que falaram os vereadores a partir de 1h25 e, abaixo, sigo

 

Bolsonarista raiz, o PF Coruja tem todo direito de expressar sua opinião, seja rasa como uma poça d’água em relação à pedagogia de Paulo Freire, ou momentaneamente desnecessária sobre a linguagem neutra, já que não há projeto algum para usar o ‘todes’ nas escolas públicas.

Assim como os atingidos por seu vídeo tem o direito de reagir; e o fizeram setores da cultura.

Entendo ninguém ultrapassou os limites da civilidade.

O vereador pode cobrar porque a peça usa recursos públicos e os artistas estão sujeitos à exposição e podem se manifestar e condenar qualquer tipo de censura.

E viva a democracia!

O que me incomoda é a tese do vereador de que há relação entre Paulo Freire e a má educação no Brasil.

– O Brasil é dos países que mais investem e tem pior educação – sustentou, em resumo.

Sem citar que no seu governo Bolsonaro o país regrediu, depois de quatro anos de avanços, o PF Coruja citou o Anuário de Competitividade Mundial feito pelo IMD World Competitiveness Center que, em 2020, colocou o Brasil na 57ª posição em uma lista de 64 países.

– Só o Brasil usa o modelo pedagógico de Paulo Freire – disse, ideologizando os 29 títulos de Doutor Honoris Causa por universidades da Europa e da América, além de prêmios como Educação pela Paz, da Unesco, do educador que é o brasileiro mais homenageado do mundo:

– Sabemos que a esquerda mundial tem um projeto globalista.

Reputo é fazer arminha contra os professores.

Observando o ENEM, os melhores índices educacionais vêm de institutos federais, que superam a média de particulares e, também, cívico-militares, às quais bate continência o PF Coruja.

Qual a mágica? São bons profissionais, bem remunerados e com boas condições de trabalho.

É linguagem falsa atirar zeros após a vírgula em investimentos em educação sem conhecer o Brasil que despenca da coluna de receita e despesa para a realidade da falta de estrutura nas escolas, a baixa remuneração e a falta de incentivo à docência.

Em relação a salários, por exemplo, na Coréia do Sul, que na última década sempre esteve entre os países melhor colocados no ranking citado pelo vereador, o inicial de um professor é hoje de cerca de mil dólares. No Brasil o salário médio é de U$ 370.

Para efeitos de comparação, ano passado lideramos o ranking de pior salário pago a professores do ensino médio no mundo, conforme pesquisa feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 46 países.

Parêntesis: por lógica, vocacionados, ou desapegados ao bolso são, não?

Engana-se também quem acha que os professores são privilegiados por, em um país que vive o horror do desemprego, ter “emprego garantido”. Principalmente nas localidades mais pobres o ‘professor Uber’, já é uma realidade na rotatividade e poucos direitos.

Fato é que, mesmo que pela Constituição Federal os funcionários públicos devam ser concursados, 4 em cada 10 professores são contratações emergenciais, conforme o Censo Escolar produzido pelo INEP, órgão vinculado ao Ministério da Educação.

Aceitando a ‘pauta ideológica’ proposta pelo vereador, também podemos avançar na desindustrialização do Brasil, que nos faz colônia exportadora de matéria-prima, dependente do agronegócio e a venda de commodities, além de um paraíso do subemprego no setor de prestação de serviços que não exige grau de estudo aos trabalhadores.

Associo-me ao professor Tiago Tristão Artero, que em “A culpa é do Paulo Freire?” usa o exemplo da China, que faz a transição da indústria para a produção de tecnologia (dependente da educação), enquanto o Brasil colônia precariza ainda mais os investimentos em educação ao implantar um ensino muito mais profissionalizante do que profissional/tecnológico:

– Paulo Freire talvez nos socorra – apela.

Ao fim, sinto pelos 'vilões' professores.

E lamento que a linguagem neutra em uma peça teatral provoque mais preocupação ao vereador Policial Federal Evandro Coruja do que o Tuiuti, que é maior escola estadual de Gravataí, seguir com três pavilhões interditados durante os três anos do governo Eduardo Leite, do qual seu PP faz parte.

Grava um vídeo cobrando de todes, vereador!

 

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