opinião

Gravataí chama médicos, mas 4 em cada 10 desistem; 177 foram embora em 3 anos

A crise dos médicos é notória em Gravataí. Já tratei dos motivos em Ministério da Saúde tira 39 médicos e recursos de Gravataí; ’arminha’ contra o SUS e nos links relacionados no mesmo artigo. O próprio prefeito admitiu a prioridade para 2020 na entrevista de fim de ano Marco Alba está feliz; siga em vídeo e entrevista.

Volto ao tema porque nesta semana a Prefeitura começou o processo de nomeação e efetivação dos médicos que passaram no último concurso, aplicado no início do mês de dezembro de 2019.

Vamos às informações e, ao fim, comento.

Mais uma opinião impopular, infelizmente.

Conforme a Secretaria Municipal da Saúde, já foram chamados 19 médicos da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e um médico de Urgência e Emergência. Após a nomeação, há um prazo de 15 dias para os profissionais se apresentarem com a documentação necessária para que se possa fazer a contratação.

Segundo o secretário Jean Torman, outras nomeações de médicos estão previstas para ocorrer nos próximos meses. Na sequência, serão nomeados médicos de algumas especialidades para os Serviços Especializados e Atenção Básica e mais 11 médicos clínicos, estes todos para as Unidades Básicas de Saúde.

– A estratégia do governo municipal é não deixar consultório sem médico, e para isso já estamos preparando o lançamento de um novo concurso, garantindo que haja mais cadastro reserva tão logo o atual se esgote.

Jean informa que Prefeitura pretende nomear 25 médicos da ESF. Para isso, um projeto de lei deverá ser encaminhado para a Câmara de Vereadores, autorizando a ampliação das vagas existentes atualmente.

Com as medidas é projetado acesso mais rápido ao serviço de teleagendamento.

– Com o retorno dos médicos às Unidades de Saúde da Família, as pessoas que engrossam as solicitações do teleagendamento aliviarão o congestionamento hoje sentido por todos – espera o secretário.

 

Analiso.

Chato ser mensageiro de más notícias, mas jornalismo é dar nome às coisas. O prefeito e o secretário fazem o que podem, e não esperaria deles vender desesperança. Mas, os fatos, aqueles chatos que atrapalham argumentos, recomendam cautela.

Levantamento do Seguinte: que toma por base dados oficiais da Secretaria da Saúde mostra que nos concursos feitos nos últimos cinco anos 232 médicos foram aprovados e 192 foram chamados; destes apenas 100 quiseram assumir as vagas e, entre eles, 38 pediram demissão.

Se somarmos todos os médicos do quadro, concursados e contratados emergencialmente, nos últimos Gravataí perdeu 154 médicos, além dos 23 'escravos' cubanos, que o povo adorava nas periferias.

Não havia ninguém em cadastro reserva até a abertura de 130 vagas no concurso do ano passado.

O concurso abriu vagas para 29 clínicos, 25 para ESF, 15 para cirurgia geral, 10 para ortopedia-traumatologia, 8 para SAMU, 6 para pediatrias, 6 para ginecobstetrícia, 6 para radiologia, 5 para neurologia, 4 para infectologia, 3 para coloproctologia, 3 para urologia, 2 para infectologia pediátrica e mais um para cada área de neurologia pediátrica, ultrassonografia, medicina física e reabilitação, medicina preventiva e social, cardiologia, gastroenterologia, geriatria e otorrinolaringologia.

Se a Prefeitura chamar todos, e for mantida a média histórica de que quatro a cada 10 médicos que passam em concurso não ficam em Gravataí, dos 130 sobrariam 80. Para além de postagens demagógicas, caça-cliques ou desinformadas no Grande Tribunal das Redes Sociais, é um debate saudável para a campanha eleitoral deste ano.

Candidatos e candidatas terão alguma solução, ou só apontarão o vilão da vez – vilão ou vilã que poderão ser os próprios, a partir de 2021, por que não? 

Ao fim, por enquanto resta torcer que Apolos, Esculápios, Hígias ou Panaceas achem bom para suas carreiras, famílias e bolsos trabalhar nas periferias de Gravataí com salários de até R$ 13 mil por 40h, ou Joões, Marias, Cauãs e Enzos Gabriel restarão sem atendimento, ligando para o teleagendamento e conseguindo a marcação de consulta apenas para uma, duas, ou três semanas depois.

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