opinião

A fake news do endividamento de Gravataí; o Jesus de 2020

Saguão da Prefeitura de Gravataí

Dizer que o prefeito Marco Alba está “endividando” Gravataí é uma meia verdade, e aquela metade mais próxima da mentira.

Já vi, ouvi ou li Anabel Lorenzi e Dimas Costa, as principais candidaturas de oposição à Prefeitura, usarem esse discurso com base nos financiamentos que impulsionam os R$ 100 milhões em investimentos que serão feitos pelo governo até o fim de 2020.

Não é justo, nem verdadeiro. Há muitos problemas em Gravataí, mas não este. E há tantas críticas possíveis, sobre prioridades de governo, que falar em endividamento beira a demagogia, para não dizer desespero com uma gestão que ganha popularidade – o que não significa vitória em eleição, a história mostra.

Marco Alba assumiu a Prefeitura com quase 6 a cada 10 reais da receita comprometidos por dívidas. Se não tivesse contraído financiamento, entregaria com pouco mais de um real. Pagou R$ 300 milhões. Com o dinheiro que captou com Banco do Brasil, Caixa Federal e Banrisul, encerrará o mandato com pouco mais de 2 a cada 10 reais da receita comidos por dívidas – que ainda perdurarão por governo futuros.

A oposição corre o risco de descrédito, se não calibrar o discurso. Ou, se a fake news funcionar, de ser vítima da própria meia-verdade, já que a cobrança será proporcional sobre quem assumir o governo a partir de 1º de janeiro de 2021.

Impopular esse meu comentário, quando tantos gozam ao metralhar teclados contra os políticos, no Grande Tribunal das Redes Sociais. Mas jornalismo é dar nome às coisas.

Dimas nunca governou, mas já foi do PT e seu pai foi secretário. Anabel participou do primeiro governo de Daniel Bordignon: foi chefe de gabinete do ex-prefeito. Rosane participou do governo Sérgio Stasinski como secretária. Muitos do entorno das duas candidaturas já ocuparam altos escalões da Prefeitura. Cometeram um crime? Não. Até porque, se cometeram, seria um crime continuado, já que SS é apoiador dos governos de Marco Alba.

Por isso é recomendável a todos dosar o discurso, para não brincar com a inteligência, ou, pior, com a deseducação das pessoas. E isso vale para quem for o candidato do governo, também, não só para a oposição. Não dá para dizer que tudo estava errado e nem que tudo está certo. É ilógico criticar Marco por “endividar a Prefeitura fazendo obras e congelando o salário dos servidores”, e ao mesmo tempo defender que Bordignon – e Stasinski – tenham “deixado de fazer repasses ao IPAG, o instituto de previdência municipal, para poder fazer obras, entregar serviços e dar reajustes ao funcionalismo”.

Prefeitura não é empresa privada que vista lucro, mas também não é a Casa da Moeda para fabricar dinheiro. 

Ao fim, não se trata de torcida ou secação, mas uma chamada ao equilíbrio, para trazer um pouco de realidade para o debate político em um ano eleitoral que, vigiemos, pode ser assombrado por fake news. Infelizmente, muitos acreditarão que Jesus está, voltará, ou aparecerá, pela primeira vez em Gravataí neste 2020.

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