crise do coronavírus

Ideia é mandar os alunos pobres antes para sala de aula; O bode preto da Grande Porto Alegre

Foto AGÊNCIA BRASIL

‘Agrada’ aos prefeitos da Granpal, a associação dos municípios da Grande Porto Alegre, mandar os alunos pobre voltarem antes às aulas, conforme nota divulgada pela entidade.

O nome acadêmico é ‘modelo híbrido’, que ‘prioriza’ os alunos de baixa renda.

É de faltar o ar! Reputo um soco na cara da sociedade. Ou assim deveria ser.

A explicação é óbvia: na avaliação das atividades online nas escolas municipais da região ao longo do ano anterior houve consenso dos gestores de que muitos alunos tiveram dificuldades em razão da precariedade da conexão à internet e, até mesmo, da falta de computadores ou smartphones para acessar as plataformas de ensino à distância.

A solução? Tirar o bode da sala.

Um bode quase sempre preto, a carne mais barata do mercado.

É mais uma evidência de como a crise do coronavírus escancara a desigualdade brasileira, hoje maior que nunca, apesar de pouco ouvirmos, principalmente dos que falam em “vírus chinês”, que a doença chegou da ‘Casa Grande’ para a ‘Senzala’.

. Seja pela maior dificuldade de manter o isolamento social, o emprego e a renda, seja pelo menor acesso a saúde e ao saneamento básico, é notório que o COVID-19 afeta desproporcionalmente os mais pobres.

A prova científica está no relatório “COVID-19 e Desigualdade no Brasil”, produzido pelas pesquisadoras brasileiras Luiza Nassif Pires (Levy Economics Institute), Laura Carvalho (Universidade de Sao Paulo) e Laura de Lima Xavier (Harvard Medical School).

A partir dos dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do IBGE realizada em 2013, é possível ter uma estimativa da proporção de brasileiros que se enquadra no grupo considerado de risco para o COVID-19.

Se considerarmos como fatores de risco ter acima de 60 anos, ter sido diagnosticado com diabetes, hipertensão arterial, asma, doença pulmonar, doença cardíaca ou insuficiência renal crônica 6 (A PNS não possui dados relativos à incidência de imunodeficiência ou doenças neurológicas, ambos reportadamente correlacionados com complicações em caso de infecção por COVID-19), a PNS sugere que 42% da população se encontra em algum grupo de risco 7.

No entanto, os fatores de risco tampouco parecem estar distribuídos igualmente na população.

A proporção de pessoas com um ou mais fatores de risco e de 54% para os que declararam ter frequentado apenas o ensino fundamental, ante 28% para os que frequentaram o ensino médio e 34% para os que chegaram a cursar o ensino superior ou pós-graduação.

Esta diferença e ainda maior quando se considera quem tem mais de um fator de risco, sendo a presença de dois ou mais fatores de risco três vezes maior entre aqueles que frequentaram apenas o ensino fundamental do que entre aqueles que frequentaram o ensino médio.

Ao fim, ao invés de buscar uma alternativa para permitir o acesso de alunos pobres à tecnologia, mais fácil é submetê-los aos mesmos riscos que já experimentam suas famílias, em ônibus lotados e trabalhos presenciais diários.

Avançando a ideia, a fórmula para cumprir os protocolos sanitários de turma reduzidas será mandar os pobres à escola, enquanto os remediados, porque ricos não são, estudam em casa pelo celular.

 

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