Volta às aulas

CANOAS | Mesmo com flexibilização do Estado, prefeitura seguirá exigindo aluno de máscara: o óbvio é a prevenção

Decreto do governador 'recomenda' mas não obriga o uso, que pode ser regulado pelos municípios. Contágio pós-carnaval é o que preocupa em Canoas

As aulas na Educação Infantil em Canoas foram retomadas nesta quarta-feira, 2, e não sem uma polêmica. No sábado, o governador Eduardo Leite publicou o decreto 56.403, que felixibiliza o uso de máscara para crianças de 6 a 11 anos. A medida prevê 'recomendação de uso' e não 'obrigatoriedade', como vinha sendo tratada até então.

 

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Ainda no sábado, o governador disse que se baseou em um parecer técnico da Vigilância em Saúde do Estado. Diante de um quadro de transmissão comunitária e sustentada da doença e da dificuldade que crianças nessa idade apresentam para manipulação e uso do equipamento, houve a flexibilização. "As alterações realizadas pelo governo do Estado apenas retomam as orientações da OMS (Organização Munidal da Saúde)", disse a secretária de Saúde do RS, Arita Bergmann, em comunidaco à imprensa.

Canoas, no entanto, seguirá um caminho diferente.

A prefeitura está orientando escolas de educação infantil, que retomaram as atividades com as crianças nesta quarta, 2, pela obrigatoriedade do uso de máscara. Vale lembrar que os municípios tem liberdade para ampliar restrições apresentadas pelo Estado: elas só não não podem ser menos rigosoras. O mesmo acontecerá com as EMEFs, que voltam às aulas na segunda-feira, 7.

Há motivos para que a prefeitura haja com essa precaução.

A Secretaria da Saúde avalia que os próximos 15 dias após o período de carnaval será determinante para enxergarmos o tamanho da onda de contágio que pode se abater sobre a cidade. Em janeiro, esse foi o tempo que levou entre os feriados de final de ano e a explosão de novos casos associados à variante ômicron. A julgar pelo comportamento da doença, meados de março deve revelar o quanto o vírus sambou do 'tô nem aí' de muitos de nós no feriadão – e que resultado colheremos em novos casos, hospitalizações e mortes associadas ao coronavírus.

"A Secretaria de Educação está acompanhando os índices de vacinação e contágio. Para nós, esse é um momento de cautela", lembra a secretária adjunda da pasta, Cinara Souza, em conversa com o blog. "Por isso, em Canoas, a máscara vai seguir sendo obrigatória". Ainda nesta quarta, o governo reúne às 14h30 o grupo da Educação e da Saúde que coordena as informações a respeito da pandemia. É daí que vão sair as orientações definitivas aos 5,3 mil alunos que regressaram à educação infantil neste dia 2 e aos mais de 30 mil que devem voltar na segunda, 7.

Desobrigar o uso da máscara me parece uma medida mais política do científica, me perdoe a OMS. Entendo que as crianças nem sempre põe o equipamento corretamente (tenho uma filha de 9 anos e enfrento essa missão todos os dias, desde o início da pandemia), mas vejo a máscara com uma barreira a mais de proteção, mesmo que tênue. A liberação do uso só pode estar associada à completa imunização dessa faixa etária, o que em Canoas, não é o caso. Até a semana passada, só 40% do público alvo entre 5 e 11 anos havia tomado a primeira dose – e, agora, vamos simplesmente admitir que todos voltem às escolas proteção alguma?

Mesmo diante do argumento de que a máscara é uma proteção falível e provisória, ainda assim, se mostra útil. E simbólica. Representa o 'algo' que até as crianças podem fazer para a própria prevenção e a dos que as cercam. Usar máscara educa para o cuidado e enquanto nossa consciência coletiva falha, vide o número de pais que seguem ignorando o chamado à vacinação, a escola é o ambiente para acreditarmos que dias melhores virão – e, principalmente, para fazermos o que é certo.

A prefeitura está correta, reputo, em relativizar a flexibilização. Se uma coisa a pandemia nos ensinou é que todo o cuidado com o coronavírus é pouco.

 

 

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