política

Dia do orgulho gay: Vereador de Gravataí propõe Frente LGBTQIA+; Jesus está vendo placar da tolerância

Fernando Deadpool foi eleito para seu primeiro mandato com 2.162 votos

A Câmara de Vereadores será um Stonewall Inn, nesta terça-feira, quando pode ser votada proposta de criação da Frente Parlamentar em Defesa da Causa LGBTQIA+, apresentada por Fernando Deadpool (DEM). Que a civilidade me desminta.

– A sociedade precisa conhecer os problemas enfrentados no dia-a-dia por essa comunidade, bem como temos o dever de traçar estratégias para coibir o preconceito e os ataques a essa parcela da nossa população – justifica o parlamentar.

Remeto a 69, quando homossexuais estadunidenses reagiram à invasão do bar Stonewall Inn, em Nova York, pela polícia, em revolta escolhida para lembrar o Dia do Orgulho LGBT+, nesta segunda, 28 de julho.

Nos mais de 20 anos cobrindo a Câmara, pouco percebo de avanço contra a intolerância quando a temática gay entra no plenário. Apesar de neste tempo conhecer diferentes orientações sexuais, infelizmente ninguém teve a coragem de sair publicamente do armário.

E, a cada votação, testemunhei votos contrários ou políticos fugindo do plenário para não votar, com medo de perder eleitores, principalmente evangélicos.

Neste sábado GZH publicou reportagem, na qual uma das protagonistas é a digital influencer de Gravataí Lorena Eltz, que mostra que “as novas gerações de jovens têm trazido como marcas fortes a contestação de rótulos e a demanda por liberdade sobre os seus corpos”, como descreve a psicóloga Manoela Medeiros, diretora técnica da ONG Somos.

O autor do projeto em Gravataí, Fernando Deadpool, é o vereador mais jovem da Câmara, com 24 anos, e da ‘Geração Z’, classificação geracional que abrange os nascidos em um mundo com internet, entre a segunda metade de dos anos 1990 até 2010.

– Não há dúvida de que é a geração mais tolerante de todas, na qual questões como diversidade e inclusão são valores centrais, e não acessórios. Eles também são mais abertos a experimentações, há uma sexualidade mais fluida – diz à reportagem o sociólogo Dario Caldas, diretor da consultoria em tendências e comportamento humano Observatório de Sinais.

Porém, nem tudo são unicórnios:

– Há alguns segmentos que usufruem de uma educação mais qualificada em termos de sexualidade. Nesses, há um clima de antidiscriminação e de diminuição do preconceito. Mas não é um fenômeno generalizado na sociedade brasileira – alerta à reportagem Angelo Brandelli, professor de Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica do RS (PUCRS) e coordenador do Grupo de Pesquisa Preconceito, Vulnerabilidade e Processos Psicossociais.

Ao fim, não é um debate que enche barriga, é por vezes uma causa vítima de lacrações contra e a favor exploradas por oportunistas e caça-cliques, mas que se refere à vida cotidiana de muitas pessoas, mexe com muitas famílias.

Parabéns, Deadpool, pela coragem em propor o debate. Ainda mais sendo um vereador do DEM de Evandro Soares, como reportei em O gravataiense que come a la minuta com Bolsonaro em Brasília.

Não basta a homofobia ter sido criminalizada e prever um a cinco anos de prisão, se tantos corações e mentem seguem condenados a tempos ainda – ou mais – obscuros.

Vereadores, um ‘sim’ será um bonito gesto de tolerância. Se o revolucionário Jesus está vendo, conforme os que acreditam, certamente aprovaria, já que pediu para amarmos uns aos outros.

Em artigo próximo trago os votos.

Participe de nossos canais e assine nossa NewsLetter

Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Conteúdo relacionado

Receba nossa News

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade