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Advocacia ganha, perde política de Gravataí; O presente do ’exterminador de dívidas’

Jean Torman, advogado

A advocacia ganha, perde a política. O ex-procurador-geral e secretário da saúde de Gravataí, que já foi cotado por Marco Alba para ser seu sucessor e em 2021 comandou a procuradoria-geral da Câmara, sai da política e inaugura o Jean Torman Advogados Associados, com coquetel nesta quinta, 17h, na Frei Tomé, bairro Dom Feliciano.

“O prefeito se orgulha da formação do que chama de secretariado técnico, mas tem em um integrante do primeiro escalão uma mostra de que o profissionalismo, aliado a um pouco de vivência política, ajuda bastante na hora de resolver conflitos e incentivar o espírito de equipe: é o procurador-geral Jean Pierry Torman, praticamente uma unanimidade no governo”, escrevi lá em 2016, em O exterminador de dívidas, sobre o jovem e silencioso procurador que há época conseguiu reduzir em 10 vezes as dívidas em fase de cobrança e fez a 'judicialização' da saúde e outras áreas ser seis vezes menor.

Reputo Jean como um bom exemplo da mescla entre a técnica e a política.

Por mais de uma década assessor de Acimar da Silva (PMDB) na Câmara, ascendeu junto ao vereador de cinco mandatos, eleito prefeito por 10 colegas, em outubro de 2011, após a cassação da prefeita Rita Sanco (PT), onde ajudou na elaboração do relatório de admissibilidade do impeachment, apresentado pelo chefe.

Aos 33 anos assumiu a Procuradoria-Geral de Gravataí com 40 mil processos ativos. Já no primeiro ano o filho da Ulbra de Gravataí, comandando 23 procuradores, seis agentes administrativos e 20 estagiários, conseguiu reduzir uma dívida de R$ 200 milhões para R$ 38 milhões em cobranças já ajuizadas no Fórum, que poderiam se somar aos cerca de R$ 300 milhões em dívidas fundadas, já reconhecidas, renegociadas e pagas ou parceladas pela Prefeitura.

Fez com que fossem extintas, não restando um real para a Prefeitura pagar, contas de R$ 92 milhões com o Banrisul, R$ 20 milhões com um escritório de advocacia e R$ 7 milhões com a previdência de agentes políticos, além da redução em R$ 10 milhões de uma dívida de R$ 30 milhões com a prestadora de serviços urbanos Mecanicapina.

A dívida com o Banrisul é da polêmica negociação que levou à cassação de Rita Sanco. Na justiça venceu a tese de Jean de que a dívida da década de 90 não deveria ser confessada por restar prescrita.

Dá para colocar na conta de Jean e seus procuradores quase R$ 300 milhões em dinheiro que deixou de sair dos cofres da Prefeitura nos oito anos do governo Marco.

Suas medidas para reduzir a ‘judicialização’ da saúde – e que deixaram boquiabertos gestores de todo Brasil quando Marco Alba apresentou na Marcha dos Prefeitos, em Brasília, uma redução em 200% nas ações que diariamente batiam às portas da Prefeitura – renderam convite do ex-prefeito para acumular a Secretaria da Saúde.

A confiança era tamanha em Jean, e seu trabalho na busca pelas certidões negativas de débitos que permitiram a Prefeitura captar financiamentos e ser hoje uma das que mais investem no Brasil, que Marco também o conduziu à presidência do MDB e permitiu as especulações de que, ao lado de Luiz Zaffalon e Jones Martins, o montenegrino que chegou ainda bebê na aldeia estava na disputa para a sucessão em 2020.

Na SMS, além de ser o secretário quando Gravataí ajudou a viabilizar financeiramente a compra do Hospital Dom João Becker pela ‘grife’ Santa Casa, fez uma gestão exemplar no pior momento da história de Gravataí, a pandemia da covid-19. Viabilizou respiradores, um hospital de campanha, ampliação de leitos e UTIs conforme a pandemia avançava, não caiu no curandeirismo do ‘kit covid’ e, ao cercar-se de médicos e profissionais de saúde, ajudou Marco Alba a ter argumentos técnicos para não ceder ao negacionismo de muitos na Gravataí que tinha dado 7 a cada 10 votos para Jair Bolsonaro e foi uma das primeiras cidades a testemunhar ‘carreata da morte’ pela abertura indiscriminada do comércio enquanto o vírus se disseminava Brasil afora.

Na Procuradoria-Geral da Câmara desde janeiro deixa como legado o suporte jurídico para o presidente Alan Vieira ter conduzido a aprovação da reforma da previdência e a vitória na justiça frente a ações que tentaram barrar aquela que o prefeito Luiz Zaffalon chama de ‘reforma das reformas’.

– O foco do escritório é ser um full service para pessoas, empreendedores e empresas. É atuar no direito agregando valor, agilidade e transparência – disse ao Seguinte:, sobre o atendimento empresarial, tributário, trabalhista, administrativo, ambiental, direito internacional e outras áreas.

Ao fim, a ‘peça’ que apresento acima sustenta minha argumentação inicial: ganha advocacia, mas perde a política de Gravataí.  

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