Literatura na praça

CANOAS | 6 perguntas para o ’Casal 20’ da Feira do Livro: a alegria em dias tediosos de pandemia

37ª Feira do Livro, em outubro, vai homenagear o casal de autores Mário e e Diana Corso 

Programada para tomar conta da Praça da Bandeira entre os dias 1º a 12 de outubro, com atividades híbridas, a 37ª Feira do Livro de Canoas tem novidades este ano. Ao invés de homenagear um único escritor, um casal recebe a honraria: Mário e Diana Corso. Psicanalistas, além de compartilharem a profissão também são parceiros de vida e literatura.

 

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"Mário Corso e Diana Corso são presenças extraordinárias na vida cultural do Rio Grande do Sul. Ativistas, ocupam todos os espaços públicos para semear lucidez e esperança, isso não é pouco. Exímios esgrimistas da palavra, nada mais justo do que a Feira do Livro de Canoas faça esse registro e homenagem", observa o curador da 37ª Feira do Livro de Canoas, Luciano Alabarse. 

O secretário da Cultura, Pinheiro Neto, também comemora a participação do casal Corso. "Desde as primeiras reuniões, os nomes deles sempre estiveram em pauta. Tanto pela representação no Estado como na literatura brasileira", observa o secretário. "É um momento de alegria, já que, pela primeira vez, a Feira do Livro terá um casal de escritores homenageados". 

Como vocês receberam o convite para serem os escritores homenageados da 37ª Feira do Livro de Canoas? 

Mário Corso – Com alegria, nesses dias tediosos de pandemia, é bom ver algo se movendo e guardo boa lembrança de uma feira do livro daí que já participei.

Diana Corso – Canoas já nos deu outras oportunidades de bons encontros, diálogos produtivos e dá gosto de ver uma cidade que valoriza a cultura.

Vocês têm projeto de uma nova obra em andamento? 

Mário – Sinceramente, só tento sobreviver a esse momento. Andei bem doente por causa da Covid-19 e não me recuperei de todo. Mal dou conta da coluna da Zero Hora. Entendo tua pergunta, quem escreve sempre está com uma coceira de começar um novo projeto, mas sinceramente, estou em modo manter-me à tona. 

Diana – Temos participado, na medida das nossas abaladas forças, de tudo o que possa ajudar a atravessar estes tempos de sofrimentos desgovernados. As pessoas sentem-se desamparadas pela violência da doença e por um governo que não protege e aumenta a vulnerabilidade. Como psicanalistas sentimo-nos no dever de entregar todo o amparo que esteja ao nosso alcance, através de entendimentos, de busca de esperança.

 

Como vocês lidam com o processo criativo durante a pandemia da Covid-19? De que forma o cenário impacta na produção cultural e intelectual?  

Mário – Não creio que exista uma resposta unívoca. É óbvio que houve uma quebra na produção de vários setores. Todos estão mais solitários e recolhidos, com menos trocas, isso atrapalha, a arte se beneficia dos encontros. Por outro lado, abriu-se tempo para mergulhar em projetos pessoais, talvez algumas pessoas consigam produzir algo que ilumine a sombra desses dias.

Diana – Houve muitas fases, muitos humores, já fomos mais potentes para tentar criar em meio a tanto medo e desesperança. Depois do adoecimento do Mário tudo está mais pesado, a recuperação toma conta da vida, mas como ela também nos impõe quietude, tenho escrito, randomicamente, sobre assuntos que me fazem bem, que me lembram mais ou menos quem ainda sou. Para variar, o tema das mulheres e a interseção literatura sempre me abrigam.

 

Imersos neste mundo digital, com tantas ferramentas de comunicação, como vocês avaliam o adolescente e as suas conexões? Atualmente, de que forma os jovens relacionam-se com o livro? 

Mário – Os adolescentes são os que mais sofrem os efeitos, para o bem e para o mal, da revolução digital. Um exemplo, antes o bullying ficava restrito à escola e ao período de aula. Em casa havia um descanso, agora, graças ao meios digitais, isso pode não parara nunca. Mas os fatos positivos são óbvios também, a adolescência é um período de achar a sua turma, a sua praia, a internet ajuda quem tem perfis nada comuns. Antes era mais difícil achar pares para quem pensava diferente. Quando a questão dos livros, essa nova geração lê bastante. São dados da indústria do livro. Tudo indica que não há uma contradição entre internet e leitura. Existem outros conteúdos, que só o mundo digital permite, como o fenômeno dos fanfics, onde os leitores reescrevem livros aproveitando personagens e o mundo criado por seu autor preferido. Essa geração escreve mais também, graças as redes.

 

Qual a relação de vocês com a Feira do Livro de Canoas? Quais lembranças guardam de participações anteriores? 

Diana – Lembro com muito carinho da criançada correndo de banca em banca para gastar um valor que receberam da prefeitura para aquisição de livros. A empolgação deles era linda.

 

Como vocês avaliam a importância da Feira do Livro para a cultura da cidade?

Diana – Tem coisa melhor do que um espaço público tomado por histórias, personagens, pensamentos e fantasias?
Uma cidade mostra sua alma nos eventos. Canoas também é leitora, essa é a boa notícia.

 

Sobre os Autores

Mário Corso

É psicanalista, membro da APPOA (Associação Psicanalítica de Porto Alegre). Formado em psicologia pela UFRGS, trabalha com adolescentes e adultos. Em 2002 lançou Monstruário – Inventário de Entidades Imaginárias e de Mitos Brasileiros pela editora Tomo, Menção Honrosa do prêmio Jabuti, numa tentativa de revitalizar figuras esquecidas do folclore nacional. Publicou o livro Fadas no Divã: psicanálise nas histórias infantis, em 2005, e Psicanálise na Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia, em 2010, ambos pela Ed. Artmed, finalistas do Prêmio Jabuti, escritos em parceria com sua esposa Diana Corso. Em 2014 publicou seu primeiro livro infantil A história mais triste do mundo, pela Editora Bolacha Maria, vencedor do Prêmio Açorianos de Literatura Infantil de 2015. Publica artigos, ensaios e crônicas em Zero Hora e em diversos meios de comunicação.

 

Diana Lichtenstein Corso

É Psicanalista Membro da APPOA (Associação Psicanalítica de Porto Alegre). Formada em psicologia pela UFRGS, trabalhou com crianças e no campo dos problemas de desenvolvimento infantil junto ao Centro Lydia Coriat de Porto Alegre e em várias outras instituições. Atualmente atende jovens e adultos. Desde 2001 é colunista do jornal Zero Hora e da Revista Vida Simples, além de participações em várias antologias e revistas. Publicou o livro Fadas no Divã: psicanálise nas histórias infantis, em 2005, e Psicanálise na Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia, em 2010, ambos pela Ed. Artmed, escritos em parceria com seu marido Mário Corso, ambos finalistas do Prêmio Jabuti. Em 2014, publicou pela Editora Arquipélago Tomo conta do mundo: conficções de uma psicanalista, composto de crônicas e ensaios, vencedor dos prêmios de Livro do Ano e Crônica de 2015 da AGES (Associação Gaúcha de Escritores) e do prêmio Açorianos na categoria Crônica de 2015.

Mário e Daiana Corso são autores dos livros Fadas no Divã: psicanálise nas histórias infantis (2006),  Psicanálise na Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia (2011), e Adolescência em Cartaz: Filmes e Psicanálise para Entendê-la (2018), todos sobre a cultura em busca de elementos que, a partir da psicanálise, iluminem o comportamento de jovens e adultos. 

Serviço da 37ªFeira do Livro de Canoas – 2021

Data prevista: de 1º/10 a 12/10
Formato: Híbrido
Local: Praça da Bandeira e transmissão online
Slogan: 26 letras e infinitas conexões 
Tema Literário: Centenário de Josué Guimarães
Cidade Homenageada: São Jerônimo 
Escritor homenageado: Diana Corso e Mário Corso 
Patrona: Lilian Rocha 
Curador: Luciano Alabarse

 

 

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