Eleições 2022

CANOAS | O ’sair para ficar’ de Sérgio Moro: em Canoas, mais candidato ao Planalto do que nunca

Estrela do União Brasil falou para empresários da cidade em evento que lotou o salão nobre da CICS no início da semana

Se alguém tem dúvida sobre a vontade de Sérgio Moro em disputar a presidência da República, a palestra que fez aos empresários de Canoas no Almoço de Ideias da CICS, o Centro das Indústrias, Comércio e Serviços de Canoas, derrubou todas ao chão. Em quase duas horas de evento, o ex-juíz voltou aos temas de sempre: combate à corrupção, defesa da Lava Jato, disputa polarizada não faz bem ao Brasil e encerrou com a manjada – e, nem por isso, menos apropriada ao momento – 'sou um soldado da democracia'.

Trocando em miúdos, o eventual recuo de Moro que, ao trocar o Podemos pelo União Brasil, disse que abriria mão de concorrer à presidência da República para viabilizar a unidade da terceira via, em resumo, foi um posicionamento estratégico e não uma desistência. Ao final da palestra, em coletiva de imprensa, ele disse que Luciano Bivar, presidente do partido, está negociando o projeto nacional da sigla para as eleições e, embora não tenha establecido uma data, acredita que em maio uma composição já esteja alinhada.

 

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O União Brasil tangencia o esboço de unidade que hoje é encabeçada pelo PSDB de João Dória/Eduardo Leite, o MDB de Simone Tebet e o Cidadania que, recentemente, anunciou a formação de uma federação com os tucanos. Todos eles gostariam de contar com Moro em uma fotografia mas não pretende fazer do algoz de Lula seu candidato. Cristão-novo na política, ainda não tem o respeito dos velhos caciques – alguns deles, inclusive, já estiveram no alvo da caneta do ex-juíz famoso por mandar para cadeia agentes públicos envolvidos em casos rumorosos de corrupção. E se não tiver o 'ok' dos caciques, não terá deles o aval para concorrer à presidência.

No União, Moro procurou um espaço melhor para o recuo estratégico, mesmo aparecendo em terceiro na maioria das pesquisas de intenção de voto para disputa presidencial. O problema é que também recebeu um ultimato do partido em São Paulo que só aceita uma candidatura sua a deputado federal. Na manga, conta com a palavra de Bivar de que segue na disputa. São Paulo não tem nada contra o ex-juíz, bom que se diga: mas sabe que uma candidatura presidencial consome mundos e fundos do fundão eleitoral e que, ao fim e ao cabo, é a grana que os partidos nos Estados estão de olho para eleger a primeira bancada do União que recém nasceu da fusão entre o PSL e o Democratas.

Moro parece bastante confiante em superar a resistência interna para, então, dialogar com a tal terceira via. A vinda ao Sul é, ninguém se engane, um ato de pré-campanha. Moro teria aproveitado a oportunidade inclusive para conversar com o ex-governador Eduardo Leite, com quem abriu portas na época da convenção tucana, ano passado. Temendo parecer desrespeitoso com a indicação de João Dória, acabou beneficiado com uma viagem de Leite aos Estados Unidos e pode dedicar os três dias pelo Rio Grande do Sul antes da Páscoa para só falar de si – de si e de suas propostas para o Brasil.

'Propostas para o Brasil', aliás, o conveniente nome de sua palestra na CICS.

 

 

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