crise do coronavírus

Cachoeirinha mantém máscaras obrigatórias para crianças; É acerto na volta às aulas, em meio a campanhas antivacina e quase mil infectados entre 0 e 12 anos

Cachoeirinha vai manter obrigatório o uso de máscaras por crianças menores de 12 anos. A Prefeitura não vai seguir o decreto estadual 56.403, publicado sábado. A alteração nos protocolos do Sistema 3AS deixou especialistas da área médica inconformados, como analisei na segunda-feira em Erram governos Zaffa e Leite ao tirar obrigatoriedade de máscara para crianças em meio a volta às aulas e campanhas antivacina; Especialistas criticam.

Reputo acerta o prefeito em exercício Maurício Medeiros, como considero erram o governador Eduardo Leite e, em Gravataí, o governo Luiz Zaffalon – que, nas férias de Zaffa, tem o vice Dr. Levi como prefeito em exercício – principalmente por desobrigarem o protocolo em um momento de volta às aulas com variante ômicron e pela mensagem que enviam.

A pandemia não terminou.

No município são diagnosticados hoje, em média, 3 casos por hora.

Para piorar, envolve as crianças, um grupo alvo de campanha antivacina, como alertei em Covid: estão mentindo para mães e pais de Gravataí e Cachoeirinha sobre a vacinação de crianças.

– Cachoeirinha vai manter o protocolo municipal. Ao menos pelos próximos 15 dias, no retorno das aulas e pós feriadão de Carnaval, nossa equipe não avalia ser prudente e nem coerente flexibilizar o uso da máscara –explicou ao Seguinte:, ao meio dia desta quarta-feira, o secretário da Saúde Juliano Paz.

A reportagem Especialistas criticam decisão de Eduardo Leite que desobriga uso de máscaras por crianças até 12 anos, de André Malinoski, em GZH, traz alertas que merecem reprodução.

– Essa é uma medida sem nenhum sentido e benefício para a saúde pública. Ela vem na contramão dos cuidados que a sociedade toda se estruturou para fazer. Ainda estamos com muitos casos de contaminação acontecendo todos os dias. É o momento de maior número de acometimento de crianças por covid-19. Desde 2020, esse é o instante em que todas as crianças estão em ensino presencial – critica o chefe do Serviço de Infectologia do Hospital Moinhos de Vento, Alexandre Zavascki.

– Retirando-se a máscara, porque esse é o efeito prático para a maioria das pessoas, justamente em uma parcela da população (crianças) que foi atingida por uma campanha antivacinação, em que houve uma adesão muito pequena, coloca-se em risco não apenas a saúde das crianças, como o andamento do ano escolar. Acontecerão mais surtos nas escolas, várias crianças ficarão doentes e haverá o risco de se interromper o ensino de uma classe inteira. Além disso, coloca-se em risco ainda os professores e os funcionários das escolas, alguns idosos ou com comorbidades – acrescenta o infectologista.

Zavascki reforma os efeitos ‘antivacina’:

– É uma medida descabida. Infelizmente, só conseguimos entendê-la em um benefício político que o governador pretenda tirar, agradando uma parcela da população que demanda pela retirada de máscaras. Obviamente, é a mesma parcela da população que nega a pandemia e os benefícios da vacina.

– Há riscos de aumento de casos, pois temos episódios da Ômicron ainda em alta. E essa faixa etária tem um percentual de vacinados baixo – alerta o enfermeiro e coordenador do Controle de Infecção do Hospital Vila Nova, Darlan da Rosa.

– As crianças sempre foram menos afetadas, mas com a variante da Ômicron isso mudou um pouco, até com mais internações do público infantil. Muitos estudos comprovam que as crianças contraem a doença e sofrem riscos muito baixos na comparação com os adultos doentes. A chance de as crianças transmitirem é muito pequena – pondera a médica infectologista da Comissão de Controle de Infecções do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) Caroline Deutschendorf, fazendo um apelo aos familiares das crianças:

– Se a criança estiver com algum tipo de sintoma, o recomendado é usar máscara. Nas assintomáticas, mesmo que estejam contaminadas com covid, os riscos de transmissão são muito baixos. Às vezes, sabemos das dificuldades que as crianças possuem de fazer o uso correto das máscaras. Os pais devem saber que, se a criança apresentar algum sintoma, não deve ter contato com outras crianças e também com os adultos. Isso é uma prática importante e, se tiver de ter contato por algum motivo, que use máscara.

O que embasa a medida do governador – e, agora, do prefeito – é parecer técnico do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS), que avalia que “ainda que exista legislação federal que preconize o uso obrigatório para pessoas acima de três anos, considerando o longo período em que não há atualização da legislação, considerando que nos últimos 24 meses não se apresentaram evidências robustas que comprovem o benefício da obrigatoriedade do uso de máscaras em algumas faixas etárias, considerando que sem benefício comprovado é obrigação dos profissionais da saúde primar pelo não malefício, considerando que a orientação é garantir o uso adequado de máscara, conclui-se que não há base técnica que suporte a obrigatoriedade de máscaras indiscriminadamente na faixa etária de três anos até 11 anos”.

 

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Ao fim, concluo como em Erram governos Zaffa e Leite ao tirar obrigatoriedade de máscara para crianças em meio a volta às aulas e campanhas antivacina; Especialistas criticam, mas  usando os argumento para elogiar a decisão de Paz e sua equipe, como o ok político de Maurício Medeiros.

Parece-me – e a especialistas – uma desnecessária alegoria de Carnaval de Leite desobrigar agora o uso da máscara, quando se busca incentivar a vacinação infantil.

A ‘ideologia dos números’ mostra que a pandemia segue virulenta em Cachoeirinha.

Chegamos aos 21.962 infectados desde o primeiro caso em março de 2020, conforme o último boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura dia 25 de fevereiro. A média atual é de 3 casos diagnosticados a cada 24h. Há 169 pacientes ativos; 5 internados. Já perderam a vida para covid 501 moradores.

Um dado importante é que quase mil infecções ocorreram em crianças abaixo de 12 anos.

Chato como um Dr. Stockmann, em Um Inimigo do Povo, de Ibsen, mais uma vez associo-me ao cientista Miguel Nicolelis, brasileiro com incontestáveis acertos nos alertas que fez para as sequentes ondas da pandemia: a maioria dos políticos e da imprensa tenta convencer que a normalidade voltou, mas a realidade não os obedece.

 

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