crise do coronavírus

Como fica o ’lockdown à Gravataí’; O BBB e a Karol Concá

O prefeito Luiz Zaffalon e o comitê municipal de crise ainda não finalizaram o novo decreto com os protocolos da bandeira vermelha para Gravataí, mas o Seguinte: antecipa as principais mudanças.

Zaffa fala em live às 19h desta terça, no Facebook da Prefeitura, para apresentar as regras finais.

O município, que até a classificação anterior do Distanciamento Controlado do RS estava em bandeira vermelha, mas usando regras de laranja, até o dia 1º está em bandeira preta mas, pelo sistema de cogestão entre as prefeituras da Grande Porto Alegre, pode aplicar protocolos da bandeira vermelha.

Siga como deve ficar o decreto de Gravataí, que permite a todas atividades funcionarem com restrições e, ao fim, analiso.

 

Toque de recolher

: Essa regra foi a solicitação do governador Eduardo Leite para aceitar a cogestão pedida pelos prefeitos. O horário de suspensão de atividades, uma espécie de ‘toque de recolher’, passou a iniciar às 20h, não mais às 22h, e segue até às 5h.

: Devem estar fechados, sem clientes, estabelecimentos de atendimento ao público, reuniões, eventos, aglomerações e circulação de pessoas tanto em áreas internas quanto externas, em ambientes públicos ou privados.

: As exceções são farmácias, hospitais e clínicas médicas, serviços funerários, serviços agropecuários, veterinários e de cuidados com animais em cativeiro, assistência social e atendimento à população vulnerável, hotéis e similares, postos de combustíveis e estabelecimentos dedicados à alimentação e hospedagem de transportadores de cargas e de passageiros, estabelecimentos que funcionem em modalidade exclusiva de tele-entrega e Centrais de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa).

: A suspensão geral também não atinge atividades industriais noturnas.

 

Educação

: O modelo de cogestão não foi aplicado à educação, sendo que as atividades presenciais seguem vedadas em regiões com bandeira preta. Contudo, houve uma flexibilização para Educação Infantil e os 1º e 2º anos do Ensino Fundamental.

: A Secretaria Municipal de Educação (Smed) definiu que as aulas da Educação Infantil e dos 1º e 2º anos do Ensino Fundamental das escolas municipais serão retomadas de forma presencial na próxima segunda-feira (22).

: Fica a critério das famílias optarem pela participação dos filhos em aulas presenciais ou remotas.

 

Alimentação

: Restaurantes, lanchonetes, lancherias e bares podem funcionar com 50% dos trabalhadores e 25% de lotação. São permitidos grupos de no máximo seis pessoas por mesa, com distanciamento de dois metros entre mesas.

: Comércio eletrônico, telentrega, drive-thru e sistema pegue e leve podem operar até as 20h; após, apenas telentrega.

: Restaurantes de autosserviço (self-service) devem permanecer fechados.

 

Comércio

: Pode seguir aberto, incluindo lojas de rua, de shoppings centers e o comércio considerado não-essencial. A principal mudança é a ocupação: é permitida uma pessoa a cada seis metros quadrados, contra quatro metros quadrados na classificação laranja.

: Estabelecimentos podem operar com 50% de trabalhadores (quando acima de três funcionários). Funcionamento permitido somente até as 20h.

 

Indústria

: Em geral, pode seguir funcionando, com 75% dos trabalhadores. A exceção são as indústrias dos setores farmoquímico e farmacêutico, que podem operar com 100% dos funcionários.

 

Cultura e lazer

: Parques temáticos, parques de diversão, parques de aventura, parques aquáticos, atrativos turísticos e similares, em ambiente aberto, podem operar somente em áreas externas, com demarcação no chão de áreas de permanência distanciada de grupos de no máximo oito pessoas.

: Cinemas, teatros, auditórios, casas de espetáculos, casas de show, circos, entre outros ambientes fechados, devem permanecer sem público. Já museus e centros culturais podem funcionar com grupos de no máximo seis pessoas, sob agendamento.

: Ficam suspensas atividades culturais como ateliês (artes plásticas, restauração de obras de arte, escrita, artistas independentes e similares); atividades de organizações associativas ligadas à arte e à cultura (MTG e similares); cinema; demais tipos de eventos, em ambiente fechado ou aberto; eventos infantis em bufês, casas de festas ou similares; eventos sociais e de entretenimento em ambiente aberto, com público de pé; eventos sociais e de entretenimento em bufês, casas de festas, casas de shows, casas noturnas, bares e pubs ou similares; feiras e exposições corporativas e comerciais; reuniões corporativas, oficinas, treinamentos e cursos corporativos.

 

Religião

: Missas e serviços religiosos podem ser realizados com ocupação de 20% do público ou no máximo 30 pessoas.

 

Academias

: Serviços de educação física (academias, centros de treinamento, estúdios e similares): ocupação de uma pessoa para cada 16 m² de área útil. Esportes coletivos (dois ou mais atletas) exclusivo para atletas profissionais, sem público.

 

Transporte

: Transporte coletivo de passageiros (municipal): 50% capacidade total do veículo (ou normativa municipal)

: Transporte coletivo de passageiros (metropolitano tipo Executivo/Seletivo): 100% assentos

: Transporte coletivo de passageiros (metropolitano tipo Comum): 70% capacidade total do veículo

 

Bancos, lotéricas e similares

: 50% dos trabalhadores

 

Cabeleireiros e barbeiros

: 25% dos trabalhadores e atendimento individualizado, por ambiente (distanciamento de 4 m entre clientes)

 

Condomínios prediais, residenciais e comerciais 

: Áreas comuns devem ser fechadas, tais como espreguiçadeiras, brinquedos infantis, piscinas, saunas, quadras, salões de festas, churrasqueiras compartilhadas e demais locais para eventos sociais e de entretenimento.

: Academias com atendimento individualizado ou coabitante, sob agendamento, com ventilação cruzada e higienização constante.

 

Sigo eu.

Como tratei ontem em Pilatos 2.1 : Responsabilidade é de Zaffa e Miki; Leite passou a prefeitos a bandeira da COVID, os prefeitos preocupados com a economia pediram a cogestão e o governador lavou as mãos e cedeu, mesmo que o comitê científico do gabinete de crise do governo gaúcho, e manifesto das direções de hospitais públicos e privados, tenham apelado pela manutenção das regras de bandeira preta – um lockdown à brasileira.

O que acontecer daqui por diante já tem CEP: são as prefeituras da Grande Porto Alegre.

Hospitais da região começam a experimentar engarrafamento de ambulâncias e estão com ocupação acima de 90% – em Gravataí o Hospital Dom João Becker/Santa Casa está superlotado nas áreas covid e não-covid – e, um exemplo de tirar o fôlego: em colapso, a UPA da Zona Norte da Capital ainda tem oxigênio, mas acabaram as saídas da tubulação que liga o equipamento aos pacientes.

A narrativa da esperança apresentada pelos prefeitos é a de que o comércio, a indústria e os serviços seguem os protocolos sanitários e os vilões da pandemia são festas clandestinas e aglomerações – que agora terão fiscalização mais rígida de guardas municipais e Brigada Militar, para além da ‘lei vampeta’, que funciona desde março em um “finjo que cumpro, você finge que fiscaliza”.

A volta às aulas também não é vilã para os prefeitos. Em Gravataí aulas presenciais em escolas infantis e nos primeiro (alfabetização) e segundo (os prejudicados de 2020) ano, retornam na próxima segunda a 50% da capacidade. Em Cachoeirinha o prefeito Miki Breier manteve os mesmos anos sem suspensão, conforme permite o decreto estadual.

É um potencial público alvo de mais de 100 mil pessoas entre as duas cidades, envolvendo professores, alunos, famílias e toda comunidade escolar, sem contar os contatos correlatos.

Só não é um desastre imposto porque as famílias podem optar pela educação remota.

Ao fim, como escrevi ontem: a ‘ideologia dos números’ atesta a bandeira preta, mas os governos de Gravataí e Cachoeirinha apostam que a bandeira vermelha vai ser suficiente para conter o pior momento de propagação do vírus e vidas perdidas.

Minha conclusão é a mesma: é compreensível a preocupação com a economia por parte dos prefeitos, que testemunham a queda da receita visualmente, ao observar, por exemplo, grades fechadas, placas de aluga-se e o banco de alimentos vazio de cestas básicas, além de ouvir as queixas das pessoas na fila do supermercado. Difícil é acreditar que sem um lockdown a circulação de pessoas – e do vírus – vai diminuir. Com o ‘Efeito Carnaval’ a tendência é piorar. Com professores e alunos nas escolas, e um público alvo de 100 mil pessoas incluindo as famílias, ainda mais.

Espero estar errado, como não estava o Dr. Stockmann, em Um Inimigo do Povo, de Ibsen, meu livro de cabeceira. Infelizmente não estava quando na quinta antes da bandeira preta alertei para a perda de controle da epidemia em  Contágio e mortes explodem em Gravataí; E o ’Carnaval da COVID’ e leitores pediram minha prisão acreditando ser fake news.

Hoje, quando concluo este artigo, “Explosão do COVID” é o segundo tópico mais comentado do Twitter no Rio Grande do Sul e o sexto no Brasil.

O primeiro? O Big Brother Brasil.

Aproveitando: se você fosse vigiado, não seria uma Karol Concá da COVID?

 

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