crise do coronavírus

As mensagens atravessadas do ’bota máscara, tira máscara’; Média em Gravataí é de uma vida perdida por dia

A Justiça gaúcha manteve a liminar que suspende o decreto do governador Eduardo Leite (PSDB) que desobrigava o uso de máscara de proteção contra covid-19 para crianças menores de 12 anos, protocolo adotado também pelo governo Luiz Zaffalon (MDB) em Gravataí, mas não por Maurício Medeiros (MDB) em Cachoeirinha.

Reportei a polêmica nos artigos Justiça derruba decreto seguido por Gravataí que desobrigava máscaras para crianças; Pandemia não terminou: são 7 casos por horaErram governos Zaffa e Leite ao tirar obrigatoriedade de máscara para crianças em meio a volta às aulas e campanhas antivacina; Especialistas criticam e Cachoeirinha mantém máscaras obrigatórias para crianças; É acerto na volta às aulas, em meio a campanhas antivacina e quase mil infectados entre 0 e 12 anos..

Reputo o ‘tira a máscara, bota a máscara’ é só mais uma das mensagens atravessadas em uma pandemia que não terminou e ainda mata.

É que, enquanto o desembargador Leonel Pires Ohlweiler, do Tribunal de Justiça, confirma a decisão da juíza Silvia Muradas Fiori, da 4ª Fazenda Pública de Porto Alegre, em ação civil pública movida pela Associação Mães e Pais pela Democracia, o governador e prefeitos da região metropolitana preparam a retirada de máscara para todos ambientes abertos.

– Compreendo a preocupação com o uso das máscaras, é claro que pode ser um fator adicional de segurança. Mas não pode haver hipocrisia. As pessoas estão cansadas do uso das máscaras – disse Leite a jornalistas, em Nova York, e rebaixou de ‘Alerta’ para ‘Aviso’ a condição de todo Rio Grande do Sul no sistema de monitoramento dos ‘3As’.

Já o prefeito de Porto Alegre e presidente da Granpal Sebastião Melo (MDB) convidou Zaffa, Maurício  e outros prefeitos da região para, junto a especialistas de UFRGS, PUC, UFCSPA, “avaliar, com muita responsabilidade, a retirada do uso obrigatório da máscara em locais ao ar livre, com base na ciência”.

Reportagem de Larissa Roso em GZH traz alerta de três especialistas, principalmente sobre a forma de comunicar um fim da obrigatoriedade, que já está valendo em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, esta inclusive em ambientes fechados.

– Acho que estamos melhorando bastante todos os indicadores, estamos indo bem. É muito importante pensar que o risco não é zero ou cem, é sempre uma gradação disso. Os lugares abertos têm muito menos riscos, mas locais abertos com aglomeração ou com gente doente não serão de risco zero. Temos que manter a máscara para doentes, imunossuprimidos e não vacinados, mas, para o dia a dia, em lugares usuais, acho bem tranquilo caminhar para essa liberação, sim – disse a epidemiologista Lucia Pellanda. 

– Há uma série de alarmes, e um deles vai apitar se a situação sair de controle e começarmos a retroceder. Temos indicadores muito objetivos de como está a pandemia. Eles podem dar um norte, uma segurança de para que lado vamos. Acho que (não usar máscara) em ambientes externos é uma situação em que podemos começar a pensar. A questão é como comunicar isso. As pessoas veem esse tipo de flexibilização como o fim da pandemia. Nem estamos no fim da pandemia, nem as máscaras perderam a utilidade. Vamos customizar: em ambientes de maior risco, permaneceremos de máscara, e em ambientes de menor risco deveremos recomendar o uso mas permitir, eventualmente, que em ambiente aberto se possa ficar sem máscara – disse o infectologista Alexandre Zavascki.

– Isso depende muito da comunicação que será feita. O indivíduo mais radical vai dizer: “Se pode (não usar máscara) na rua, por que precisa no estádio?” É importante dizer por que, em alguns lugares, ainda é necessário. Nas escolas, é impensável não usar. Liberar paulatinamente permite ver performances. Liberar será seguro desde que a população entenda que ainda há situações necessárias – disse o virologista Fernando Spilki.

A ‘ideologia dos números’ mostra que a covid ainda está entre nós.

Gravataí tem nesta quarta-feira 33.867 casos e 1028 vidas perdidas desde o primeiro registro em março de 2020. Caiu a média de infectados nos últimos 20 dias, de 10 casos por hora para 4; e as internações – se há 20 dias UTIs e leitos estavam quase lotados, hoje havia no Hospital Dom João Becker/Santa Casa 5 pacientes para 8 leitos de tratamento intensivo e 10 para 18 leitos de enfermaria – mas subiu a média de óbitos, de uma morte por dia para 1,2 a cada 24h.

Para se dimensionar a virulência da pandemia, em pouco mais de um ano, Gravataí já ultrapassou meio milhão de doses de vacina aplicadas e 9 a cada 10 pessoas da população adulta já recebeu ao menos uma dose. Imagina sem.

Ao fim, chato como um Dr. Stockmann, em Um Inimigo do Povo, de Ibsen, mais uma vez associo-me ao cientista Miguel Nicolelis, brasileiro com incontestáveis acertos nos alertas que fez para as sequentes ondas da pandemia: a maioria dos políticos e da imprensa tenta convencer que a normalidade voltou, mas a realidade não os obedece.

Hoje Nicolelis tuitou:

– Óbitos por todas as causas, inclusive COVID, em fevereiro de 2022 chegam a 125 mil, virtualmente empatando com fevereiro de 2021 (126 mil). Como dados de fevereiro de 2022 ainda são preliminares, chances de ultrapassar perdas do ano passado são reais. Ômicron nunca foi leve.

 

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