opinião

A votação do Orgulho Gay e o pastor suspeito de golpes que é Cidadão de Gravataí

Câmara de Vereadores de Gravataí

Errei, e lembro o erro, não sou dos que apostam na inesquecível falta de memória do leitor, ou eleitor. No artigo Projeto de Orgulho Gay em Gravataí; o Stonewall da Câmara, publicado dia 1º de julho, previ que “o Stonewall Inn da Câmara de Gravataí, se acontecer, será com vereadores fugindo do plenário para não ter que votar, contra, mas também a favor”.

O projeto foi aprovado, na conservadora casa legislativa, onde já se proibiu ‘certos tipos’ de manifestações artísticas, como tratei nos artigos Vereadores de Gravataí legislam até sobre conteúdo libidinoso e Agora é lei proibição de menores, mesmo com pais, em certas exposições, sem vereadores em fuga.

Com 14 votos a favor, quatro contrários, uma abstenção e uma ausência, depende agora apenas da sanção do prefeito Marco Alba a proposta do insuspeito Paulinho da Farmácia (MDB) de incluir no calendário oficial do município o “Dia de Conscientização do Orgulho LGBT+”, em 28 de junho, dia internacional de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros, “popularmente conhecido como Orgulho Gay”, depois que em 1969, na chamada ‘Revolta de Stonewall’, os frequentadores LGBTs reagiram aos ataques de policiais que promoviam freqüentes e humilhantes batidas no bar de Nova Iorque.

Trato Paulinho como insuspeito, porque não é um político de esquerda e que tenha pautas identitárias como bandeiras. O afilhado de Sérgio Zambiasi não tem nada de Jean Wyllys e, desviou de zombarias tanto nos corredores da Câmara, como da Rádio Caiçara.

Há quem ache bobagem tratar de pautas identitárias. Eu não. Acho conceitos e preconceitos traduzem muito do Zeitgeist, o espírito da época, seja em Gravataí ou Nova Iorque.

Por isso, saúdo os vereadores favoráveis: Airton Leal, Alan Vieira, Alex Peixe, Demétrio Tafras, Dilamar Soares, Dimas Costa, Evandro Soares, Jô da Farmácia, Mario Peres, Neri Facin, Paulo Silveira, Rosane Bordignon e Wagner Padilha.

O presidente Clebes Mendes só precisaria votar em caso de empate e Nadir Rocha estava hospitalizado.

E lamento os votos contrários de Alex Tavares, Carlos Fonseca, Fábio Ávila e, num grau menor, a abstenção de Roberto Andrade. Acho que se abster é feio, mas pelo menos não carrega o peso de um voto contra, como o de Bombeiro Batista, que parece querer encarnar o que pior tem o bolsonarismo; e dos outros três parlamentares, que se travestiram da condição de evangélicos.

Para ver como condição sexual não traduz cara, coração ou caráter, é a mesma Câmara que aprovou, por unanimidade, título de cidadão para um pastor que, conforme reportagem do Giro de Gravataí, aplicou golpes de mais de R$ 200 mil, lesando pessoas humildes da comunidade.

Ao fim, me parece que, tão errado quanto condenar a Câmara pelo título, o que significaria condenar o ‘cidadão de Gravataí’ antes do fim do processo, é votar contra qualquer coisa que carregue “gay” no nome.

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