opinião

A família morta a tiros no trânsito e os liquidificadores que matam

Arte sobre obra do genial Pawel Kuczynski

Já ‘brincou’ em espaço usado para isso em Gravataí a ‘milícia’ de airsoft do jovem de 24 anos que teve a prisão temporária decretada pela justiça sob suspeita de matar três pessoas de uma mesma família após uma discussão de trânsito na zona sul de Porto Alegre.

Os perfis de Facebook do procurado e de familiares seus já foram deletados, mas outros internautas já divulgam fotos e hábitos do ex-militar, entre eles o retorno ao grupo que, em postagens, divulga as ‘brincadeiras’ com armas não letais, apresentadas por textos como “morto não fala e não gesticula!”.

A letalidade dos tiros na cabeça e pescoço possivelmente advém da técnica desenvolvida no Exército Brasileiro e no jogo de simulações de operações policiais, militares ou recreação com armas de pressão que atiram projéteis plásticos não letais.

Conforme a RBS, agentes da 4ª Delegacia de Homicídios já estiveram em cinco endereços, na Capital e em outras cidades da Região Metropolitana, mas ele não foi encontrado.

Todos os locais — quatro residências e um comércio — estavam fechados. Além disso, celulares do homem e de familiares próximos estavam desligados.

Em uma das residências, na Zona Sul, os policiais encontraram uma pistola 380 em nome da mãe do investigado. No comércio da família, também na zona sul da Capital, foi localizado um revólver calibre 38 sem registro.

— Ele foi do Exército e usava uma pistola nove milímetros, que agora não é mais de uso restrito das Forças Armadas. Mas, de qualquer forma, não tinha porte (de arma), como averiguamos — disse a chefe da Polícia Civil gaúcha Nadine Anflor.

Rafael Zanetti Silva, 46 anos, a esposa dele, Fabiana da Silveira Innocente Silva, 44, morreram na hora após serem baleados. O filho deles, Gabriel da Silveira Innocente Silva, 20 anos, também foi atingido, chegou a ser encaminhado ao hospital, mas não resistiu.

No veículo ainda estavam o outro filho do casal, de oito anos, e a namorada do jovem assassinado, de 18 anos. Nenhum dos dois ficou ferido.

Ainda conforme a RBS, a jovem prestou depoimento e afirmou que o atirador não tentou disparar contra ela e a criança. Segundo ela, a mãe do homem tentou impedir os outros tiros, mas não conseguiu. Em seguida, os dois entraram na caminhonete e fugiram.

— Me chamou a atenção os disparos. Todos na região do pescoço e da cabeça, o que mostra o fato dele ter tido alguma aula de tiro e também de atirar com a intenção de matar mesmo — disse o titular da 4ª Delegacia de Homicídios de Porto Alegre, Rodrigo Garcia.

Ao fim, duas armas nas mãos da família e mais uma nas mãos do suspeito. Relativize como quiser. Use o argumento de que o rapaz poderia ‘rodar’ em um exame psicotécnico para tirar porte de arma, que não tinha, apesar de todo contato que teve com armas no Exército. Compare o risco de uma arma com um liquidificador, como fez o político aquele.

Eu não.

Entre tantos, identifico o perfil como o de mais um filhote da cultura da violência.

Com armas em casa, eu tenho medo dessa gente, com ou sem porte, façam ‘arminha’ no Facebook ou não.

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